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Shaka Zulu, o Napoleão africano

Governante do Império Zulu, Shaka é figura controversa na história da região

Joseane Pereira Publicado em 16/11/2019, às 08h00

Shaka, rei do Império Zulu
Shaka, rei do Império Zulu - Wikimedia Commons

Pelo seu gênio militar e por consolidar centenas de etnias africanas sob o Império Zulu, o governante Shaka foi descrito como o Napoleão Africano. Apesar das discordâncias historiográficas sobre o quão cruel ele era, suas proezas militares e realizações são indiscutíveis.

TRAJETÓRIA

Shaka nasceu por volta de 1787, filho do chefe Zulu Senzangakhona KaJama e de Nandi, pertencente a um clã vizinho. Ele e sua mãe foram exilados após seu nascimento, se juntando a um grupo completamente diferente, os Mthethwa. No final da adolescência, Shaka já demonstrava grande força e habilidade.

Sua primeira guerra foi travada quando ele tinha 21 anos. Com um metro e oitenta e muito musculoso, o jovem se equipava com três lanças de arremesso e um escudo oval com um metro de altura. Ele vestia uma capa de pele, sandálias de couro e rabos de boi brancos ao redor dos tornozelos.

Na época, as batalhas intertribais tinham pouco derramamento de sangue: os dois lados se enfrentavam à distância, arremessando suas armas. Durante as lutas, Shaka descartava suas sandálias, para arremessar com mais facilidade. Derrotando com sucesso um exército inimigo, Shaka conseguiu se reconciliar com o pai Senzangakhona.

GOVERNANTE PODEROSO

Minissérie Shaka Zulu, de 1986 / Crédito: Getty Images

 

Herdeiro do Império Zulu, o jovem chefe alcançaria grandes vitórias, buscando alianças com outros grupos e fazendo crescer seu exército. Shaka passou a ser conhecido por sua crueldade, expandindo o Reino até se tornar um déspota. Se alguém o insultasse, ele condenaria a pessoa à morte por espancamento ou empalamento.

Por dez anos, o rei Shaka governou prosperamente, contando com mais de 50 mil guerreiros ao seu lado. Ao mesmo tempo, ele teria sido responsável pela morte de cerca de dois milhões de pessoas através da guerra.

Em 1827, depois da morte de sua mãe, Shaka teria perdido a cabeça, proibindo a agricultura e uso de leite por um ano e assassinando mulheres grávidas e seus maridos. Isso teria feito seu meio irmão, Dingawe, assassinar o jovem tirano em 1828 e assumir o trono.

Entretanto, essa versão cruel da história de Shaka tem sido alvo de conflitos na historiografia: segundo o autor Dan Wylie, os livros sobre Shaka estariam apoiados em escritores coloniais britânicos, que justificavam o domínio e usurpação das terras Zulu durante o século 19 retratando esses povos da maneira mais cruel possível.

Uma minissérie sobre o reinado de Shaka, de 1986, está disponível na Netflix.


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