Matérias » Personagem

Shirley Temple: a conturbada história da queridinha da América durante a Grande Depressão

A atriz que fez sucesso em Hollywood nos anos 1930, chegou a declarar que viveu uma "exploração cínica de nossa inocência infantil que ocasionalmente era racista e sexista”

Fabio Previdelli Publicado em 06/09/2019, às 14h00

None
- Reprodução

Para muitos, Shirley Temple é sinônimo da menina hollywoodiana de cachinhos dourados que parecia levitar cantando e sapateando nos ingênuos musicais do anos 1930.

Apesar ter nascido durante a Grande Depressão dos Estados Unidos, sua família a matriculou em aulas de dança. Logo ela assinou um contrato com a Educational Pictures e tornou-se estrela em questão de meses.

Shirley brilhou em filmes como Alegria de Viver (1934), Olhos Encantadores (1934), A Queridinha da Família (1934), A Pequena Órfã (1935), Pobre Menina Rica (1936), e A Princesinha (1939). Aos seis anos, em 1935, ganhou um baby Oscar - uma estatueta especial para os pequenos que não podiam concorrer com artistas adultos em várias categorias da Academia. 

Shirley Temple atuando / Crédito: Reprodução


No entanto, anos mais tarde, em sua biografia, a atriz criticou os trabalhos que fez quando criança, na qual ela chamou de “uma exploração cínica de nossa inocência infantil que ocasionalmente era racista e sexista”.

Muitos podem achar que seus pais aproveitaram da graciosidade e ingenuidade da garota para ganhar dinheiro com sua repentina fama. Mas ela sempre se considerou “banhada de amor a vida toda”, e ainda acrescentou: “acho que minha mãe era a mãe mais maravilhosa que alguém poderia ter”.

Aos 12 anos, a 20th Century Fox decidiu não renovar seu contrato, a partir daí sua vida de fama passou a ser só mais um grande sonho infantil. A garota começou a frequentar uma escola em Los Angeles. Longe do interesse dos estúdios, sua vida particular ganhou outros rumos.

Aos 16 anos ela começou a namorar com John Agar Jr., um sargento do Corpo Aéreo do Exército de 24 anos. Antes de completar 17 anos, eles se casaram. Mas quatro anos após a união, os dois se separaram, logo quando Linda Susan, filha dos dois, completava 1 ano.

Em menos de 60 dias após o divórcio, Temple, de 21 anos, ficou noiva novamente / Crédito: Reprodução


Em menos de 60 dias após o divórcio, Temple, de 21 anos, ficou noiva novamente. Desta vez de Charles Alden Black, de 30 anos. Os dois permaneceram juntos por 55 anos, quando ele faleceu em 2005.

A jovem se aposentou oficialmente de Hollywood aos 22 anos, por estar cansada de receber os mesmo papeis estereotipados e insatisfeita com a qualidade dos filmes. Logo se mudou com o marido para Washington, embora ela tivesse desistido de atuar, sua vida em frente as câmeras durou mais um tempo.

Ela tornou-se anfitriã do programa Shirley Temple’s Storybook (que mais tarde foi renomeado para The Shirley Temple Show) por três anos e 41 episódios, quando terminou em 1961.

Após o fim de seu programa, dedicou-se a carreira política e à diplomacia. Foi eleita congressista pelo Partido Republicano em 1967 e se tornou embaixadora nas Nações Unidas, em Gana e na Tchecoslováquia, até 1989.

Foi eleita congressista pelo Partido Republicano em 1967 e se tornou embaixadora nas Nações Unidas, em Gana e na Tchecoslováquia, até 1989 / Crédito: Reprodução


Shirley Temple também foi uma ativista na luta contra o câncer de mama. Ela foi diagnosticada com a doença em 1972, nessa época as mulheres mantinham seus diagnósticos em sigilo. Ela foi na contra mão desse padrão e realizou uma coletiva de imprensa no hospital para falar sobre isso.

Em uma entrevista para uma grande revista, ela orientou que a importância do autoexame mamário e alertou para as mulheres não “ficarem em casa e terem medo”.

Temple viveu uma vida incrivelmente cheia de desafios nos mais diferentes ramos em que escolheu trabalhar. A atriz faleceu em 10 de fevereiro de 2014, aos 85 anos e deixou um enorme legado para o cinema, política e para as mulheres.