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Sigam-me os bons! Há 91 anos, nascia Roberto Bolaños, o eterno Chaves

Também famoso por interpretar o Chapolin Colorado, Chespirito foi, sem dúvidas, o maior humorista de língua espanhola do século 20

André Nogueira Publicado em 21/02/2020, às 10h00 - Atualizado às 10h49

O insubstituível Chaves
O insubstituível Chaves - Wikimedia Commons

Antigamente, nos mais diversos horários do dia, ao ligar a televisão, seria fácil assistir um dos dois programas mexicanos que mais fizeram sucesso no Brasil: O Chapolin Colorado e Chaves. Ambas as obras pertencem a um importante nome da cultura latino-americana, Roberto Gómez Bolaños, filho de um pintor e sobrinho de um ex-presidente mexicano.

Antes das Artes Cênicas, Bolaños era boxeador, quando, numa breve passagem pela faculdade de engenharia, começou a escrever roteiros engraçados e expositivos sobre a sociedade que via. Num dos primeiros trabalhos, foi percebida a audácia e a sofisticação de sua escrita, dando origem a seu principal apelido: Chespirito, o 'pequeno Shakespeare' hispanohablante.

Chespirito / Crédito: Gety Images

 

Chespirtito logo começou a integrar elencos como ator, depois de ser descoberto enquanto esperava numa fila de candidatos a um emprego de escritor. Passou a participar do humor televisivo em 1968, onde foi ganhando tamanho protagonismo até que o programa passou a chamar Chespirito, onde se apresentavam esquetes animadas do El Chavo e Chapolin.

Ambos os personagens só tiveram seus próprios shows a partir de 1973: El Chavo del Ocho (conhecido no Brasil apenas com Chaves) e El Chapulín Colorado (o Chapolin Colorado), passaram a ser transmitidos em 124 países.

No mais popular entre eles, Bolaños interpretava um garoto pobre de 8 anos que vivia dentro de um barril de madeira numa vila mexicana, realizando importantes críticas sociais à burguesia e a falta de empatia nas pessoas.

Além de roteirista e ator, Chespirito também foi poeta, compositor, humorista, desenhista e publicitário, normalmente relacionando seus outros trabalhos com a comédia. Sua paródia de super-heróis, com o covarde e tonto Chapolin Colorado, também se tornou muito popular na América Latina.

É elel! O chapolin Colorado / Crédito: Wikimedia Commons

 

No fim da vida, Roberto Bolaños passou a participar mais ativamente do debate político, assumindo uma ideologia mais conservadora e a opinar diretamente em eleições e pautas deliberativas.

Aproximando-se do Partido de Ação Nacional, colaborou com a campanha do candidato Vincent Fox Quesada em 2000 e, depois, se posicionou em pautas mais polêmicas: como a legalização do aborto no México, do qual se mostrou ser contra.

Roberto Gómez Bolaños desenvolveu mal de Parkinson no fim da vida, morrendo em 2014 por conta de uma insuficiência cardíaca em decorrência da enfermidade. O fato causou grande comoção nacional e mundial, sendo que o Brasil foi um dos principais pontos onde homenagens e manifestações de luto foram divulgadas. Seu funeral ocorreu do Estádio Asteca da Cidade do México e seu sepultamento foi realizado no Panteón Francés da capital, onde descansam grandes nomes da nação mexicana.


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