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Símbolo dos anos 90: relembre a marcante trajetória de 'Tiazinha'

A intérprete Suzana Alves sofreu com uma crise de identidade no auge da popularização da personagem

Wallacy Ferrari, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 25/04/2021, às 09h00

Suzana na época da Tiazinha (esq.) e atualmente (dir.)
Suzana na época da Tiazinha (esq.) e atualmente (dir.) - Divulgação / Playboy / Instagram

Em um mundo distante do uso popular da internet, a construção de figuras populares se dava, principalmente, pela exposição em grandes veículos. Não era diferente com os padrões de beleza e sexualidade — tendo um deles como figura máxima durante o final da década de 1990 até a entrada do novo milênio.

A quimérica Tiazinha, trajando cinta-liga, máscara ao redor dos olhos e um chicote, se tornou a maior sex-symbol do Brasil na virada do século. Surgiu no Programa H, que era apresentado por Luciano Huck diariamente nas tardes da Bandeirantes.

A moça de cabelos pretos e corpo magro, chamava a atenção jovens que compunham a plateia. De acordo com a Folha, a ideia da personagem partiu do próprio apresentador e de Paulo Lima, fundador da revista Trip.

Juntos, convidaram a jovem em fevereiro de 1998 para compor alguns quadros do programa, sendo o mais popular deles um quiz onde o participante era depilado pela Tiazinha em caso de erro na resposta. Porém, a marca ultrapassou o programa de maneira meteórica.

O produto Tiazinha

Em reportagem da revista Istoé Gente, sua representação comercial tomou ainda mais força no ano seguinte, quando o músico Vinny lançou uma música-tema para a personagem no álbum "Tiazinha Faz a Festa", que vendeu menos de 250 mil cópias — além de realizar apresentações musicais por todo o país e até em outras emissoras de TV.

Além disso, já tinha mais de 100 produtos licenciados, como o Tamanquinho da Tiazinha, que vinha com máscara e chicote, e inserções em chicletes e álbum de figurinhas.

Chegou a ter seu próprio programa na Band, chamado “As Aventuras da Tiazinha”, uma série pós-apocalíptica de ação semelhante ao jogo Metal Gear Solid, outro sucesso do final da década de 1990.

O sucesso também reverberou nas bancas com três edições da Playboy, sendo a primeira a vice-líder em vendas na história da revista, com 1,2 milhão de exemplares vendidos, informou a Folha.

Porém, com a saída de Luciano da emissora, a intérprete Suzana Alves sentiu a necessidade de mudar a imagem, de maneira que o personagem não se tornasse um sinônimo de sua vida pessoal e profissional como atriz — que seguia desde a infância.

Desgaste de imagem

Decidiu por interromper a exploração da personagem em 2000 ao evitar a renovação de contrato na Bandeirantes, cumprindo com a agenda restante.

A ausência de privacidade ainda com menos de 20 anos resultou em uma crise de identidade que a afastou por meses dos veículos, retomando a carreira como repórter e, posteriormente, firmando-se no teatro, onde chegou a interpretar Bela no aclamado espetáculo ‘A Bela e a Fera’.

Suzana Alvez, interprete de Tiazinha, posa com a família / Créditos: Divulgação / Instagram / Suzana Alves

 

Como atriz, ganhou em 2008 o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Brasília por interpretar Milena em “Falsa Loira”, além de ser indicada ao prêmio APCA em 2011 e 2012 por “O Casamento Suspeitoso, de Ariano Suassuna”. Também realizou participações em novelas da RecordTV, atualmente interpretando Salma no elenco de ‘Gênesis’.

Ela se casou com o tenista Flávio Saretta, com quem teve o filho Benjamin. Em 2017, ela explicou a importância do desligamento: “Quando você constrói a personagem, é muito duro, não é fácil. E depois, para abandonar ela, também é difícil. Você começa a andar como a personagem", disse em entrevista ao apresentador Gugu Liberato.

Já nesta última semana, Alves relembrou através de sua conta oficial do Instagram o quanto essa mudança foi complicada.

“Essa transição não foi nada fácil. Foi algo que até hoje eu trabalho. Mas não é só a transição da Tiazinha, é da vida, das curas de antes da Tiazinha. Eu tive uma vida antes e ser reconhecida hoje como Suzana e como eu sou e não com uma máscara da personagem é muito lindo e gratificante saber que toda a dor, tudo passou. É uma maravilha”, disse.

Também desabafou sobre o medo do pai descobrir a profissão. “Era só um programa piloto para ganhar dinheiro para ajudar a pagar a minha faculdade. Só isso. Não teve motivação, pelo contrário, eu tinha muito medo de meu pai me ver e me expulsar de casa. Então, não tive motivação, não. Só tive uma oportunidade que eu neguei três vezes até conversar com a minha mãe e até eu ter a ideia de colocar a máscara para me proteger e meu pai nem sonhar em me ver", disse.


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