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Símbolo sexual e ícone queer: a sensualidade explícita de Prince

Em suas canções, performances e na vida real, o artista estadunidense sempre exalou erotismo e provocou o público por romper com estereótipos de gênero

Isabela Barreiros Publicado em 29/02/2020, às 09h00

O artista Prince
O artista Prince - Getty Images

A sensualidade de Prince está explícita em suas músicas. O sexo acabou se tornando a maior marca tanto das canções e performances quanto do próprio artista em sua vida privada. A combinação entre a sexualidade aflorada e a fluidez de gênero fez com que ele se tornasse uma das personalidades mais notáveis da História.

Por volta dos anos 1980, a temática sexual de Prince causava desconforto à sociedade. Somando as letras altamente voluptuosas à aparência andrógina do músico, sua própria existência poderia ser considerada uma afronta aos valores e expectativas da época a um homem negro dos Estados Unidos.

“Prince era religioso e espiritual, mas o que aparece mais em sua música era o sexo. Para muitas pessoas, Prince é importante porque ele deu a elas a permissão, a liberdade para ser tão sexual quanto elas quisessem. Isso é muito importante pra mim e pra muitas pessoas”, explica o jornalista musical Touré, autor de I Would Die 4 U: Why Prince Became an Icon, em entrevista ao site Risca Faca.

Na música I Wanna Be Your Lover, ele narra: “Eu quero transformá-la, enlouquecê-la. A noite toda, fazer você gritar”. Em I Love U In Me, temos: “Nossos corpos afundam em uma piscina de suor. Este é o tipo de amor que você nunca esquece. Com você doçura, eu sou o mais rico no mundo”. Esses são dois exemplos que revelam a maior parte da carreira de Prince: o sexo como tema principal.

Crédito: Wikimedia Commons

 

Ainda que muitos homens tenham cantado sobre a temática, o artista trazia isso de uma perspectiva diferente — nas letras de suas canções, o prazer feminino tem protagonismo, demonstrando como, em suas relações, a parceira deveria gostar do momento tanto quanto ele. Provavelmente uma visão progressista àquele tempo.

Uma ex-namorada de Prince, Charlene Friend, explicou um pouco sobre a vida sexual dos dois. "Ele acreditava ser o Messias e que, se você fizesse sexo com ele, você se tornaria um só corpo com ele. Às vezes ele assistia, às vezes ele participava”, disse. Ela revelou também que o artista promovia orgias em casa e tinha quartos temáticos para as festas sexuais.

Mas, mesmo que demonstrasse seus relacionamentos com mulheres em público, sua sexualidade quase sempre foi muito questionada pelo público. Mais do que a sexualidade: sua identidade de gênero, durante muito tempo, foi uma incógnita quanto aos seus admiradores quanto aos seus críticos.

Usando salto alto, maquiagem e roupas espalhafatosas, a androginia foi um dos aspectos mais marcantes do músico. É nesse ponto também que ele passa a romper com estereótipos de gênero ligados à masculinidade.

Em I Would Die 4 U, ele diz: “Eu não sou uma mulher. Eu não sou um homem. Eu sou algo. Que você nunca entenderá”. Também teve músicas em que cantava como uma mulher, em um alterego feminino, que deu o nome de Camille. Sign O 'the Times, por exemplo, foi um dos trabalhos sob esse ângulo. Em 1993, Prince passou a adotar o símbolo do feminino e masculino para se definir.

Crédito: Wikimedia Commons

 

O fato de ele estar rondado por mulheres também é levantado — tanto na sua carreira quanto na sua vida pessoal. Prince fez trabalhos com muitas delas, e teve envolvimento sexual com várias delas.

Em uma entrevista no canal VH1, em 1997, o cantor respondeu à pergunta “essa coisa andrógina foi uma performance ou você procurava por sua identidade sexual?”. A resposta é quase a única evidência que temos do pensamento de Prince sobre sua própria personalidade.

“Essa é uma boa pergunta. Eu não acho que de fato procurava algo. Acho que fui sendo quem eu era. Como o verdadeiro geminiano que sou. E há muitos lados nisso também. E havia uma pequena atuação que ocorria também”, explicou.


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