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"Simplesmente indispensável": Conheça Adriano Goldman, o brasileiro diretor de fotografia de The Crown

Responsável por ter dado uma inconfundível identidade visual à série, Goldman é destaque na produção original da Netflix

Giovanna de Matteo Publicado em 29/11/2020, às 13h00

Cena de The Crown (esq.) em montagem com Adriano em evento de Netflix (dir.)
Cena de The Crown (esq.) em montagem com Adriano em evento de Netflix (dir.) - Divulgação / Netflix (esq.) / Getty Images (dir.)

The Crown estreiou a sua quarta temporada na Netflix em 15 de Novembro e já deu muito o que falar. A produção, que conta com uma equipe excelente, um roteiro inteligente e figurinos que são o sonho de todo amante da moda exibem alguns dos dramas que já cercaram a família real britânica.

Porém, um dos maiores destaques ainda continua sendo a direção de fotografia, que é realizada pelo brasileiro Adriano Goldman. Nascido e criado no bairro de Pinheiros, em São Paulo, ele é um dos grandes nomes que dão vida a série, que chega a ter um orçamento estimado em US $ 130 milhões (670 milhões de reais), para cada temporada.

 A atriz Emma Corrin interpreta Lady Diana no seriado / Crédito: Divulgação/Netflix

 

Responsável por ter dado uma inconfundível identidade visual à série, onde combina grandiosidade com intimidade e elegância, "Adriano é simplesmente indispensável", afirma o criador, roteirista e produtor-executivo de The Crown, Peter Morgan, segundo a Folha de S. Paulo.

"Ele não só é fundador e criador da série, como também o mestre arquiteto da sua estética, do seu sentido, significado e sucesso. Ele é um grande artista e, sem ele, eu estaria completamente perdido", conclui ele.

"Se eu for um artista, sou um artista raso. Estou muito mais interessado em ser só um bom diretor de fotografia, descobrindo formas novas de trabalhar cada vez mais perto daqueles que são os verdadeiros artistas —os autores, os diretores e os atores" , disse Adriano Goldman.

Fernando Meirelles, amigo de trabalho de Goldman há quase quarenta anos, contou sobre a descoberta do talento dele: "Disseram que ele queria trabalhar conosco. Estávamos saindo para gravar e acho que pedimos para ele carregar um gravador ou algo assim. Ele foi. Colou no grupo e por lá ficou. Por alguns anos, achei que ele seria um diretor ou um roteirista, talvez, pois era articulado. Um dia, surpreendentemente, ele disse que estava indo para o Maine fazer um curso de fotografia. Foi e voltou fotógrafo. Ele se vê como uma espécie de prestador de serviços para o diretor. Isso é bobagem, pois a fotografia que Adriano faz conta como tanto histórias quanto os diálogos. É um artista, mesmo que não queira encarar esse fato."

A quarta temporada de The Crown foca na entrada deLady Di para a família real, que começa o processo em 1979 e termina em 1990, em um momento delicado onde Diana aos poucos vai se transformando na Princesa do Povo. Além disso, a figura de Margareth Thatcher como primeira-ministra do Reino Unido coloca a série em outro patamar.

Margaret Thatcher (Gillian Anderson) em The Crown / Crédito: Divulgação/ Netflix

 

Goldman fotografa as duas atrizes nos papéis mais intrigantes da série, prestando atenção nos contrastes que as duas personagens apresentam, captando através da câmera as suas complexidades individuais.

"Ele é o exímio mestre do close-up e da combinação perfeita de realismo e fantasia", declara Benjamin Caron, diretor principal desta temporada. "Em cada enquadramento tem uma busca pelo equilíbrio perfeito entre brilhos, sombras, ângulos, movimentos de câmera, lentes e núcleos e nessa busca pela perfeição ele consegue revelar a alma das personagens."

Para Goldman, "foi um grande e novo desafio fotografar fatos históricos mais recentes que ainda não foram digeridos pela história e estão tão presentes na memória de grande parte do público". Ele ainda acrescenta que "foi mais difícil manter o mesmo tom de realismo realçado das séries anteriores sem cair num naturalismo mais fácil e mundano."

A nova temporada retrata momentos muito delicados que ainda não estão enterrados na história, e sobrevivem na mente do povo e principalmente dos que estão ali sendo representados.

Ao revelar a intimidade dessas pessoas, na qual alguns ainda estão vivos, críticas se formaram entre os que, de alguma maneira, se sentem ofendidos ou expostos a uma versão da vida da realeza britânica que está sendo contada por outra pessoa. 

Diante disso, alguns historiadores, políticos, amigos e membros da família real criticam a série e apostam em uma campanha para obrigar a Netflix a anunciar antes de cada episódio que a obra é ficcional.

No olhar de Goldman, no entanto, "o problema não existe". "Nunca tratei The Crown como uma peça documental, nem mesmo quando eventos históricos foram refilmados. A polêmica não é inédita. Sempre alguém vai se ofender com alguma coisa. A proposta para resolver o problema então qual seria? A autocensura? Seria mais certo submeter o roteiro a um comitê censor? Não acredito nisso. O objetivo da arte é mais provocar do que agradar a todos."


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