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Sobrevivente de Fukushima no Brasil: O insano caso Hitomi Akamatsu

Semanas atrás, o corpo de Akamatsu foi encontrado parcialmente enterrado perto de uma cachoeira que fica dentro da Casa Dom Inácio Loyola, local onde o médium atendia seus pacientes

Fabio Previdelli Publicado em 19/12/2020, às 10h00

Hitomi Akamatsu
Hitomi Akamatsu - Divulgação

No início do ano, os holofotes da mídia se viraram para a Casa Dom Inácio de Loyola, localizada na avenida Frontal, na cidade de Abadiânia, a 80 quilômetros de Goiânia. Afinal, lá fica a sede onde João Teixeira de Faria, mais conhecido como o médium João de Deus, que abusou sexualmente de dezenas de mulheres.  

Pelos crimes, João de Deus foi condenado a 60 anos de prisão. Atualmente ele cumpre prisão domiciliar e sempre negou as acusações, se declarando inocente. Após o escândalo, o centro ficou fechado esse ano durante três meses por conta da pandemia do novo coronavírus. 

Porém, apesar de ter voltado a funcionar a pouco tempo, seguindo as determinações de sanitárias, o local chamou atenção no mês passado, quando a japonesa Hitomi Akamatsu, de 43 anos, foi encontrada morta e parcialmente enterrada perto de uma cachoeira que, segundo a Polícia Civil de Goiás, compreende a propriedade da Casa Dom Inácio.

Mas o que aconteceu por lá? 

A vítima 

Segundo apurou durante as investigações, a polícia local descobriu que Akamatsu morava na cidade goiana há mais de dois anos. De acordo com testemunhas, ela teria ido até Abadiânia para se curar e tratar de sequelas que teve devido ao acidente radioativo na usina nuclear de Fukushima, em 2011. 

Hitomi Akamatsu / Crédito: Divulgação

 

Em entrevista ao O Globo, Alberto Brazil, comerciante, cuidador de idosos e artesão descreve como Hitomi era na rotina. “Ela era muito querida por aqui. Trabalhei alguns meses pra ela logo que ela chegou. Era muito educada”. 

Outras pessoas que a conheciam também destacam que a japonesa era conhecida não só por conta do acidente de Fukushima, como também por seu esforço para falar português e por sua suposta conexão com experiências paranormais. 

Em 2013, inclusive, ela foi o enfoque do documentário "Hitomi and the God Particle” (“Hitomi e a Partícula de Deus”, em tradução livre). A produção de 45 minutos conta o período em que Akamatsu passou no Havaí para desenvolver sua “visão remota” — uma espécie de habilidade paranormal que lhe permitia ver e vivenciar experiências à distância. 

Em uma dessas experiências, a japonesa teria conseguido desenhar e apontar detalhes do acelerador de partículas construído na Suíça, onde pesquisadores fazem estudos com o Bóson de Higgs, popularmente conhecido como A Partícula de Deus. 

Detalhes do crime  

Segundo a polícia, apesar do assassinato acontecer em parte da propriedade da Casa Dom Inácio de Loyola, o crime não tem nenhuma ligação com o centro religioso. Conforme esclareceu a investigação, a japonesa teria sido vítima de um latrocínio.  

Enquanto ela estava indo até a cachoeira, acabou sendo abordada por Rafael Lima Costa de 18 anos, que tentou roubá-la. Segundo o criminoso, que confessou o crime, ele a matou pois tinha medo de ser reconhecido por Hitomi, estrangulando-a com uma camisa.  

Entrada da Casa Dom Inácio Loyola / Crédito: Divulgação

 

Em seguida, Rafael teria carregado o corpo da estrangeira nos ombros até a região da cachoeira, então, ele a jogou em uma vala e cobriu seu corpo com algumas pedras, terra e mato. O crime teria acontecido no dia 10 de novembro, uma terça-feira, no entanto, os amigos de Akamatsu só teriam denunciado seu desaparecimento no domingo.  

O corpo

Com a ajuda de cães farejadores, os bombeiros encontraram o corpo de Hitomi Akamatsu somente no dia 23 de novembro. “Não há, aparentemente, nenhuma ligação entre a morte dela e a Casa Dom Inácio de Loyola. O local onde ela foi morta é conhecido por atrair pessoas em busca das energias da cachoeira. Muita gente vai lá. Ao que parece, foi um latrocínio”, declarou o delegado Albert Peixoto, que ficou encarregado das investigações. 

Conforme levantou a polícia, o responsável pelo crime, Rafael Lima Costa, já tinha passagem criminal quando era menor de idade. Na ocasião, ele foi detido por ter estuprado uma adolescente que saía da escola. “Quando a gente chegou no barraco onde ele morava, ele disse que já estava esperando”, disse Peixoto

Rafael Lima da Costa / Crédito: Divulgação

 

Segundo a perícia feita no corpo de Hitomi, a causa da morte foi devido a um traumatismo craniano, o que contrariava a versão inicial dada por Rafael. Confrontado, ele admitiu ter estuprado Akamatsu antes de lhe dar um golpe fatal na cabeça. O criminoso foi indiciado por latrocínio, estupro e ocultação de cadáver.  

O corpo de Hitomi, por sua vez, foi cremado no último dia 27, após um conhecido da japonesa apresentar uma procuração para prosseguir com a cremação. Sem cerimônia ou cortejo, o procedimento foi acompanhado por três representantes da Embaixada do Japão no Brasil.


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