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O soldado britânico que poupou a vida de Hitler em 1918

Caso Henry Tandey tivesse atirado, nunca veríamos a ascensão do terrível ditador nazista

Joseane Pereira Publicado em 26/10/2019, às 06h00

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- Wikimedia Commons

No dia 28 de setembro de 1918, Henry Tandey, o soldado britânico mais condecorado da Primeira Guerra Mundial, esteve prestes a matar o jovem Adolf Hitler. Essa ocasião inusitada, narrada posteriormente pelo próprio ditador, poderia ter levado a História do século 20 a rumos um pouco diferentes.

Poupando um soldado alemão

Enquanto estavam combatendo no povoado de Marcoing, no front francês, os alemães acabaram recuando, pressionados pelo avanço britânico. Adolf Hitler ficou para trás, mancando e incapaz de se defender. Foi aí que ele se deparou com o soldado Tandey e sua arma.

“Por um instante, eles se olharam. O alemão, que era cabo, não levantou a arma. Ficou em pé, esperando a morte inevitável. Tandey levantou o rifle e apontou para matá-lo. Mas baixou a arma. Não podia atirar em um homem ferido. O cabo alemão, que tinha 29 anos, moveu a cabeça em sinal de agradecimento e se juntou às tropas que batiam em retirada”, afirma o jornalista Santiago Farrell em sua obra Tudo O Que Você Precisa Saber Sobre a Primeira Guerra Mundial.

Mais tarde, Hitler afirmou ter descoberto a identidade de seu salvador em uma pintura do artista italiano Fortunino Matania. "Aquele homem chegou tão perto de me matar que pensei que nunca mais voltaria a ver a Alemanha", disse ele posteriormente. "A providência me salvou de um fogo diabólico e preciso, quando aqueles meninos ingleses estavam mirando em nós".

Tandey com suas medalhas / Crédito: Alastair Kennedy-Rose

 

Entretanto, existem controvérsias sobre essa história. Segundo o Dr. David Johnson, que escreveu uma biografia sobre Tandey, Hitler teria inventado essa história para propagar ainda mais seus mitos de vitória e resistência. "Com sua autopercepção divina, a história foi acrescentada ao seu próprio mito - de que ele havia sido poupado de algo maior, de que de alguma forma foi escolhido", afirma Johnson.

O próprio Tandey, quando discutia esse evento, tomava muito cuidado com suas palavras. Embora reconhecesse ter poupado a vida de muitos inimigos, ele não se lembrava das feições de Hitler.

Entretanto, a questão que fica é: se o futuro Fuhrer tivesse morrido, a história do século 20 seria tão diferente assim? Enquanto uns, como o advogado de Hitler, Hans Frank, afirmaram que sem ele a Segunda Guerra sequer teria existido, outros relativizam o mito de que a história é feita por personagens. Os acontecimentos históricos, na verdade, ocorreriam dentro de um tempo específico que é transformado pelas pessoas, mas que também as transforma.

Então, é muito provável que, caso Hitler tivesse morrido em campo, outro soldado alemão frustrado teria se tornado um terrível ditador – e arrastado multidões com ele.


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