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Solidão e boatos destrutivos: a transtornada vida íntima da czarina Alexandra Feodorovna

A esposa de Nicolau II era moralista e religiosa, tendo como um dos poucos homens próximos o místico Rasputin

André Nogueira Publicado em 18/06/2020, às 09h55

Alexandra em imagem colorizada
Alexandra em imagem colorizada - Divulgação/Facebook/Klimbim

A czarina Alexandra Feodorovna foi uma personagem muito detestada nos bastidores da corte de Nicolau II. Conservadora, sisuda, pedante e moralista, ela nunca se acostumou com seus próximos e seu casamento nunca teve bases diplomáticas e políticas: foi um dos poucos casos de matrimônio por amor na aristocracia europeia.

Seu amor e moralismo influenciaram em muito sua vida íntima, marcada mais tarde pela conturbada amizade que tinha com o sacerdote Rasputin. Por se sentir atraída por Nicolau II e por ter uma visão estrita de casamento, suas relações sexuais se limitavam a ele, o que para ela já era suficiente. Não há indícios de que a vida erótica do casal era insatisfatória, e aparentemente eles eram bem ligados.

Verdadeiro amor

Os dois se tornaram noivos em 1894, casando-se em novembro do mesmo ano, depois que Nicolau II se tornou czar da Rússia. Eles já se conheciam há 10 anos e eram apaixonados entre si, tendo sido esse o primeiro relacionamento profundo da princesa, que na época era Alice de Hesse e Reno.

Alexandra / Crédito: Wikimedia Commons

 

 

Em suas relações pessoais, Alexandra era solitária. Detestada pela corte e pelo povo, foi vista como convencida e enfastiante. Com seu moralismo, criava atritos com outros nobres, considerando-os errados por “perdas morais” e pouca etiqueta. 

Ao mesmo tempo, a imperatriz nunca se esforçou para criar laços na corte russa. Ela não gostava de frequentar eventos da aristocracia, preferindo visitas aos parentes na Europa ocidental. No entanto, sua fama de casta e desanimada mudou depois que seu filho, Alexei, piorou diante dos sintomas da hemofilia.

Isso porque uma das pessoas que ajudou a aliviar as dores do filho fora o místico Grigory Rasputin, levado à corte para preencher a lacuna enxergada por Alexandra de representações religiosas no Palácio. Rasputin era um homem rude e com um estilo de vida decadente, bebia e prevaricava. Entretanto, suas ações pareciam fazer efeito em Alexei, e Alexandra se aproximou muito dele.

Rasputin / Crédito: Getty Images

 

Foi suficiente para que os boatos sobre a relação tomassem os corredores. Assim, o místico acabou sendo levado de volta à família na Sibéria, por ordens de Nicolau. Os rumores de que os dois tinham um caso e se relacionavam sexualmente eram cada vez mais frequentes.

Não há indícios concretos de que Rasputin e Alexandra tinham um caso, sendo todas as origens dessa ideia campanhas difamatórias contra Feodorovna. As pressões dela, que acreditava fielmente que o mago era o responsável pela melhora de Alexei, impediram que Nicolau expulsasse-o por muito tempo. Nas ruas, então, começaram diversos movimentos acusando Alexandra de adultério, com charges, narrativas, rumores e cartazes alegando imoralidade.

Rasputin era conhecido na Rússia por uma doutrina religiosa nada ortodoxa, baseada na ideia de que você deve ter contato com o pecado para redimir-se dele. Ou seja, em suas sessões particulares, ele se baseava no mais dogmático deles, o prazer carnal, e realizava atos altamente eróticos com várias mulheres.

A czarina como enfermeira na Primeira Guerra / Crédito: Wikimedia Commons

 

Por isso, sua moral era baixa entre religiosos e conservadores, e isso se estendeu à sua relação com a czarina. Por mais que isso não passe de boatos, até onde sabemos, muitos alegavam que essas práticas também ocorriam na cama do czar.

Durante a Primeira Guerra, Alexandra insistiu que Nicolau a permitisse ajudar na administração política do país, algo que não tinha nenhuma experiência. O resultado disso foi a deterioração ainda mais rápida do governo (o que culminou numa revolução, e ainda sua fuga, prisão, exílio no interior da Rússia e assassinato pelos bolcheviques, quando estava presa numa choupana em Ectarimburgo com a família). Nesse período, sua vida pessoal, já marcada pela solidão, ficou ainda mais caótica.


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