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Sopa de restos mortais: Kate Webster, a empregada assassina da era vitoriana

Webster cometia roubos, até que resolveu se vingar friamente de Julia Thomas em 1879

Vanessa Centamori Publicado em 06/04/2020, às 17h26

Divulgação
Divulgação - Kate Webster

Em uma casa bem simplória e humilde, nasceu Catherine Lawler, no ano de 1849, na Irlanda. A vida era difícil e sua família vivia na pobreza. Seus pais eram pessoas honestas e respeitáveis. Ela, por outro lado, ingressou na criminalidade desde muito cedo - já cometia pequenos furtos quando era apenas uma criança e assim seguiu a vida. 

Lawler cresceu e teve uma adolescência rebelde. Aos 15 anos de idade, conheceu a prisão irlandesa de Wexford. Após ser liberta, continuou roubando até que juntou dinheiro suficiente para se mudar para Liverpool, na Inglaterra, em 1867. 

Nova identidade

Lawler tinha reputação de ser uma enorme mentirosa. A moça até passou a contar a todos que havia se casado com um marinheiro. Ela dizia que havia tido quatro filhos com o homem, mas que ele e as crianças haviam morrido. 

Se realmente Lawler se casou e foi mãe, isso não é claro. Porém, o que se sabe com certeza é que ela mudou de nome e passou a responder pelo nome de Kate Webster. Muito provavelmente, a mudança ocorreu pois ela praticava muitos crimes - e foi sob sua nova designação que ela continuou praticando furtos em Liverpool. 

pRetrato de Kate Webster / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Até que em 1868 ela foi condenada a quatro anos de prisão. Acabou sendo solta em 1872, quando começou a fazer bicos como empregada doméstica. Porém, nem esse trabalho, que era digno, a distanciou da criminalidade. 

Enquanto trabalhava como faxineira, a moça costumava alugar quartos em pensões para vender todos os itens de valor que estivessem nas salas. Em 1875, mais uma vez, ela voltou à prisão, na qual teve que passar 18 meses por ter praticado 36 roubos. Após conseguir a liberdade, Webster voltou novamente ao encarceramento por furtos, em fevereiro de 1877. 

Um novo emprego 

Kate Webster conseguiu uma oportunidade para trabalhar como empregada doméstica para a viúva Julia Martha Thomas, em Richmond, na Inglaterra. Começou a limpar a casa da nova patroa em 29 de janeiro de 1879. O serviço seria prestado até o mês seguinte, mas Thomas optou por estendê-lo até o dia 2 de março daquele mesmo ano. 

A relação entre patroa e empregada logo começou a ficar conturbada. Em parte porque Thomas era conhecida por seu temperamento único e afogava Webster em um mar de críticas grosseiras. A empregada,por outro lado, não tinha comprometimento com o serviço e vivia indos em pubs e tomando bebidas alcóolicas. 

Da esquerda para a direita: Kate Webster ( a esquerda) e Julia Thomas ( direita) / Crédito: Wikimedia Commons 

 

O homicídio

Julia Martha Thomas não esperava que aquilo fosse acabar mal. No dia 2 de março de 1879, antes de ir à igreja, ela discutiu com a empregada, acusando a moça de estar bêbada. Quando voltou, foi jogada por Webster em um lance de escadas e rolou pela escada abaixo. 

Depois, a viúva foi estrangulada pela empregada, que finalizou o homicídio a esquartejando. “Eu cortei a cabeça dela, separando-a do corpo, com a ajuda de uma navalha, que eu usei para cortar a carne depois”, assumiu Webster durante uma confissão em tribunal. 

Sangue frio

Mesmo semanas após o assassinato, Webster seguiu sua vida normalmente, com a única diferença que a partir de então ela começou a usufruir da casa da falecida. Ela vestiu as roupas de Thomas e passou a morar na residência, assumindo a identidade da viúva. 

Mas aquilo levantou muitas suspeitas. Um dia, ela visitou os vizinhos vestindo um dos vestidos da falecida Sra.Thomas. A assassina disse que ela mesmo era a viúva e pediu ajuda para vender a casa dela. 

Ilustração da residência de Julia Thomas / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Outra vez, um homem foi até a residência para coletar móveis que Webster queria vender. O rapaz contou sobre aquilo a um vizinho desconfiado e a polícia acabou sendo alertada, enquanto que Kate Webster tentou fugir. 

Durante seu julgamento, a assassina disse que, após matar Thomas, ferveu a patroa em água, produzindo uma espécie de sopa macabra, composta de partes humanas. Os pedaços do cadáver, exceto a cabeça e um dos pés, foi então colocado em uma caixa e depositado no rio Tâmisa. 

Dias depois do homicídio, a caixa foi encontrada sob a Ponte de Barnes; logo depois, foi detectado o pé. Em julho de 1879, Kate Webster foi condenada à morte pela forca, mesmo sem a confirmação total dos restos mortais de Thomas, pois a cabeça não foi encontrada antes da finalização da sentença.

Representação da pena de morte aplicada à Kate Webster, que morreu na forca / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Somente em 2011, mais de um século após o homicídio, o crânio da Sra.Thomas foi finalmente detectado, por meio de uma análise de datação por carbono. O inspetor David Bolton, que examinou o caso, descobriu ainda uma outra revelação assustadora. 

“Alguns dias depois do assassinato, alguns garotos disseram que Kate Webster os oferecereu comida”, contou Bolton, ao jornal The Dail Mail. Segundo o investigador, a assassina teria dito que se tratava de uma sopa de banha de porco. “Eles comeram duas tigelas de banha, que era na verdade infelizmente a Sra.Thomas”, afirmou. 


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