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Sósias ditadoras: Dublês que se arriscaram por Stalin, Saddam Hussein e Fidel Castro

Atores passavam por treinamentos intensos para substituir líderes mundiais

Alana Sousa Publicado em 10/10/2019, às 19h00

Felix Dadaev e Josef Stalin
Felix Dadaev e Josef Stalin - Wikimedia Commons

Somos acostumados a ver dublês de corpos em diversas produções cinematográficas. Os principais atores presentes no mercado hoje usam dublê, seja pelos riscos que uma cena apresenta, ou a necessidade de uma específica habilidade física, a profissão é comum em nossa sociedade.

No entanto, muitas vezes essa área foi utilizada em situações da vida real. Ditadores e líderes mundiais escolheram atores para que os representassem por anos. A principal razão é o risco de um atentado. Pelo zelo de suas vidas, importantes personalidades optaram por confiar na performance de um profissional do ramo.

O caso mais recente envolve a política americana Hillary Clinton. Em 2016, boatos afirmam que ela havia usou uma dublê para ficar em seu lugar no Memorial de 11 de setembro, após a mesma se sentir mal e precisar se retirar da cerimônia. Outros rumores alegam que Hitler empregou um dublê para escapar da morte, ao longo da Segunda Guerra. Tais histórias nunca puderam ser confirmadas, mas existem outras que são de conhecimento público.

Fidel Castro sofreu com tentativas de homicídio durante a maior parte de sua vida. O cubano utilizava de sósias para se ausentar de locais que julgava serem arriscados. Assim como o ditador do Panamá, Manuel Noriega, mesmo não existindo fotos sabe-se que o militar também era adepto desta prática. As informações foram fornecidas por Joe R. Reeder, ex-subsecretário do Exército dos EUA, em entrevista, em 2001.

Felix Dadaev e Josef Stalin / Crédito: Wikimedia Commons

 

Stalin, líder a URSS, tinha um dublê que era conhecido como Rashid, o homem teria sido dispensado do exército pela sua semelhança com o ditador. Ao voltar para casa um agente da KGB o recrutou para que ficasse no lugar do soviético em reuniões e banquetes. Outra sósia muito conhecida do comunista era Felix Dadaev.

Felix sofreu um acidente quando lutava na Segunda Guerra, foi dado como morto para sua família e começou a prestar serviços para o governo soviético. A aparência dos dois impressiona por serem extremamente parecida. Em 2008, Dadaev contou que apenas uma coisa os diferia: suas orelhas. Segundo ele, essa parte de seu corpo era menor que a de Stalin. Mas esse detalhe não foi capaz de revelar sua identidade secreta para o público.

Apesar da incrível semelhança física, o dublê precisou estudar os gestos e tom de voz do comunista por vários meses. Ele afirmou ainda que só encontrou Stalin em uma ocasião — o político apenas acenou e lhe deu um sorriso.

O ditador iraquiano Saddam Hussein — e possivelmente seu filho, Uday Hussein — contratou dezenas de atores para que o substituísse. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald H. Rumsfeld, conta que quando finalmente capturaram Hussein os agentes tiveram dúvidas se haviam prendido a pessoa certa.

Os dublês do político levavam o serviço com seriedade absoluta. Ainda de acordo com Rumsfeld, os atores “usaram cirurgia plástica e poderiam muito bem ter feito tatuagens duplicadas, buracos de bala e várias coisas que faziam parecer que eram Saddam Hussein”.

Bernard Montgomery e Clifton James / Crédito: Wikimedia Commons

 

O general Bernard Montgomery, responsável pelo planejamento da invasão da Normandia no Dia D, foi representado pelo ator australiano Clifton James, que viajou pelo norte da África propagando planos falsos dos Aliados a fim de enganar espiões nazistas.

James usava uma prótese na mão, pois lhe faltava um dedo. Segundo sua biografia I Was Monty Double, sua atuação era tão convincente que havia planos nazistas para seu assassinato.