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Soyuz 11: a tragédia esquecida da União Soviética no espaço

Em uma missão quase perfeita, o episódio fúnebre emocionou os cidadãos soviéticos e colocou medo na NASA

Wallacy Ferrari Publicado em 24/05/2020, às 13h00 - Atualizado às 18h00

Os tripulantes da missão reunidos em fotografia
Os tripulantes da missão reunidos em fotografia - NASA

Em 6 de junho de 1971, a missão Soyuz 11 tinha a oportunidade de reerguer o programa especial soviético após missões fracassadas nos meses anteriores. A equipe original foi escolhida com cuidado para equilibrar as funções, porém, dias antes do lançamento, o engenheiro de voo Valeri Kubasov identificou um problema de saúde durante uma bateria de exames.

Após um raio-x apontar que o integrante estaria com tuberculose, pondo em risco a missão e os dois outros passageiros, a direção do projeto mudou toda a tripulação, escalando a equipe de apoio. O novo engenheiro de voo, Vladislav Volkov, realizava sua segunda missão, mas o comandante Georgy Dobrovolsky e o engenheiro de testes Viktor Patsayev eram novatos, sem outros voos espaciais.

Na data agendada, a nave estava pronta para ser lançada até a sonda Soyus 7K-KS, sendo atracada no dia seguinte com sucesso. Os cosmonautas se depararam com a sonda esfumaçada e com seus circuitos queimados, realizando a manutenção de seu sistema de ventilação. Com a correção, tudo estava certo para a realização da missão.

Selo comemorativo com os cosmonaustas da missão Soyuz 11 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em cima do céu

Nos 22 dias que seguiram, a missão passou por altos e baixos no espaço; diversos registros técnicos e observações foram notificados para a equipe terrestre do programa, realizando ligações e até transmissões televisivas direto da nave, ao vivo. As atualizações eram divulgadas pelo Pravda, jornal do Partido Comunista da URSS.

No décimo primeiro dia, um incêndio chegou a estourar na estação, colocando a vida dos passageiros em risco, porém, foi contida pelos membros. A esteira ergométrica instalada no veículo também causou instabilidade; sendo exigido duas vezes por dia, os cosmonautas relataram que a mesma causava uma perigosa vibração na nave. Apesar dos riscos, a preparação para a volta ocorria perfeitamente após a estadia no espaço.

De volta para minha Terra

Em 30 de junho, a reentrada parecia ter sido perfeita. A cápsula onde os passageiros se instalaram estava sem danos aparentes e com a escotilha travada, exatamente no local planejado para receber o foguete, no Cazaquistão. A surpresa, no entanto, foi quando a equipe de resgate bateu na parede do veículo, buscando resposta de dentro da nave, sem sucesso.

Quando a escotilha foi aberta, os homens foram encontrados sem vida, com os corpos sem lesões traumáticas. Com manchas azul-escuras no rosto e sangue nos narizes e ouvidos, estavam deitados e imóveis, ainda quentes. Os sinais apontavam que, durante o pouso, uma falha no funcionamento da nave acabou causando a fatalidade em segundos.

Uma válvula de respiração foi aberta durante a descida após um disparo de parafusos explosivos, usados para deslocar unidades do foguete. Porém, com o disparo, a vedação foi comprometida e a válvula não conseguiu proporcionar um ajuste correto da pressão na cabine, matando os passageiros por asfixia, ainda fora da Terra. Acredita-se que a cabine ficou com a pressão zerada por 15 minutos antes de entrar na órbita.

Seleção de imagens realizadas durante o resgate dos corpos dos cosmonautas / Crédito: Wikimedia Commons

 

A investigação e despedida

Com a retirada dos corpos, a causa da morte apropriada para os cosmonautas foi obtida após a autópsia, que especificou uma hemorragia nos vasos sanguíneos no cérebro dos membros, devido ao ambiente a vácuo, que fez o oxigênio e nitrogênio presentes em sua corrente sanguínea borbulharem. As funções motoras dos membros ficaram imobilizadas em aproximadamente 20 segundos.

A imprensa soviética não fez questão de divulgar a causa das mortes, enaltecendo os feitos feito durante a estadia espacial, além de erguer um memorial no local da queda. A ocultação da autópsia amedrontou a NASA, que chegou a especular várias causas, resultando em certo receio de realizar missões semelhantes.

Além de receberem um selo comemorativo em homenagem aos serviços prestados, os cosmonautas foram enterrados na Necrópole do Muro de Kremlin, na Praça Vermelha, e receberam uma medalha póstuma de Herói da União Soviética durante um grande funeral de Estado, acompanhado por milhares de populares.


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