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Stargate, o projeto de controle da mente e telepatia da CIA que intrigou o mundo

Parece até ficção, mas o governo americano queria recrutar pessoas com poderes sobrenaturais durante a Guerra Fria

Vanessa Centamori Publicado em 18/05/2020, às 17h30

Cena da série Stranger Things
Cena da série Stranger Things - Divulgação

Previsão do futuro. Telepatia. Clarividência. Controle de mentes. Imagine essas habilidades sobrenaturais dentro de um batalhão, composto por soldados com todo tipo de talento psíquico possível. Um enredo e tanto para um filme de herói da Marvel, não é?

Mas e se na verdade esse exército fizesse parte da realidade? Surpreendentemente, foi isso que planejava a CIA na década de 1970, com o Projeto Stargate, segundo documentos da própria agência de inteligência. Em uma das empreitadas do programa, militares dos EUA queriam saber o que os russos estavam construindo num galpão, no ano de 1977. 

Na ocasião, satélites americanos haviam detectado o depósito em algum lugar no norte da antiga União Soviética, deixando a agência de inteligência intrigada. Foi aí que resolveram chamar um dos recrutas que mais havia se saído bem no Projeto Stargate. O especialista, com o suposto dom de “visão remota”, se chamava Joseph McMoneagle.

Só de ver a foto do galpão soviético, McMoneagle teria enxergado com seu poder sobrenatural que as tropas da URSS construíam um submarino. Aquilo pareceu absurdo, já que a construção ficava a quase um quilômetro da água - um péssimo lugar para construir uma embarcação.

 Joseph McMoneagle, que esteve envolvido em operações de visualização remota/ Crédito: Divulgação 

 

Mas, o recruta paranormal estava de alguma forma certo. Quatro meses depois, realmente, um submarino saiu de lá. Os possíveis poderes de McMoneagle então foram usados pelo governo americano em mais 450 missões. Ele chegou até a ajudar o exército a localizar reféns no Irã. E também apontou à CIA um rádio escondido na calculadora de bolso de um agente soviético suspeito da KGB, capturado na África do Sul.

Segundo a autora Annie Jacobsen, que escreveu o livro Phenomena: The Secret History of the Government Investigations on Perception Extrasensory and Psychokinesis, documentos desclassificados mostraram ainda que os analistas da CIA queriam as habilidades de Geller na área de “projeção da mente”, para garantir segurança nacional.

Foto mostra como eram feitas as avaliações do projeto Stargate / Crédito: Divulgação 

 

Recrutamento 

Para selecionar supostos agentes paranormais como Joseph McMoneagle, para participar do Projeto Stargate, o governo americano teve ajuda de cientistas da Universidade de Stanford, que fizeram testes ao longo de 20 anos. Os investimentos nas pesquisas custaram, ao todo, US$ 20 milhões.

Os físicos Russell Targ e Harold Puthoff começaram a testar médiuns e ocultistas em 1972. Os experimentos eram bem simples. Um deles consistia em pedir que o indivíduo adivinhasse que carta de baralho estava escondida na mão do examinador. Os sujeitos que mais acertavam os testes passavam por mais etapas até que sobrasse apenas um grupo de pessoas que realmente teria um sexto sentido. 

Um dos indivíduos testados para o Stargate foi o ocultista Uri Geller, que ficou famoso por se autoproclamar como paranormal em programas de televisão. Ele supostamente conseguia mover talheres com a mente e controlar pessoas com seu poder mental. O israelense, naturalizado britânico, foi submetido aos experimentos em 1973. 

Ingo Swann, conhecido nos anos 1970 por dobrar talheres com seu suposto poder da mente / Crédito: Divulgação 

 

Segundo a BBC, há registro de que no exame o ocultista reproduziu figuras que foram desenhadas por outras pessoas em uma sala separada de onde ele estava. A precisão das adivinhações variava, mas os pesquisadores escreveram que Geller "demonstrou sua habilidade perceptiva paranormal de uma forma convincente e sem ambiguidade".

Funcionamento 

Ao longo de seu desenvolvimento, o programa de investigação de fenômenos psíquicos recebeu vários codinomes - GONDOLA WISH, GRILL CHAME, CENTRE LANE, SUN STREAK, SCANATE - até 1991, quando consolidou seu nome original, Projeto Stargate. 

O foco do empreendimento era a visualização remota, que permitia supostamente ver um objeto, pessoa, ou lugar a grande distância, por meio de uma experiência extracorpórea. O local visitado nem precisava ser a Terra, mas podia ser um planeta distante. 

Figuras desenhadas por Uri Geller, que teria realizado a adivinhação com seus poderes psíquicos / Crédito: Divulgação / CIA 

 

Ingo Swann - um dos membros mais ilustres do Stargate - teria visto os anéis em torno de Saturno antes mesmo de serem descobertos pela NASA. Além dessa visão, outros visualizadores remotos terrestres teriam localizado reféns sequestrados por grupos terroristas islâmicos e encontrado criminosos fugitivos nos Estados Unidos. 

Mas nem sempre os agentes psíquicos da Stargate tinham sucesso em suas premonições malucas. Por isso, funcionários da CIA escreveram que seus visualizadores remotos deviam ser usados ​​apenas para coletar informações em conjunto com outras fontes. Ou seja, os dados provenientes dos dons psíquicos não eram interpretados isoladamente.

Imagem ilustrativa de documento secreto / Crédito: Divulgação / Youtube 

 

Vazamento

Em 2017, foram disponibilizados pela CIA 13 milhões de documentos secretos, após muita pressão por parte de defensores das leis de liberdade de informação. Entre os registros estavam vários avistamentos de OVNIS e informações do Projeto Stargate.

Um glossário do programa incluía vários dos principais termos usados ​​por aqueles dentro do projeto. Entre eles estava a ação psicoenergética, nome que descreve o processo de receber, comunicar ou alterar características de algo ou alguém que se separa dessa pessoa no espaço ou no tempo. 

Esse e todos os outros dons investigados pelo Stargate pararam de serem estudados em 1995, quando a existência do programa deixou de ser secreta e o governo Clinton pôs fim às missões. Boa parte das informações foi liberada naquele ano de modo difícil de ser acessado, nos fundos de uma biblioteca nos Arquivos Nacionais, em Maryland.

Quando os dados finalmente se tornaram fáceis de serem lidos universalmente, em qualquer computador, a descoberta de que na Guerra Fria os EUA realmente investiram no mundo paranormal deu o que falar. 


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