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Stella Kübler-Isaacksohn, a judia que entregava seus iguais para a Gestapo

Em troca de recompensas e proteção da família, Stella denunciava os judeus escondidos em Berlim. Entretanto, não escapou do Karma

André Nogueira Publicado em 27/09/2019, às 11h08

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- Wikimedia Commons

Stella Kübler-Isaacksohn foi uma judia que viveu no Reich e colaborou com informações e delações de judeus de Berlim para a Gestapo. Nascida e criada na capital alemã, ela era filha única de uma família classe média e acabou sendo proibida de frequentar a escola com a ascensão de Hitler em 1933.

Então, ela integrou mais à comunidade judaica, pois mudou para a Escola Goldschmidt, regida internamente pelos judeus da região. Lá, ficou conhecida pela beleza e pela vivacidade.

Com o início dos expurgos, sua família começou a passar por situações desesperadoras. Seu pai perdeu o emprego e, junto à mãe, tentou arranjar vistos para saírem da Alemanha, sem sucesso. Stella, então, focou na complementação de seus estudos, entrando na Escola de Arte Aplicada de Nürnbergerstraße. Em 1941, se casou com um músico.

Stella e dois outros Apanhadores / Crédito: Reprodução

 

Stella e o marido se conheceram numa fábrica onde trabalhavam compulsoriamente, em Berlim. Em pouo tempo, começaram os esforços de deslocamento dos judeus para fora da capital, tendo os campos como destino final. Então, Stella começou sua jornada pelos subúrbios da cidade, conseguindo, inicialmente, transitar pela cidade devido seus cabelos loiros e documentos falsos.

Em 1943, ela foi capturada pelos nazistas junto à família e acabou sendo submetida a sessões de tortura. Para impedir a deportação ou a morte dos familiares, aceitou o papel de ser uma Apanhadora, ou seja, uma colaboradora da Gestapo na caça de judeus que se passavam por cidadãos alemães, conhecidos como Submersos (untergetauchter).

Ela passou a receber um salário de 300 marcos para cada judeu delatado. Por isso, a X-9 passou a circundar as ruas de Berlim atrás de submersos. Por estar integrada na comunidade, Stella conseguiu fazer muitas denúncias contra ex-colegas.

Há muitas controvérsias em relação ao número de judeus denunciados por Stella Kübler. Existem dados apontando que foram 600 presos pela Gestapo, mas podem ter sido até mesmo 3.000. Os nazistas a conheciam como Veneno Loiro, pela maneira como sua beleza e cara de ariana a ajudavam na caça aos judeus.

Kübler em inquérito em 1946 / Crédito: Reprodução

 

Mesmo com a colaboração de Kübler, os nazistas mataram sua família no campo de Theresienstadt. Depois, deportaram seu marido, que foi levado para Auschwitz. Mesmo assim, ela manteve seu papel na Gestapo até março de 1945. No fim da guerra, se escondeu, mas logo foi encontrada pelos soviéticos e presa.

Depois de liberada, mudou-se para Berlim Ocidental, mas rapidamente foi processada e julgada novamente, condenada a dez anos de prisão (mas ficou menos, pelo tempo que cumpriu no campo de prisioneiros soviético). Depois disso, Kübler, de acordo com Irving Abrahamson, "se converteu ao cristianismo e se tornou uma antissemita aberta".