Matérias » Brasil

Sufrágio brasileiro: Há 88 anos, as mulheres conquistavam o direito ao voto

Inspiradas pelos movimentos feministas nos Estados Unidos e na Inglaterra, as brasileiras lutaram durante muito tempo pela igualdade

Redação Publicado em 24/02/2020, às 08h00

As primeiras eleitoras brasileiras em Natal, no Rio Grande do Norte
As primeiras eleitoras brasileiras em Natal, no Rio Grande do Norte - Wikimedia Commons

Nos Estados Unidos, as primeiras eleições com a participação das mulheres ocorreram em 1920 — mais de 50 anos depois de os escravos libertos adquirirem o direito de votar. Na Inglaterra, o Parlamento aprovou o voto feminino em 1928.

No Brasil, as coisas andaram um pouco mais devagar. A discussão sobre o voto feminino chegou ao Congresso Nacional pela primeira vez em 1891. Influenciados pelo movimento das americanas e inglesas, alguns deputados propuseram estender o direito de voto às mulheres que possuíssem diploma de curso superior e não estivessem sob a custódia do pai.

O resultado foi desastroso: os congressistas consideraram a emenda “anárquica”. Entre seus argumentos: a inferioridade da mulher e o perigo de dissolução da família. 

O movimento decisivo para a conquista do voto pelas brasileiras chegou na bagagem da bióloga Bertha Lutz, que voltava de uma temporada de estudos em Paris, em 1919. De lá, Bertha trouxe os ideais sufragistas e não tardou para organizá-los por aqui: aliando- se à militante anarquista Maria Lacerda de Moura, Bertha fundou a Liga pela Emancipação Intelectual da Mulher, que, em 1922, passou a se chamar Federação pelo Progresso Feminino.

Crédito: WIkimedia Commons

 

Esse foi um período de intenso intercâmbio entre as sufragistas inglesas, americanas e brasileiras. “Intermediadas por Bertha Lutz, elas tinham muita comunicação entre si. As americanas vinham apoiar a luta das brasileiras e vice-versa”, afirma a socióloga Eva Blay, da Universidade de São Paulo.

Em 1927, o Rio Grande do Norte incluiu em sua Constituição um artigo permitindo o voto feminino, que fez a mobilização se intensificar ainda mais. Mas esse direito foi estendido para todo o país somente em 1932, com um decreto-lei aprovado pelo então presidente Getúlio Vargas.

Foi o fim de uma guerra de séculos, vencida lentamente, passo a passo. Para chegarem à vitória, as mulheres usaram estratégias que pediam uma astúcia fora do controle das regras masculinas. E é exatamente assim que elas costumam conseguir deles tudo o que querem — em todas as esferas da vida.


+ Saiba mais sobre o sufrágio por meio das obras a seguir:

O voto feminino no Brasil, Teresa Cristina de Novaes Marques (2018) - https://amzn.to/2Pu37B5

As sufragistas (DVD) - https://amzn.to/2v5jPQ4

Mulher Deve Votar?: o Código Eleitoral de 1932 e a Conquista do Sufrágio Feminino Através das Páginas dos Jornais Correio da Manhã e A Noite, Monica Karawejczyk (2019) - https://amzn.to/37OwjsG

O Segundo Eleitorado: Tendências do Voto Feminino no Brasil, Lucia Avelar (1989) - https://amzn.to/2T7sclY

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, assinantes Amazon Prime recebem os produtos com mais rapidez e frete grátis, e a revista Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.