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Sujit Kumar, o jovem que acreditava ser uma galinha

Traumas e maus-tratos levaram o órfão a viver por seis anos em um galinheiro no arquipélago de Fiji, na Oceania

Vanessa Centamori Publicado em 05/07/2020, às 08h00

Sujit Kumar
Sujit Kumar - Divulgação/Facebook/Programa Australian Story

Não se sabe ao certo o grau de abuso que Sujit Kumar teve de enfrentar na infância. A única certeza é que ele viveu em condições desumanas — primeiro, nas mãos cruéis do avô e depois, sob a tutela irresponsável de uma casa de repouso.

Todavia, o que chocou mais foi a primeira tortura, que o fez acreditar que ele era uma galinha. Foram 6 anos em um galinheiro, ao lado de aves domésticas, em um remoto vilarejo no interior de Fiji, na Oceania. 

Trauma e vida caipira 

Sujit Kumar perdeu os pais quando ainda era uma criança naquele lugar pacato. A mãe tirou a própria vida e o pai foi morto em seguida. Ele então ficou a cargo dos avós e seu avô o submeteu à uma rotina cruel, colocando o garoto em um galinheiro, no andar debaixo da casa. 

O menino então passou a acreditar que era apenas uma ave de criação. Embora não haja grandes detalhes sobre como ele vivia, os traumas analisados mais tarde por psicólogos americanos mostraram que ele comia apenas bicando o chão, arranhava a terra e se comunicava por meio de ruídos.

Certo dia, Kumar foi visto ciscando em uma estrada, como uma galinha. Aquilo chamou a atenção de agentes sociais, que o acolheram e reuniram parte de seu passado. Todavia, o garoto acabou sendo encaminhado para uma instituição de repouso, chamada Casa do Povo de Samabula. 

No entanto, por demonstrar comportamento agressivo, ele passava 24h por dia praticamente amarrado à uma cama, na instituição em Fiji. Passaram 22 anos nos quais Kumar ficou nessa situação de descaso. Somente no fim de 2002 ele foi libertado e passou por sessões de terapia. 

 Sujit Kumar e a cuidadora Elizabeth Clayton/Crédito: Divulgação/Facebook/Programa Australian Story

 

O resgate final ocorreu em 2002, graças à organização de serviços humanitários Rotary Clube. Fez parte da empreitada uma mulher viúva de um escalador do Everest, chamada Elizabeth Clayton. Na ocasião, a comitiva de Clayton vinha apenas para doar mesas de plástico, mas, ao descobrirem o menino, tiveram que fazer algo. 

Conforme informou o portal Terra, a voluntária jamais se esqueceu da primeira vez que olhou para Sujit Kumar. “Ele estava tão debilitado e maltratado. Apanhou no rosto e tinha os dedos inchados, além dos dentes e o nariz quebrados. Quando o vi, eu não sabia se era uma criança ou um homem. Sua aparência era decrépita. A barba estava longa e as pessoas pensavam que ele era selvagem", relatou. 

Sensibilizada pelo sofrimento do jovem, Clayton estava certa de que não podia simplesmente virar as costas. Começou a frequentar mais vezes a casa de repouso, até que decidiu levar o garoto para morar na casa dela.

No começo, foi bem difícil. “Ele ‘bicava’ a parede e coisas assim. Sujit também não conseguia dormir na cama; então, se levantava e se empoleirava na cadeira, por exemplo”, lembrou a mulher. 

Com o passar do tempo, o rapaz seguiu tendo comportamentos incomuns e as vezes agressivos, mordendo e arranhando a mãe adotiva. Em 2013, data da entrevista ao Terra, Clayton desabafou dizendo que desejava que ele conseguisse falar e manter hábitos pessoais, como escovar os dentes e ir ao banheiro sozinho. 

A mulher tinha se mudado com Kumar para a Austrália, onde ele passava por consultas com vários especialistas — de professores, neurologistas a fonoaudiólogos. Apesar da dedicação da tutora, o governo de Fiji certa vez chegou a tirar a guarda do jovem das mãos dela, mas após entrar no tribunal com um recurso, a voluntária conseguiu o rapaz de volta. 

Já com mais de 40 anos de idade, Sujit Kamar não consegue falar, apenas se comunicar por meio de gestos. Em sua homenagem, a tutora dele criou uma organização beneficiente de ajuda a crianças com vulnerabilidade social em Fuji, chamada The Happy Home Trust. 

Vez ou outra, o homem ainda sacode a cabeça e cisca como uma galinha. Mas isso é algo que ele ainda está tentando corrigir. Além disso, surgiu uma explicação para a rejeição que levou Kamar a ser tratado como uma galinha na infância.

Ele foi diagnosticado posteriormente com epilepsia, condição cujos sintomas foram encarados como algo negativo com base em lendas locais de Fiji. "Por causa das crises, os familiares pensaram que era um espírito demoníaco e daí quiseram se livrar dele", contou o primo, Bob Kumar.


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