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Susan B. Anthony: a sufragista que teve sua luta reconhecida 148 anos depois

Quando o sufrágio feminino era considerado ilegal, a ativista foi presa em 1872 por ser a primeira mulher a votar — E, somente hoje, 19, foi anunciado que ela recebeu um indulto presidencial nos EUA

Vanessa Centamori Publicado em 19/08/2020, às 12h32

Retrato de Susan B. Anthony na juventude
Retrato de Susan B. Anthony na juventude - Wikimedia Commons

No século 19, uma mulher era presa em Rochester, Nova York, por exercer uma atitude que hoje é um ato básico de cidadania: Susan B. Anthony teve a ousadia de votar, naquele memorável ano de 1872.

E, com isso, ela se tornou, na prática, a primeira mulher a realizar sufrágio na história dos Estados Unidos. Porém, também foi considerada uma criminosa por votar ilegalmente — direito que era reservado, até então, aos homens.

Acontecimento moderno

Essa saga de machismo ganhou justamente hoje, 19, um novo capítulo tardio de uma tentativa de reparação histórica (se é que isso é possível). Acontece que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que "perdoou" a sufragista americana pelo episódio que ocorreu há 148 anos.

A ação foi efetivada pelo estadista ao assinar uma proclamação marcando o 100º aniversário da ratificação da 19ª Emenda. Essa, por sua vez, concedeu às mulheres o direito de voto —e também é chamada de emenda Susan B. Anthony.

Em comunicado, a secretaria de imprensa da Casa Branca disse que a "concessão de clemência total reconhece e presta homenagem à defesa, perseverança e liderança de uma mulher verdadeiramente notável e uma heroína americana".

Completa ainda que "Susan B. Anthony é um ícone americano que inspirou milhões de mulheres em todo o país por meio de sua defesa e realizações". Vale lembrar, porém, que essa retomada de Trump foi vista também como uma a estratégia eleitoral, em tempos em que as pesquisas de opinião dizem que o eleitorado feminino prefere o ex-vice-presidente Joe Biden para as eleições de novembro. 

Susan B. Anthony mais velha / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mas, afinal, quem foi Susan B. Anthony?

A ativista americana nasceu em uma família religiosa em 15 de fevereiro de 1820, em Adams, Massachusetts. Ela era a segunda filha de um total de oito filhos. Apenas cinco dos sete irmãos de Anthony viveram até a idade adulta, sendo que uma das crianças nasceu morta e outra morreu aos dois anos.

O pai dela, Daniel Anthony, era dono de uma fábrica de algodão e a mãe se chamava Lucy Read. Ambos educaram muito bem os filhos, contratando os melhores professores da região para dar aulas em casa. Desde cedo, Susan trabalhava em causas sociais. 

Quando a garota tinha 6 anos de idade, a família se mudou para Battenville, Nova York. Nesse período, ela foi enviada para uma escola religiosa Quaker perto da Filadélfia. Mas, em 1830, quando o negócio do pai dela faliu, Anthony voltou para trabalhar e ajudar na sobrevivência dos pais e irmãos. 

Então, começou a dar aulas para se sustentar. A seguir, na década de 1840, os Anthonys se mudaram novamente, mas, dessa vez, para uma fazenda na área de Rochester, Nova York.

Susan B.Anthony com várias ativistas pelos direitos das mulheres / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Movimentos sociais 

Susan B. Anthony se mudou mais tarde para a vila de Canajoharie, em Nova York, assumindo papel de diretora da Academia Canajoharie. Ao deixar o cargo em 1849, voltou-se ao movimento de temperança, ligado à interrupção absoluta da produção e venda de álcool. 

Foi assim, durante a campanha contra o álcool, que Anthony se voltou aos direitos das mulheres. Como reflexo, Susan começou a trocar as suas roupas mais simples e religiosas por vestidos exuberantes e da moda. 

Em 1851, ela participou de uma conferência anti-escravidão, onde conheceu Elizabeth Cady Stanton, com quem, mais tarde, abriu várias associações de apoio a causas feministas e abolicionistas. Em 1869, as duas se uniram a várias mulheres de importância e fundaram a National Woman Suffrage Association, que se focava na questão do sufrágio feminino. 

A ativista nunca se casou ou teve filhos, mas viajou muito, fazendo campanha em nome das mulheres. Depois de votar nas eleições presidenciais de 1872, a icônica dama enfrentou um júri formado apenas por homens. Considerada culpada, foi multada em em US$ 100 — quantia que ela nunca pagou, como forma de protesto. 

Mesmo após ser presa, nos seus últimos anos jamais desistiu do voto feminino, organizando muitos protestos. Mas, jamais veria em vida as mulheres finalmente votarem. Morreu aos 86 anos, em 1906, antes da assinatura da 19ª emenda, em 18 de agosto de 1920.

Dólar americano com a imagem de Susan B. Anthony / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Controvérsias

Apesar da importante luta defendida pela sufragista, ela também é criticada por algumas pessoas por supostamente ter teóricas racistas, principalmente em relação a homens negros.

Por exemplo, Susan chegou a protestar contra a 14ª emenda, que garantiu proteção igual para os negros, mas não permitiu voto às mulheres. “Vou cortar meu braço direito antes de trabalhar ou exigir o voto para o negro e não para a mulher”, disse Anthony, na época.

Outra questão controversa é que, hoje em dia, ela é tida como ícone para ativistas anti-aborto. Mas vale ressaltar que a posição de Susan B. Anthony para essa questão não é clara: o movimento atual usa um artigo anônimo, que eles atribuem à ativista. O texto faz parte de um jornal sufragista que Anthony editava, chamado The Revolution, segundo a Exame

Apesar das controvérsias, em 1979, a ativista se tornou a primeira mulher a ser retratada em uma moeda de um dólar americano. Além disso, grande parte do progresso posterior à sua morte com relação ao voto para as mulheres é atribuído à ela. 

"É uma verdadeira zombaria falar às mulheres sobre o gozo das bênçãos da liberdade enquanto lhes é negado o uso do único meio de protegê-las fornecido por este governo republicano democrático", proclamava Anthony, em um discurso proferido um ano após a sua revoltante prisão. 


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