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T-34: O grande trunfo da União Soviética

Rápido, fortemente blindado e com enorme poder de fogo, o tanque soviético surpreendeu os invasores, melhor que tudo o que eles tinham então

quarta 30 maio, 2018
 T-34: arma soviética destruidora
T-34: arma soviética destruidora Foto:Shutterstock

Quando Hitler rasgou o acordo Molotov-Ribbentrop e invadiu a União Soviética, em junho de 1941, o Exército alemão encontrou um obstáculo inesperado. Preparados para os obsoletos tanques T-26 ou algum da série BT - que podiam abater facilmente -, eles acharam um tanque vastamente superior aos que traziam.

Rápido, fortemente blindado, robusto e com poder de fogo nunca visto, deixou um rastro de destruição e morte contra os Panzer I a IV alemães. Algo que o marechal Paul Ludwig Ewald von Kleist chamaria de “o melhor tanque do mundo”. O T-34 seria o mais produzido e, dada a magnitude do Front Oriental, quase certamente o mais importante da Segunda Guerra.

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Criado pelo engenheiro soviético Mikhail Koshkin, o T-34 surgiu da experiência da União Soviética contra os japoneses na Batalha de Khalkhin Gol, em 1939, o esquecido maior confronto de tanques já visto. A ideia de Koshkin era unir a rapidez de um tanque leve com a blindagem e o poder de fogo de um pesado. Conseguiu. O protótipo A-32 veio em 1939. A produção começou um anos depois, sob o nome T-34.

T-34 soviético Wikimedia Commons

Ultrassecreto, pegou os alemães despreparados. Para a época, o T-34 era revolucionário, e a Wehrmacht capturou e usou alguns contra seus criadores, para depois copiá-lo no Panther, de 1943. Até 1944, vieram cinco modelos. O último, T-34-85, tinha maior poder de fogo, blindagem e levava mais oficiais. O T-34 foi a principal arma soviética na Segunda Guerra e seguiu com o Exército Vermelho até 1947, quando vieram os novos T-54 e T-55.

Após a Segunda Guerra, foi exportado para Coreia do Norte, China e outros aliados. A produção parou em 1958, mas até 2010 era possível achar o T-34 no arsenal bélico de países como Cuba, Iêmen e Vietnã.

Veja só o infográfico:

1. Tripulação

No primeiro modelo, eram quatro: piloto, operador de rádio, carregador de munições e o comandante, que também operava o canhão. No segundo, o canhão ficou por conta de um canhoneiro especializado, e o comandante passou a exclusivamente dar ordens.

2. Poder de fogo

O canhão de 76,2 mm dava aos primeiros modelos do T-34 um poder de fogo considerável para a época. O canhão F-34  era capaz de disparar projéteis que penetravam blindagens de 92 mm a 500 metros de distância. Era o suficiente para acabar com o Panzer III e o Panzer IV, ambos com apenas 50 ou 60 mm de blindagem frontal. Em 1944, com a reação dos alemães criando novos modelos, a arma deixou de ser suficiente. Os soviéticos desenvolveram o modelo T-34-85, munido de um canhão de 85 mm, o ZiS-S-53.

3. Blindagem revolucionária

Uma das maiores inovações do T-34 foi a blindagem angulada. Isso fazia com que os projéteis simplesmente ricocheteassem se o tiro não fosse num ângulo perfeito. Dava uma maior proteção do que as blindagens convencionais de tanques, como o alemão Panzer IV. Os canhões antitanques 37 mm Pak 36 e de 50 mm Pak 38 eram incapazes de penetrar sua armadura. A blindagem angulada também contribui para a diminuição do peso do veículo ao reduzir a sua superfície. É um elemento obrigatório em todo tanque produzido desde então.

4. Mobilidade

Com suas lagartas extralargas e o motor modelo Kharkiv V2-34, de 500 cavalos, neve e lama eram incapazes de parar o T-34, que podia atingir 53 km/h. Os panzers alemães frequentemente ficavam atolados no caminho.

Thiago Lincolins


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