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Há 122 anos nascia Tatiana Romanov, filha do último czar da Rússia

Filha do czar Nicolau II e da tsarina Alexandra, Tatiana era a segunda mais velha de cinco irmãos. Assim como a sua família, ela teve um final sangrento no porão de uma casa desolada

Redação Publicado em 10/06/2019, às 09h32

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Reprodução

No dia 10 de junho de 1897, em um dos palácios mais requintados do mundo, nascia Tatiana Romanov. Filha do czar Nicolau II e da tsarina Alexandra. Tatiana era a segunda mais velha dos cinco filhos do casal, moça elegante e gentil que encontrou seu final sangrento no porão de uma casa desolada na Sibéria.

Embora não seja tão lembrada como sua irmã caçula Anastasia, Tatiana Romanov era reconhecida como a mais régia de todas as filhas do czar. Mas seu ar majestoso e imperial, assim como a imponência de seus irmãos, pareciam não ter mais lugar na Rússia pré-revolução.

A Jovem Governanta

Quando Tatiana Romanov veio ao mundo, no Palácio de Peterhof, em São Petersburgo, a Rússia estava em seu limite. Os governantes Romanov, ao contrário das monarquias da Europa Ocidental cujo papel se tornara simbólico, exerciam um poder absoluto sobre seu país com o orgulho de manter as tradições.

A mãe de Tatiana, a tsarina Alexandra, era neta da Rainha Vitória do Reino Unido, e seu pai Nicolau II talvez fosse o chefe de estado mais poderoso do mundo. Além de Tatiana, o casal régio tinha outras quatro crianças: Olga, Maria, Anastásia e Alexei.

Embora fossem as crianças mais ricas de toda a Rússia, Tatiana Romanov e seus irmãos foram criados de forma relativamente severa. Todas as manhãs os irmãos tomavam banhos frios, e seus leitos, fabricados por eles mesmos, eram relativamente simples.

Família Romanov / Créditos: Reprodução

 

Entretanto, um dos integrantes da família exigia maior cuidado. Alexei, o filho mais novo e herdeiro do trono, sofria de uma grave doença herdada de sua avó materna: a hemofilia. A menor contusão poderia levá-lo a hemorragias que durariam dias.

Rasputin: salvação e condenação

Quem mais sofria com a doença de Alexei era a imperatriz Alexandra, que passou a ter crises histéricas por conta do garoto. Em 1905, os Romanov, desestruturados internamente, encontraram o místico Grigori Rasputin - que se tornou indispensável pela misteriosa capacidade de parar os sangramentos de Alexei. Se o homem realmente tinha poderes mágicos ou se as rezas simplesmente acalmavam o menino e sua mãe, estancando o sangue rapidamente, ninguém sabe.

Embora Tatiana e suas irmãs se referissem ao camponês siberiano como “nosso amigo”, fora da família imperial Rasputin era visto com desconfiança. Circulavam rumores de que ele havia seduzido a imperatriz e suas filhas, e que o poder do país estava em suas mãos.

Alexandra com Rasputin, crianças e a governanta / Créditos: Reprodução

 

Guerra e revolução

Enquanto a família real eram encuraladas em seus problemas, os ideais marxistas pediam o fim da monarquia. E o mundo se dirigia para a Primeira Guerra Mundial.

Em 20 de julho de 1914, dia que Tatiana descreveu em seu diário como “absolutamente maravilhoso”, o czar declarou guerra à Alemanha para uma animada multidão em São Petersburgo.

Alexandra, Olga e Tatiana passaram a treinar como enfermeiras de guerra na Cruz Vermelha Russa. Tatiana, com seu espírito de liderança, criou um comitê para ajudar os refugiados e administrava diariamente a documentação hospitalar. Embora um pouco mandona, a jovem lidava com as mais desagradáveis operações de forma eficiente.

Em 1916, Rasputin foi assassinado pelos próprios parentes da família real. Nicolau II perdia cada vez mais poder, e em fevereiro de 1917, com o estouro da Revolução Russa, sua família foi mandada para o exílio.

A morte e o legado de Tatiana Romanov

A antiga família imperial foi enviada para a Sibéria, mantidos em uma casa particular em Tobolsk com alguns criados e damas de companhia.

Em abril de 1918, a família foi aprisionada na insólita "Casa de Propósito Específico", da qual nunca mais voltaram. Na madrugada de 17 de julho, os Romanov foram convocados para o porão e leram uma sentença de morte antes que seus captores começassem a atirar.

O trabalho foi feito de maneira desleixada. Os guardas estava bêbados e as grã-duquesas, sem o conhecimento dos bolcheviques, haviam costurado jóias em seus espartilhos como precaução, que serviu como uma armadura inesperada contra as balas.

Após a primeira rodada de disparos, apenas Nicholas e Alexandra estavam mortos. Os guardas contornaram a sala com pistolas e baionetas para terminar o trabalho e a curta vida de Tatiana Romanov, de 21 anos, acabou quando foi baleada na parte de trás da cabeça, borrifando Olga, a quem estava se agarrando, com uma "chuva de sangue e cérebro".

Os corpos de Tatiana e sua família foram apressadamente queimados e enterrados, e o segredo foi encoberto pela Cortina de Ferro por décadas.

Histórias da possível sobrevivência de Tatiana passaram a surgir durante os anos. Mas em 2008, um teste de DNA provou que os corpos desenterrados nas florestas da Sibéria eram de toda a família imperial. Tanto Anastasia quanto Tatiana Romanov haviam de fato morrido, naquele período sombrio da história da Rússia.