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Tatuador e assassino em série: o insano caso de Febrônio Índio do Brasil

Durante anos, o serial killer cometeu diversos crimes hediondos no Rio de Janeiro pensando que essa era a sua missão de vida

Pamela Malva Publicado em 14/01/2021, às 20h00

Fotografia de Febrônio Índio do Brasil
Fotografia de Febrônio Índio do Brasil - Wikimedia Commons

Em diversos casos de serial killers, é comum encontrar uma atitude reproduzida pelos assassinos. A fim de despistar a polícia e dificultar sua identificação, os criminosos costumam evitar quaisquer pistas na cena do crime, como digitais, roupas ou marcas.

Com Febrônio Índio do Brasil, no entanto, as coisas eram um pouco diferentes. Acreditando ter um papel maior no mundo, o homem não apenas abusava e matava suas vítimas, como ainda tatuava uma sigla em seus peitos.

Natural de São Miguel de Jequitinhonha, em Minas Gerais, o criminoso teve uma infância conturbada e acabou aterrorizando o Brasil quando seus delitos foram descobertos. Há quem diga, no entanto, que ele ficou livre por mais tempo que deveria.

Fotografia de Febrônio Índio do Brasil em uma de suas muitas reclusões / Crédito: Divulgação

 

Um menino perturbado

Nascido em 1895, Febrônio Ferreira de Mattos era o segundo filho dos 14 tidos por Reginalda Ferreira de Mattos. Quando criança, ele sofria com as agressões do pai alcoólatra e, aos 12 anos, o menino fugiu, até chegar ao Rio de Janeiro.

Na Cidade Maravilhosa, Febrônio começou a colecionar uma série de crimes, como fraude, chantagem, suborno e roubo, tudo entre 1916 e 1929. Mas foi em 1920, quando tinha 25 anos, que o jovem teve uma visão que mudaria a sua vida.

No meio do delírio, uma mulher loira visitou o homem, afirmando que ele tinha um papel importante no mundo, já que era o “Filho da Luz”. Já tendo assumido o pseudônimo de Febrônio Índio do Brasil, ele teria a missão de purificar outros jovens.

Fotografia de Febrônio Índio do Brasil / Crédito: Divulgação

 

Um purificador

Como parte do trabalho, ele deveria tatuar os garotos com o símbolo DCVXVI, uma representação das palavras Deus, Caridade, Virtude, Santidade, Vida e Ímã da vida. Ainda detido, Febrônio tatuou a frase “Eis o Filho da Luz” no próprio tórax.

Quando saiu da cadeira, em meados de 1921, o homem tornou-se associado do dentista Bruno Ferreira Gabina, mesmo que não tivesse qualquer formação. O problema veio poucos meses depois, quando o profissional simplesmente desapareceu.

Tendo assumido o diploma do Dr. Gabina, Febrônio abriu seu próprio consultório e, nele, atendeu pessoas de uma forma bastante controversa. Testemunhas chegaram a afirmar que, de maneira sádica, ele arrancou dentes de pacientes sem qualquer necessidade.

Imagem meramente ilustrativa de tatuador / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

Um homem sádico

Os crimes mais sérios, todavia, passaram a fazer parte da rotina do Filho da Luz quando ele começou a ter delírios. Certa vez, em outubro de 1926, Febrônio foi preso enquanto dançava completamente nú no topo do Pão de Açúcar.

Na época da detenção, ele chegou a ser internado e diagnosticado por distúrbios mentais, mas foi solto por não ter dinheiro o suficiente para pagar o tratamento. Mentindo de forma compulsória, ele foi preso novamente, agora em 1927.

Desta vez, ele abusou de dois companheiros de cela, mas acabou sendo solto de novo, por falta de provas. As acusações contra o Filho da Luz, entretanto, não paravam de aparecer na delegacia. E elas eram as mais perturbadoras.

Fotografia do famoso Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro / Crédito: Wikimedia Commons

 

Os delírios do Filho da Luz

Em um dia, ele foi pego dançando na frente de um garoto amarrado em uma árvore no Corcovado. No outro, o homem foi visto cozinhando a cabeça roubada de um cadáver. Nessa época, ele foi internado em um hospício, mas fugiu ao lado de dois jovens.

Acompanhando o homem por uma suposta oferta de emprego, os adolescentes de 17 anos foram estuprados por Febrônio. Mesmo sendo vítimas do homem, eles foram soltos, logo depois de receber as tatuagens no peito, como mandava a visão.

Mais tarde, ele chegou a ser preso por tatuar um garoto de 18 anos. O jovem, todavia, desapareceu, e o Filho da Luz foi solto, em 1927. Uma vez livre, ele tentou marcar a sigla no peito de Altamiro José Ribeiro, um jovem de 20 anos, que tentou resistir. Indignado com a atitude da vítima, Febrônio o estrangulou com um cipó.

Fotografia de Febrônio Índio do Brasil e suas tatuagens / Crédito: Wikimedia Commons

 

Fim do caminho

A série de crimes chegou ao fim quando o criminoso sequestrou um menino de 10 anos, sob pretexto de lhe garantir um emprego. “Jonjoca” Ferreira foi tatuado, estuprado e morto por Febrônio. Ao lado do corpo, contudo, uma pista foi deixada pelo assassino.

Durante as investigações, os policiais reconheceram o boné utilizado por Febrônio para sair da cadeia em 1927. Assim, o criminoso foi rastreado e preso. Além da prova, os pais de Jonjoca ainda reconheceram o Filho da Luz, que, mais tarde, assumiu os crimes.

Pelas muitas acusações e por sua clara inconsistência mental, Febrônio foi internado no Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro, de onde tentou fugir. Sem sucesso no plano, ele permaneceu na instituição até 1984, quando morreu, aos 89 anos.


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