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Ted Bundy: O serial killer que assombrou os EUA na década de 1970

A vida de um dos mais célebres assassinos dos EUA foi reproduzida em filme

Letícia Yazbek Publicado em 25/07/2019, às 12h00

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Crédito: Reprodução

A cinebiografia Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal (no original, Extremely Wicked, Shockingly Evil, and Vile), que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 25 de julho, conta a história de um dos mais notórios serial killers dos Estados Unidos.

Lançado em 26 de janeiro no Sundance Film Festival, o filme é dirigido por Joe Berlinger, também responsável pela série documental Conversando com um serial killer: Ted Bundy (Conversations With a Killer: The Ted Bundy Tapes), disponível na Netflix desde 24 de janeiro.

Theodore Robert Cowell nasceu em 24 de novembro de 1946, em Burlington, Vermont, nos Estados Unidos. Filho de Eleanor Louise Cowell, Theodore nunca conheceu o pai. Em 1951, Eleanor se casou com Johnny Culpepper Bundy, que adotou Ted.

Eleanor e Johnny tiveram mais quatro filhos e, apesar das tentativas de incluir Ted nas atividades da família, o garoto permaneceu distante. Em entrevista aos autores Stephen G. Michaud e Hugh Aynesworth, Ted afirmou que escolheu ficar sozinho durante a juventude porque não entendia as relações interpessoais.

Considerado um jovem inteligente e promissor, Ted não teve dificuldades em ingressar na faculdade após o ensino médio, em 1965. Passou um ano na Universidade de Puget Sound antes de se transferir para a Universidade de Washington.

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No início de 1968, abandonou a faculdade e passou a trabalhar em empregos temporários. Também se tornou militante do Partido Republicano e trabalhou como voluntário na campanha presidencial de Nelson Rockefeller.

Em 1967, Bundy se envolveu com uma colega de classe da Universidade de Washington, Stephanie Brooks. Cerca de um ano depois, a garota encerrou o relacionamento devido à imaturidade e falta de ambição de Bundy, deixando-o devastado.

Após a separação de Stephanie, Bundy viajou para o Colorado e, mais tarde, para a Filadélfia, onde se matriculou por um semestre na Universidade Temple. Ele afirmou à advogada Polly Nelson que foi nessa época, em 1969, que tentou seu primeiro sequestro.

Não há um consenso sobre quando ou onde Bundy começou a assassinar mulheres. Ele contou diferentes versões a entrevistadores, psicólogos e advogados, e se recusou a dar detalhes sobre seus primeiros crimes. Os primeiros homicídios documentados foram cometidos em 1974, quando Bundy tinha 27 anos.

Bundy estuprou e assassinou mais de 35 mulheres, incluindo uma garota de 12 anos. Em sua maioria, as vítimas tinham uma aparência semelhante à de Stephanie Brooks: eram mulheres brancas com idades até 25 anos, de classe média, com longos cabelos castanhos e lisos.

Ted Bundy era considerado um homem charmoso e comunicativo, que sabia convencer as pessoas de sua inocência. Essas características o ajudaram a atrair e seduzir as mulheres antes de sequestrá-las e matá-las.

Em 1975, Bundy foi preso pela patrulha rodoviária de Utah. Em seu carro foram descobertos máscaras, luvas cirúrgicas, martelos e sacos de lixo. Uma busca detalhada encontrou fios de cabelos, impressões digitais e evidências sanguíneas de mulheres que haviam sido assassinadas.

No intervalo de uma audiência preliminar, em 1977, na cidade de Aspen, Bundy foi autorizado a retirar as algemas para consultar livros de direito. Ele aproveitou a oportunidade para saltar do segundo andar e correr em direção às montanhas. Depois de vagar durante seis dias, roubou um carro e voltou para a cidade, onde foi reconhecido e preso novamente.

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Em 30 de dezembro de 1977, a maioria dos funcionários e dos prisioneiros não violentos estavam fora devido ao feriado do Natal. Bundy espalhou livros sobre sua cama e os cobriu com um cobertor para simular seu corpo adormecido. Em seguida, escalou até o teto e o atravessou até o quarto do carcereiro chefe, que estava fora, e colocou suas roupas antes de sair pela porta da frente em liberdade.

Depois de roubar um carro, pegar uma carona com um motorista e tomar um ônibus, Bundy foi até Denver, onde pegou um voo até Chicago. Quando os funcionários da prisão descobriram a fuga, mais de 17 horas depois, Bundy já estava em Chicago.

Em 8 de janeiro, Bundy chegou a Tallahassee, na Flórida, onde alugou um quarto em uma pensão sob o codinome de Chris Hagen. Uma semana depois, de madrugada, invadiu a casa da fraternidade Chi Ômega, e agrediu, violentou e assassinou quatro estudantes.

Em 15 de fevereiro de 1978, Ted Bundy foi parado por um policial em Pensacola, Flórida. Ao verificar pela placa do carro que o veículo havia sido roubado, o policial decretou voz de prisão, sem saber que se tratava do serial killer. Chegando ao distrito policial, Bundy disse que se chamava Ken Misner, e apresentou um documento roubado do verdadeiro Misner. No entanto, os agentes conduziram uma investigação completa e descobriram a verdadeira identidade de Bundy.

Ted Bundy foi julgado em diferentes tribunais nos estados da Flórida, Utah e Colorado. Em todos os julgamentos, ele foi o principal responsável pela sua defesa. A imprensa de diversos países acompanhou de perto o caso: as evidências apontam para Bundy, mas não eram tão contundentes quanto a polícia acreditava.

No entanto, sua arrogância e inexperiência como advogado não o ajudaram. Ted Bundy foi julgado, condenado à morte na cadeira elétrica e executado em 24 de janeiro de 1989.

Em entrevistas concedidas quando estava no corredor da morte, Bundy falou com frieza sobre como escolhia suas vítimas. “Eu não sou um animal, não sou louco e não tenho uma personalidade dupla”, afirma.