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Dark Side of the Rainbow: A bizarra sincronia entre 'O Mágico de Oz' e um álbum de Pink Floyd

Erguida pela primeira vez durante uma convenção de fãs, a teoria sugere diversos pontos de encontro entre as duas produções

Wallacy Ferrari, sob supervisão de Alana Sousa Publicado em 01/10/2021, às 10h00

Montagem une fotografia clássica do elenco do filme com capa do disco
Montagem une fotografia clássica do elenco do filme com capa do disco - Divulgação / Monty, 2006

Formada em 1965, a banda britânica Pink Floyd tornou-se mundialmente conhecida por criar canções com arranjos complexos, além ed composições profundamente poéticas e, principalmente, pela abordagem de temas cotidianos em metáforas.

Muitas das faixas do grupo, no entanto, possuem milhares de sentidos e compreensões, abordadas até os dias atuais pelos fãs do conjunto — contudo, uma em específico começou a chamar a atenção da base de fãs muito tempo após o lançamento da obra.

Em 1993, a banda comemorava 20 anos de um dos discos mais notáveis da história do rock: o conceitual "The Dark Side of the Moon". Originalmente lançado em 1973, ganhou uma reedição histórica com direito a remasterização digital e complementos sobre os bastidores com o box "Shine On".

Na mesma época, a popularização da internet permitiu o primeiro festejo internacional deste lançamento, sendo comemorado no fórum alt.music.pink-floyd. A reunião virtual promovida pelos fãs iniciou um longo debate sobre a obra, abrindo uma sugestão entre um dos usuários. Ele afirmou que, por acidente, assistiu o filme ‘O Mágico de Oz’, de 1939, e o áudio estava perfeitamente sincronizada com vídeo.

Acompanhando o debate online, o jornalista Charles Savage decidiu consultar a fundo a teoria, escrevendo, em agosto de 1995, a primeira publicação sobre o tema no jornal Fort Wayne Journal Gazette. O título da matéria, “The Dark Side of the Rainbow” (“O Lado Negro do Arco-íris”, em tradução livre) se tornaria um símbolo para os fanáticos.

Como funcionava

Savage conseguiu realizar o teste conforme orientações dos membros do fórum; o CD ou o vinil original — não sendo válido os relançamentos — deveria começar a ser executado no terceiro rugido do leão na abertura da MGM. Após isso, o filme poderia ser silenciado e, em mais de 100 momentos, os fãs conseguiram relatar diversas coincidências.

Dentre os momentos, há um trecho do filme onde Dorothy tenta ouvir o coração do Homem-de-Lata, justamente no mesmo momento do álbum onde batidas de coração são reproduzidas. Na música ‘Breathe’, o verso "balanced on the biggest wave" ("balançado na maior das ondas") sincroniza com uma cena da protagonista se balançando em cima de um muro.

Quando as bruxas boas e más se confrontam, "who knows which is which" ("quem sabe quem é quem", além do trocadilho da palavra which com witch, de bruxa) na faixa ‘Us and Them’ é cantado. As muitas referências foram suficientes para o alcance da teoria nas grandes mídias, sendo reproduzida pela MTV e por rádios de rock estadunidenses.

Legado da teoria

Ainda na primeira investigação de Savage, Fred Meyer, secretário do International Wizard of Oz Club — uma fundação de memória a obras relacionadas ao Mágico de Oz — manifestou surpresa, sem nunca ter sido notificado até então sobre a possível execução: "O que? Eu não sei nada sobre isso!". Restava saber se houve a intenção dos músicos.

O único integrante que permaneceu na formação da banda em todos os álbuns, o baterista Nick Mason seria a pessoa certa para ser perguntada. Em 1997, a MTV americana questionou se houve a intenção, sendo negado com bom humor. Nick explicou que não havia tecnologia para ligar um monitor no estúdio e acompanhar as cenas: "Algum cara com muito tempo livre teve essa idéia de combinar O Mágico de Oz com Dark Side of the Moon".

Mesmo com a recusa, os fãs fazem questão de continuar enaltecendo a obra alternativa; em 2000, a emissora estadunidense TCM reproduziu o filme e permitiu que o espectador trocasse o áudio original pelas músicas usando a tecla SAP. Em 2019, a revista Rolling Stone publicou sobre uma exibição especial do filme no Cine Belas Artes, em São Paulo, contando com uma banda ao vivo tocando o álbum faixa-a-faixa.


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