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Teria conhecido Van Gogh: Jeanne Louise Calment, a mulher que passou 62 anos na terceira idade

Jeanne detém o impressionante recorde de pessoa com mais anos de vida já documentada em toda a História

Ingredi Brunato Publicado em 15/11/2020, às 10h00 - Atualizado às 23h34

Fotografia de Jeanne
Fotografia de Jeanne - Divulgação

Jeanne Louise Calment é uma francesa que despertou muita curiosidade em vida, e continua tendo uma história impressionante e única mesmo anos depois. Isso porque ela viveu até os 122 anos, detendo até hoje títulos como o de pessoa mais velha já documentada na História.

Para dar uma ideia da situação, ela teria passado metade de seus anos sendo uma senhora - ou seja, já na terceira idade. 

De forma ainda mais impressionante, a mulher preservou sua lucidez e também  mobilidade durante boa parte dessa longa terceira idade. Inclusive, andava de bicicleta aos 100 anos, morou sozinha até os 110, e só precisou de uma cadeira de rodas aos 114. 

Definitivamente, alguém que viveu tanto não poderia, também, deixar de ter histórias interessantes. Uma dessas vem do fato de Madame Calment ter conhecido Vincent Van Gogh.

A francesa afirmou ter encontrado o famoso pintor aos 13 anos de idade, e não teve uma impressão muito lisonjeira a respeito dele: "Sujo, mal vestido, desagradável, muito feio, descortês e grosseiro", teria comentado sobre o mesmo, segundo divulgado pelo New York Times em 2016 (anos após sua morte, que foi em 1997). 

Segredos da vida longa  

Fotografia de Jeanne aos 20 anos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma curiosidade natural quando se ouve sobre alguém que chegou a uma idade tão avançada, e ainda mais preservando sua lucidez e relativa mobilidade - que era o caso de  - é querer saber qual era o estilo de vida que essa pessoa levava, para talvez tentar repetir o feito. 

Pois bem, a francesa teve realmente uma vida muito ativa, fisicamente falando. Como se casou com um homem rico, nunca precisou trabalhar, e isso lhe deu todo o tempo livre que precisava para se dedicar a esportes como tênis, ciclismo, natação e patinagem. Já a esgrima, a senhora praticou até os 80, além de, como já mencionado, ainda ser capaz de andar de bicicleta quando se tornou uma centenária. 

Quando perguntada sobre o segredo de sua longevidade por jornalistas do Mail Online (somente publicado em 2008, alguns anos após sua morte), Madame Calment disse ainda que passa azeite de oliva na pele, comia um quilo de chocolate por semana, e bebia vinho do porto com frequência. 

A combinação inusitada de elementos só fica mais chocante quando se leva em conta que a francesa fumou quase sua vida toda, dos 21 aos 120 anos, quando parou apenas porque a deterioração de sua visão devido a cataratas tornava difícil que levasse cigarros à sua boca.

Inclusive, foi também pelos problemas de visão que a senhora parou de morar sozinha, decidindo ingressando numa casa de idosos. Na época, todavia, ainda era capaz de caminhar sem ajuda, estando com o corpo bem preservado.

Contrato vitalício 

O advogado André-François Raffray é um dos personagens principais de um episódio engraçado da vida de Jeanne. Bom, cômico para ela, certamente, e para terceiros, porém com certeza não para o homem. Ele teve o azar de firmar um contrato vitalício com uma mulher que viraria uma supercentenária. 

André-François estava interessado no apartamento da francesa, que tinha na época 90 anos de idade, o que para a maioria dos seres humanos significa já o 'fim da vida'. Então, como a mulher não tinha herdeiros naturais, os dois chegaram a um acordo em que o apartamento da senhora ficaria com ele após sua morte, contanto que até esse dia o advogado pagasse 2500 francos mensais. 

O resultado desse contrato vitalício foi desastroso. O homem pagou o aluguel durante mais 30 anos de idade (dos 47 aos 77), até que acabou falecendo. Então, a responsabilidade dos pagamentos mensais passaram para sua viúva, que ainda arcou com eles por mais três anos antes da senhora alcançar os 122 anos de idade, e afinal deixar o mundo dos vivos. 

Todos morreram, mas Jeanne ficou 

Jeanne em seu aniversário de 121 anos de idade / Crédito: Wikimedia Commons

 

Madame Calment viveu não apenas para ver a morte do homem que supostamente passaria a morar no seu apartamento, mas também a do marido, de sua filha e um de seus netos. Seu marido, inclusive, teria morrido devido a uma sobremesa com cerejas venenosas, que, aliás, Jeanne teria comido também, porém ainda foi capaz de sobreviver a esse episódio. Já a filha teve uma pneumonia fulminante aos 35 anos, enquanto o neto sofreu um acidente de carro. 

Entre os títulos da senhora está a honra de ser a única pessoa da História a ter vivido indiscutivelmente mais de 120 anos de idade. Em outros anos, houve mais de um especialista questionando a veracidade da história de Jeanne, porém em 2018 pesquisadores suíços enterraram essas suspeitas de uma vez, confirmando que Madame Calment apenas aconteceu de viver muito, ainda que ninguém consiga explicar.


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