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Teria Da Vinci se inspirado em seu amante quando pintou Mona Lisa?

Hipótese levantada em 2016 gerou ainda mais controvérsias sobre a obra. “Você vê isso particularmente no nariz de Mona Lisa, em sua testa e em seu sorriso”, explicou historiador

Fabio Previdelli Publicado em 08/11/2020, às 10h00

Mona Lisa, a mais conhecida obra de Leonardo da Vinci
Mona Lisa, a mais conhecida obra de Leonardo da Vinci - Wikimedia Commons

Mona Lisa, La Gioconda ou até mesmo Mona Lisa del Giocondo, chame como quiser, mas nada muda o fato de que a obra é a mais notável e conhecida do gênio renascentista Leonardo da Vinci. O quadro é, provavelmente, um dos mais famosos da história da arte e um dos mais valiosos de todo o mundo.  

A obra que mostra uma mulher de expressão introspectiva e tímida, representa, de certa forma, o padrão de beleza das mulheres na época em que foi pintada, no ano de 1503. Mona Lisa é, de fato, uma obra única, não só pelo trabalho artístico de Da Vinci, mas também por toda a controvérsia, questionamento e importância que permeiam o quadro. 

Muitos acreditam que Mona Lisa represente muito mais que um simples olhar possa compreender. Ela teria uma mensagem oculta em suas camadas. A linha do horizonte, por exemplo, está em um nível visivelmente mais baixo do lado esquerdo do que o direito, fazendo com a personagem do quadro fique maior quando observada da esquerda para a direita.  

Mona Lisa, quadro de Leonardo da Vinci / Crédito: Wikimedia Commons

 

Já outros historiadores acreditam que os conceitos de masculino e feminino também estejam ligados a pintura, onde o lado esquerdo seria o feminino e o direito o masculino. Realmente, ainda hoje, La Gioconda gera muitas dúvidas, o que a faz ser uma das maiores atrações que estão em exposição no Museu do Louvre, em Paris. 

No entanto, uma hipótese levantada em 2016 pode criar um entendimento completamente diferente na obra de Da Vinci e, de quebra, esclarecer um dos maiores mistérios da história da Arte.

Afinal, quem é Mona Lisa

Foi justamente essa pergunta que Silvano Vicenti, chefe do Comitê Nacional para a Herança Cultural, tentou responder ao analisar o quadro naquele ano. Para o pesquisador italiano, a imagem foi inspirada em um jovem italiano que era aprendiz de Leonardo e, supostamente, seu amante.  

Vicenti acredita que La Gioconda apresenta diversas semelhanças marcantes com Gian Giacomo Caprotti, popularmente conhecido como Salai. Para chegar nessa conclusão, o pesquisador examinou chapas infravermelhas da Mona Lisa e as comparou com outras obras de Da Vinci, das quais Salai serviu de modelo para o renascentista.  

Anjo Encarnado, de Da Vinci, teria sido inspirado em Salai / Crédito: Wikimedia Commons

 

“Você vê isso particularmente no nariz de Mona Lisa, em sua testa e em seu sorriso”, explicou Vicenti ao The Telegraph em 2016. A versão de Silvano foi dada numa conferência da Associação da Imprensa Estrangeira, onde ele citou que a obra foi comparada com outros quadros que tiveram Salai como modelo, sendo eles “São João Batista” e “Anjo Encarnado” — o último é um retrato erótico que mostra um jovem tendo ereção.  

“Nós encontramos uma resposta a uma pergunta que dividiu os estudiosos por anos: em quem foi a Mona Lisa baseada”, diz. Acredita-se que Caprotti tenha começado a trabalhar com Leonardo por volta de 1490, quando ele tinha apenas 10 anos.  

Ele teria trabalhado junto de Da Vinci por duas décadas, nas quais eles teriam desenvolvido um relacionamento amoroso. O jovem era conhecido por ser um pouco encrenqueiro demais, o que reflete em seu apelido, Salai — que significaria algo como ‘diabinho’. 

Entretanto, Silvano diz que Salai não teria sido a única fonte de inspiração para o quadro. “A Mona Lisa é andrógina — metade homem e metade mulher. A pintura foi baseada em dois modelos. A primeira foi Lisa Gherardini e o segundo foi Salai, aprendiz de Leonardo”, explica. 

Apesar de o acadêmico não ter sido a primeira pessoa a levantar essa possibilidade sobre a pintura, a ideia não foi bem recebida entre os demais críticos. À France Press, Pietro Marani, historiador de arte especialista em Da Vinci, disse que a teoria era “infundada”.

Já o professor emérito de história de arte do Trinity College, em Oxford, Martin Kemp, afirmou ao The Telegraph que as alegações são “uma miscelânea de coisas conhecidas, semiconhecidas e uma completa fantasia”. 

São Joao Batista de Da Vinci, teria sido inspirado em Salai / Crédito: Wikimedia Commons

 

Outro ponto discordante é que os historiadores acreditam que Leonardo teria começado a pintar Mona Lisa em 1503, todavia, Vicenti alega que o renascentista possa ter iniciado sua obra-prima quando ainda morava em Milão, na década de 1490. 


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