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Terror em alto mar: o trágico destino dos tripulantes da Expedição Franklin

Atos desesperados, incluindo canibalismo, foram cometidos pelos marinheiros, cujos paradeiros eram dados como mistério

Vanessa Centamori Publicado em 12/08/2020, às 10h43

Cena da série The Terror, que retrata a Expedição Franklin
Cena da série The Terror, que retrata a Expedição Franklin - Divulgação / AMC

Uma grande obsessão levou mais de uma centena de marinheiros a zarparem em 19 de maio de 1845. Estavam determinados a encontrar a Passagem Noroeste — um sonho para qualquer navegante do século 19. A conquista do caminho significava grande vantagem comercial e era sinônimo de riqueza em potencial. 

Acontece que a área poderia ser usada para ir do Atlântico ao Pacífico, evitando dar uma volta dispendiosa pela América do Sul. E ninguém melhor do que o experiente capitão John Franklin para ousar descobrir essa passagem gloriosa. Foi isso ao menos que acreditaram os 134 tripulantes de sua equipe. 

A fé de que eles teriam sucesso — ainda mais sob a capitania de Franklin, que havia estreado nas Guerras Napoleônicas — infelizmente, acabou não sendo suficiente. Os dois navios da Expedição Franklin, HMS Terror e HMS Erebus, sumiriam completamente. 

John Franklin / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Pistas 

As embarcações navegaram nas Ilhas Orkney, na Escócia, e na Baía de Disko, mas foi na Groenlândia o último registro dos navegantes. Na ocasião, 5 membros da tripulação retornaram para casa.

A seguir, os navios também teriam sido avistados por pescadores de baleia na Baía de Baffin. Eles relataram que a Expedição Franklin estava atracada, à espera de um tempo mais favorável para voltar ao oceano. 

Visto que os marinheiros não foram mais localizados depois disso, uma cavalaria de resgate realizou buscas por sinais de sobreviventes. Somente cinco anos depois, em 1850, 11 navios britânicos, junto de dois americanos, acharam os túmulos de três tripulantes, na Ilha Beechey.

Um trenó abandonado, com dois esqueletos e vários objetos pessoais, também foram encontrados nos próximos anos. Alguns relatos de inuítes contavam ainda que homens brancos teriam morrido lentamente em navios que afundavam no gelo. Em 1859, foi encontrada uma mensagem redigida em 1848, que afirmava que 28 tripulantes —incluindo o capitão Franklin — faleceram um ano antes. 

Canibalismo e múmias

Em 1980, antropólogos forenses da Universidade de Alberta, no Canadá, detectaram ainda os corpos de outros três dos marinheiros perdidos. Foram encontrados cortes por facas em vários dos ossos dos mortos, o que sugeriu que, por falta de alimento, os navegantes teriam cortado os cadáveres dos colegas e os ingerido. 

Além disso, a múmia de um dos tripulantes, John Torrington, foi analisada pelo antropólogo Owen Beattie. O cadáver vestia camiseta de algodão cinza e uma calça de linho. Alguns dos membros do morto estavam amarrados com tiras. Os olhos, por sua vez, estavam assustadoramente abertos. E o terror não parou por aí: havia também os bizarros restos mumificados dos marinheiros John Hartnell e William Braine.

A múmia de John Torrington / Crédito: Divulgação/Universidade de Alberta

 

A revelação mais recente 

Uma vez detectados alguns dos mortos, passaram anos e mais nenhuma novidade se teve para saber do paradeiro dos navios da Expedição Franklin. Então, em setembro de 2014, isso mudou. Finalmente, foram encontrados os destroços do HMS Erebus, a 11 metros de profundidade, a poucos quilômetros da Ilha do Rei Guilherme.

Dois anos depois, foi a vez da descoberta do HMS Terror, realizada por uma outra equipe de pesquisadores. Surpreendentemente, o navio estava quase que intocado e a noroeste da outra embarcação.

E quando os especialistas acharam que tinham o mistério desvendado, eles notaram que a localização das embarcações nada tinha a ver com a rota original de 1848. Como isso seria possível?

Os bastidores da tragédia 

Ainda que o local dos destroços não faça sentido com o que planejavam os marinheiros, eles iam de encontro com descrições de inuítes. Em entrevista ao site History, a arqueóloga subaquática Brandy Lockhart, que fez parte dos estudos, explicou que os navios podem ter sido carregados pelo gelo, que teria sido o responsável pelo desastre da Expedição Franklin. 

Uma hipótese muito aceita diz que alguns homens morreram de hipotermia, intoxicação ou doenças como pneumonia e tuberculose, antes mesmo do naufrágio. Após os óbitos, a tripulação teria abandonado os navios e percorrido aproximadamente 1,6 quilômetros até um posto comercial. Infelizmente, a empreitada não deu certo e a expedição naufragou. 


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