Matérias » Crimes

Terror em Guaratuba: o terrível e trágico Caso Evandro

Cercado por mistérios, torturas, acusações e muita indignação, o assassinato do menino chocou o Brasil em abril de 1992

Pamela Malva Publicado em 04/11/2020, às 18h30 - Atualizado às 18h54

Fotografia do pequeno Evandro Ramos Caetano
Fotografia do pequeno Evandro Ramos Caetano - Divulgação

Em meados de 1992, a mídia nacional voltava suas câmeras para o estado do Paraná. Isso porque acreditava-se estar acontecendo uma onda de sequestros de crianças em diversas cidades da região, ainda que a polícia não tivesse qualquer dado exato.

Um ano antes, por exemplo, o desaparecimento do pequeno Guilherme Tiburtius fez com que toda a classe média-alta do estado entrasse em pânico. O caso estava lotado de circunstâncias bizarras e  segue em aberto até hoje.

No dia 6 de abril de 1992, no entanto, o rosto de outro menino tomou conta das manchetes, principalmente de forma sensacionalista. Evandro Ramos Caetano morava em Guaratuba, no litoral paranaense, e tinha apenas 6 anos quando desapareceu.

O pequeno Evandro / Crédito: Divulgação

 

De volta para casa

Morador de uma cidade com 20 mil habitantes, o garoto estava acostumado a caminhar sozinho até sua escola, que ficava a 100 metros de casa. Naquela fatídica segunda-feira, então, ele não pensou duas vezes antes de fazer o trajeto.

Estudando no período da tarde, na mesma escola onde sua mãe trabalhava, o menino dormiu um pouco mais naquela manhã. Com a chuva batendo nas janelas, Evandro saiu de casa algumas horas antes da hora do almoço para visitar a mãe.

Minutos depois de ter chegado na escola, ele percebeu que havia deixado seu minigame em casa e avisou Maria Caetano que voltaria para buscar o brinquedo. Uma hora mais tarde, a mulher estranhou a demora do menino e foi procurá-lo.

Imagem meramente ilustrativa de minigame / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

Infância interrompida

Quando chegou em casa, Maria procurou por Evandro em cada um dos cômodos. Seu minigame, no entanto, ainda estava no mesmo lugar onde o menino havia deixado. O pequeno sequer havia chegado em casa. Mas, então, onde ele estava?

A mulher rapidamente ligou para o seu marido, a fim de procurar por Evandro pelo bairro. Com a ajuda de amigos e conhecidos, a família de classe média-baixa começou a buscar quaisquer pistas sobre o paradeiro do menino.

Uma mobilização tomou conta da cidade, mas nada adiantou. Evandro estava desaparecido. Tamanho foi o choque que a Polícia Civil enviou sua equipe de elite, o Grupo TIGRE, especializado em resgate de reféns, para investigar o caso.

Jornal do dia 15 de abril de 1992 noticiando o Caso Evandro / Crédito: Divulgação

 

Fim das buscas

Durante cinco dias, o Grupo TIGRE fez o que pôde para encontrar os rastros de Evandro. Em um primeiro momento, a investigação pareceu caminhar e até mesmo alguns suspeitos surgiram. Só que algo trágico e inesperado aconteceu.

De repente, no dia 11 de abril de 1992, o maior medo de Maria e Ademir tornou-se realidade: o grupo TIGRE havia encontrado o corpo de Evandro. Naquele sábado, os restos desfigurados do menino foram descobertos no meio de um matagal.

A cena era assustadora. Evandro estava irreconhecível, sem as mãos, sem os dedos dos pés, sem os olhos. Ainda trajando a roupa do dia em que desapareceu, o garoto estava mutilado, com o ventre aberto, em uma cena de filme de terror.

Jornal da época anunciando as confissões ocorridas naquele ano / Crédito: Divulgação

 

Medo em massa

Quase ninguém acreditou nas informações que os jornais mostravam na televisão. Quem seria tão cruel com um menino de apenas seis anos? As investigações precisavam continuar e, assim, o Grupo TIGRE seguiu à frente do caso.

O problema, no entanto, era que, a partir daquele sábado, o crime já não se tratava mais de um sequestro: era um homicídio. Assim, durante três meses, as investigações do grupo tático da Polícia Civil do Paraná não chegaram a qualquer lugar.

Indignado, Diógenes Caetano, um primo de Evandro, decidiu iniciar suas próprias investigações. Com conhecimentos de ex-policial militar e civil, ele entregou suas descobertas ao Ministério Público (MP). O caso, então, ganhou outras proporções.

Primeira página do jornal Folha de Londrina, anunciando as torturas do caso, em 1993 / Crédito: Divulgação

 

Absurdos e mistérios

Com a atuação do MP, o Grupo ÁGUIA, da Polícia Militar, foi destacado para guiar o caso. Por conta própria, a equipe encontrou diferentes culpados e, através de sessões de tortura, fez com que eles admitissem o assassinato.

No total, sete pessoas foram presas acusadas de terem matado Evandro durante um ritual, que teria custado 15 milhões de cruzeiros. Nesse sentido, a polícia acreditava que os acusados ainda eram responsáveis pelo desaparecimento de outras crianças.

Por fim, mesmo depois de prisões, condenações e torturas, o Caso Evandro segue envolto em mistérios e controvérsias. Em 2019, por exemplo, o jornalista Ivan Mizanzuk, que investiga o crime em seu podcast, recebeu as fitas das sessões de tortura cometidas pelo Grupo ÁGUIA. Todas as polêmicas informações foram publicadas este ano.


+Saiba mais sobre o tema através das obras abaixo, disponíveis na Amazon:

A Verdadeira História do Caso Evandro, de Diógenes Caetano (eBook) - https://amzn.to/2qFUgCI

Rituais de Sofrimento, de Silvia Viana (2013) - https://amzn.to/33yvBhQ

História da Bruxaria: Feiticeiras, hereges e pagãs, de JeffreyB. Russell (2019) - https://amzn.to/31Pj73W

Caliba e a Bruxa, de Silva Federici (2018) - https://amzn.to/2N35kB6

Dogma e Ritual da Alta Magia, de Éliphas Lévi (2017) - https://amzn.to/2q1hoeP

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/2yiDA7W