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Terror em Oklahoma: os crimes e a execução de Wanda Jean Allen

Após eventos que modificaram sua forma de pensar, a mulher foi a primeira negra a ser executada nos EUA em décadas

Pamela Malva Publicado em 21/11/2020, às 08h00

Mugshot de Wanda Jean Allen
Mugshot de Wanda Jean Allen - Wikimedia Commons

Álcool, descaso e abandono. Essas foram algumas das palavras que Wanda Jean Allen mais escutou durante sua infância. Com sete irmãos, ela cresceu em uma casa pública, vivendo apenas da assistência que o Estado garantia.

Quando nasceu, a menina tonrou-se a segunda filha de dois jovens norte-americanos, em agosto de 1959. Mais tarde, quando outros seis irmãos vieram, o pai de todas aquelas crianças foi embora, deixando a mãe com enormes responsabilidades.

Esse e vários outros episódios da vida de Wanda fizeram com que sua cabeça se transformasse em um lugar confuso, onde o bem e o mal se confundiam. Foi assim que ela se tornou a primeira mulher negra a ser executada nos Estados Unidos desde 1954.

Fotografia de Wanda Jean Allen / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Solidão e tragédias

A sequência de desventuras na vida de Wanda começou quando ela tinha apenas 12 anos. Em um dia que parecia comum, a menina foi atropelada por um caminhão. Mas o tempo que ela ficou inconsciente não foi o suficiente para o destino.

Anos mais tarde, em uma tarde alucinante, Wanda foi esfaqueada em sua têmpora. O ataque fez com que o hemisfério esquerdo do cérebro da menina parasse de funcionar, deixando sequelas permanentes que prejudicaram sua compreensão.

Com o passar dos anos, então, Wanda perdeu a capacidade de se expressar de forma lógica e não mais analisava a relação entre causa e efeito. Da mesma forma, ela desenvolveu uma perda de controle intensa, principalmente em situações de estresse.

Wanda Jean Allen em eventu público / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Fora dos trilhos

Em meados de 1981, quando já tinha 22 anos, Wanda passou a dividir um apartamento com sua ex-namorada, Dedra Pettus. Em junho daquele ano, um desentendimento entre as duas fez com que Allen perdesse a cabeça, atirando contra a companheira.

Naquela época, as jovens não estavam mais juntas e, segundo Wanda, ela estava sendo ameaçada pelo namorado de Dedra. Em legítima defesa, então, a garota atirou em sua ex-namorada, que também era uma amiga de infância, matando-a na hora.

Mais tarde, em seu testemunho, Wanda afirmou que teria disparado a arma a nove metros de distância de Dedra. Os exames, contudo, indicaram que o tiro foi dado à queima-roupa e, pelo assassinato, a jovem foi sentenciada a quatro anos de prisão.

Wanda Jean Allen em julgamento / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Fugindo da solidão

Durante os dois anos em que ficou na cadeia — ela acabou sendo liberada na metade do tempo que sua sentença previa —, Wanda conheceu Gloria Jean Leathers. Sete anos depois, mesmo em um relacionamento turbulento, as duas passaram a viver juntas.

Na tarde do dia 2 de dezembro de 1988, todavia, as duas entraram em uma discussão dentro de um supermercado. A polícia foi chamada e, escoltadas por um oficial, as jovens voltaram para casa, apenas para que Gloria pegasse seus pertences.

Quinze minutos mais tarde, as companheiras foram até a delegacia de polícia para que Gloria preenchesse um boletim de ocorrência. Cercada por uma raiva sem tamanho, Wanda não conseguiu se conter e atirou contra sua namorada ali mesmo.

Fotografias de Gloria Jean Leathers e Wanda, respectivamente / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Um sorriso silencioso

Atingida no abdômen, Gloria morreu três dias depois, enquanto Wanda enfrentava um júri irreversível. Com um histórico de conduta violenta, seu tempo na cadeira e a arma do crime contra ela, a jovem sabia que não tinha muitas chances no tribunal.

Ao final do julgamento, apesar das tentativas de defesa, Wanda foi considerada culpada pelo assassinato em primeiro grau. Uma condenada à execução — sentença que não era emitida desde 1954 —, ela esperou 12 anos no corredor da morte.

No dia 11 de janeiro de 2001, então, quando Wanda já tinha 41 anos, a sentença foi colocada em prática. Presa no estado de Oklahoma, a mulher foi colocada em uma maca para que recebesse uma injeção letal. Ela dançava enquanto os oficiais faziam o trabalho.

Por trás de um vidro escurecido, as famílias das duas vítimas que Wanda matou esperavam por sua execução. Antes de morrer, a acusada mostrou a língua para os parentes de luto e sorriu para seu advogado. Às 21h21, ela foi declarada morta. No ano seguinte, o documentário A Execução de Wanda Jean contou sua história.


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