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Terror em pleno Farol da Barra: o inquietante caso de Wesley Góes

No dia 28 de março, o soldado baiano acabou morto após um suposto surto psicótico — quadro que, segundo o neurocientista Fabiano de Abreu, acomete os policiais com bastante frequência

Pamela Malva Publicado em 03/04/2021, às 09h00

Imagens do soldado militar no Farol da Barra
Imagens do soldado militar no Farol da Barra - Divulgação/Youtube

No último domingo, 28, os moradores da região do Farol da Barra, em Salvador, foram surpreendidos pelos diversos tiros disparados por um soldado da Polícia Militar da Bahia. Com o rosto pintado e um fuzil na mão, Wesley Soares Goés parecia transtornado.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado, o militar estava no meio de um surto psicótico. Vestido com o traje completo da PM o homem efetuou dezenas de disparo com a arma de fogo, mesmo estando bastante próximo de outros prédios.

Repercutidas no país inteiro, as imagens do soldado com o fuzil em mãos colocaram em debate a real condição da saúde mental dos agentes de segurança em todo o país. E, para o neurocientista Fabiano de Abreu, essa discussão é realmente necessária.

Imagem de Wesley durante o surto, no domingo / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Linha do tempo 

Ainda de acordo com a Secretaria de Segurança Pública, todo o pesadelo começou na avenida Sete de Setembro, no centro de Salvador. Ainda dentro de seu carro, o PM atirou diversas vezes para cima, até ser perseguido pelas viaturas de outros oficiais.

Wesley, então, dirigiu por cerca de 5 km até chegar ao Farol da Barra, onde estacionou seu veículo, por volta das 14h. Nesse momento, o soldado passou a alternar entre “momentos de lucidez e acessos de raiva”, segundo divulgou a secretaria de segurança.

Enquanto ele disparava com o fuzil e atirava diversos objetos ao mar, a Polícia Militar isolou a área e acionou o Bope. Os agentes da equipe especial, então, iniciaram uma longa negociação com Wesley — operação que durou mais de três horas e meia.

Um agente perdido

Por volta das 18h35, todavia, o soldado iniciou uma contagem regressiva e, ao chegar no zero, abriu fogo contra os agentes do Bope. Após uma breve troca de disparos, Wesley foi atingido e, em estado grave, foi levado para o Hospital Geral do Estado (HGE).

Bastante debilitado, o agente acabou não resistindo ao tiro que levou e, às 23h daquele mesmo dia, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia confirmou o falecimento de Wesley, cujas motivações para o suposto surto psicótico ainda não ficaram claras.

Na opinião de Fabiano de Abreu, no entanto, o quadro do PM é bem mais comum do que imaginamos. Nesse sentido, ele pontua que “a psicose é um indício das formas mais graves de transtorno mental, e pode se manifestar repentinamente”.

Imagens de Wesley no Farol da Barra / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Perda de controle

De acordo com o neurocientista, por mais que crises como as de Wesley possam ser causadas por diversos motivos — como “doenças hepáticas, hormonais ou que afetam o sistema imunológico” —, o trabalho do PM também fez bastante diferença no quadro.

Isso porque “policiais são mais propensos a estes surtos que muitas outras profissões devido à rotina e pressão que enfrentam”. Dessa forma, os soldados e agentes “estão sujeitos a alterações hormonais devido à falta de sono e ao estresse constante”.

O grande problema é que, durante os surtos psicóticos, “as pessoas costumam perder o contato com a realidade”, segundo narra Fabiano. Nesse momento, portanto, o indivíduo “se fecha em um estado perturbador”, que pode culminar até em assassianto ou suicídio.

Por trás do surto

Conforme explicou o neurocientista, o surto interfere na comunicação entre o lado emocional e racional do cérebro, gerando uma “fixação exagerada”. Assim, a pessoa se mantém “na própria atmosfera, não percebendo as nuances ao seu redor”.

Por isso, inclusive, é crucial manter a calma quando se estiver lidando com um indivíduo na situação de Wesley. “Uma pessoa com surto psicótico não pode ser confrontada ou sentir-se acuada”, alerta Fabiano. Da mesma forma, também não é indicado trazer familiares para a situação, já que o indivíduo “está agindo de forma irracional”.

A forma correta de lidar com a situação, então, é acionando uma equipe especializada, que deverá levar o paciente até uma clínica. De qualquer forma, é importante ressaltar que a pessoa em surto “precisa de ajuda, mesmo que não consiga reconhecer isso”.

Imagem meramente ilustrativa de viatura policial / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

Tratamentos e cuidados

Em casos como os de Wesley, no entanto, Fabiano indica uma segunda abordagem. “Para preservar a vida de quem passa por situações como essa, sugiro que os militares usem armas com algum tipo de tranquilizante”. Uma vez sedada, a pessoa pode ser transferida para uma clínica que ofereça o tratamento e o diagnóstico necessários.

Por fim, segundo o neurocientista, a real situação do paciente deve ser analisada por “especialistas de diferentes áreas do conhecimento”. Só assim os profissionais poderão “oferecer tratamentos que possam controlar o estado do indivíduo”.

Em casos de surtos psicóticos, então, torna-se necessário preservar a saúde mental do paciente, a fim de mantê-lo são após o conflito. “Estamos em um momento em que o controle emocional é primordial para que possamos atingir o equilíbrio”, finaliza Fabiano.


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