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Terror em São Francisco: a triste história da tigresa Tatiana

Hóspede de um dos maiores zoológicos dos Estados Unidos, a felina protagonizou um momento de pânico após provocações

Wallacy Ferrari Publicado em 17/11/2020, às 12h30

Tatiana brincando na água, meses antes de sua morte
Tatiana brincando na água, meses antes de sua morte - Tyler Westcott / Flickr

Em 27 de junho de 2003, a tigresa siberiana Tatiana nascia no hospital animal do Zoológico de Denver, nos Estados Unidos, sendo deslocada para o Zoológico de São Francisco em dezembro do mesmo ano, para servir de companhia ao bicho da mesma espécie Tony, um tigre siberiano de 14 anos de idade.

Nos primeiros meses de vida, seu crescimento foi tranquilo, sem registros de desacatos aos cuidadores e veterinários. A transição precoce para o movimentado zoológico não apresentou alteração no quadro emocional da bichana, principalmente com a amizade nova. Porém, a partir dos dois anos de idade, seu instinto selvagem começou a aflorar.

Desenvolvendo uma rapidez nunca antes vista no local, Tatiana ganhou peso e tamanho, se tornando um animal feroz quando queria; com um rugido impressionante, o primeiro problema sério envolvendo a hóspede ocorreria em 22 de dezembro de 2006, durante um momento aparentemente tranquilo.

Lori Komejan cuidando de felinos selvagens de pouca idade / Crédito: Getty Images

 

Aviso interno

Veterana na instituição, a zookeeper Lori Komejan foi escalada para alimentar Tatiana através da grade de seu espaço, visto que a tigresa manifestava agressividade há semanas em tentativas de entrada, como noticiou o San Francisco Chronicle. Especializada em cuidados com felinos selvagens, Lori fez questão de manter a calma para a alimentação de Tatiana.

No entanto, ao ter o braço colocado entre as barras de aço para entregar a comida, a tigresa se agarrou na funcionária, mordendo-a e puxando com uma força descomunal. Por muito pouco, a felina não arrancou todo o membro com os dentes cravados no antebraço. Lori ficou com grandes cicatrizes e teve o braço permanentemente debilitado após diversas cirurgias e enxertos.

O episódio fez o órgão de Administração de Segurança e Saúde Ocupacional da Califórnia ordenar a revisão de equipamentos e medidas de segurança no local, multando a instituição em 18 mil dólares. Lori também entrou com um processo, e solicitou um valor para o zoológico cobrir os custos médicos e danos físicos permanentes, sem revelar a quantia. A gaiola da tigresa acabou sendo fechada e remodelada durante 9 meses.

Kulbir com a cicatriz na cabeça (esq.) e Carlos, o luso-brasileiro falecido na ocasião (dir.) / Crédito: Divulgação

 

Últimos momentos da felina

A observação da área da tigresa foi reaberta em setembro de 2007, mas não durou até 25 de dezembro do mesmo ano, quando um grupo de rapazes, começou a brincar com a gaiola onde Tatiana estava. Segundo o G1, os irmãos Amritpal e Kulbir Dhaliwal, junto ao luso-brasileiro Carlos Eduardo Sousa Jr., consumiram vodka e maconha antes do passeio, passando a incomodar o animal.

Mesmo com o espaço reformulado para garantir a segurança, Tatiana conseguiu pular a mureta três vezes maior que seu corpo, atacando o grupo. Carlos, com 17 anos, morreu no local, além de causar profundos ferimentos no crânio, pescoço e braços dos irmãos. A dupla correu para o café do zoológico, onde um funcionário ligou para a emergência após gritos.

Com a chegada da polícia, o animal que estava em direção de Kulbir, recebeu tiros na testa. Tatiana morreu perto de Carlos, que havia sido arrastado para perto da gruta na jaula. O zoológico ficou fechado até 3 de janeiro do ano seguinte, sendo a primeira vez que um visitante foi morto por um animal fugitivo em um zoológico desde a criação da Associação de Zoológicos e Aquários, em 1924.

Os irmãos receberam 900 mil dólares após o término do processo, além de uma quantia não divulgada que foi direcionada aos familiares de Carlos. Os quatro policiais envolvidos foram homenageados após o incidente, mesmo com a contestada ação que contrariou a natureza predatória da felina.


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