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Terry Herbert, o homem que encontrou o maior tesouro anglo-saxão do Reino Unido

Em 2009, com um detector de metais, foram descobertos mais de 3.500 impressionantes itens de ouro e prata

Isabela Barreiros Publicado em 12/06/2020, às 07h00

Parte do tesouro encontrado
Parte do tesouro encontrado - Wikimedia Commons

Em uma área remota do Reino Unido, próxima à pequena vila de Hammerwich, em Staffordshire, Terry Herbert decidiu andar pela região arada carregando consigo um detector de metais. Ele talvez tivesse o intuito de encontrar algum artefato antigo, mas o que ele provavelmente não esperava era encontrar o maior anglo-saxão do Reino Unido.

A impressionante descoberta foi feita no dia 5 de julho de 2009. Ele entrou em contato com Duncan Slarke, o responsável por transporte de antiguidades de Staffordshire e West Midlands. Naquele e nos cinco dias seguintes, foram encontrados 244 objetos feitos de ouro. Mas isso não parou por aí, e, nos anos seguintes, foram realizadas diversas escavações no mesmo local, com o tesouro chegando a mais de 3.500 artigos.

Crédito: Wikimedia Commons

 

No ano seguinte, em março de 2010, arqueólogos decidiram continuar com a exploração do terreno, desta vez escavando 100 metros de valas na terra. Mas a verdade é que eles não encontraram mais nada. Para o arqueólogo do condado de Staffordshire envolvido no estudo, Stephen Dean, não havia mais nada para ser descoberto ali. Eles continuariam com o procedimento apenas para procurar por mais evidências e possíveis auxílios para a datação exata do tesouro.

Mas, em dezembro de 2012, quando uma nova equipe de arqueólogos decidiu passar pela região, de novo, utilizando detectores de metais, foi provado o contrário. A Arqueologia Warwickshire, em parceria com a Staffordshire County Council e English Heritage, enviou os pesquisadores para o local depois de ele ter sido arado.

Crédito: Wikimedia Commons

 

A insistência de investigar a região revelou-se muito útil pois foram encontrados mais 91 artefatos de ouro e prata, quase exatamente no mesmo local onde o tesouro de Terry Herbert, que ficou conhecido como Staffordshire Hoard.

O principal pesquisador do estudo, Kevin Leahy, do Museu Britânico, porém, disse que dez dos itens encontrados podem não fazer parte do achado original, mas podem pertencer a outro tesouro datado do mesmo período. Dois artefatos, por exemplo, são peças de liga de cobre de alta qualidade que possuem um estilo muito diferente dos que estão presentes na descoberta original.

 O tesouro

Crédito: Wikimedia Commons

 

Os especialistas afirmam que a qualidade dos artefatos é enorme. Eles estão bem preservados e podem ajudar a um melhor entendimento sobre o período em que eles foram enterrados. Acredita-se que ele foi enterrado em algum momento durante o século 7, mas que os objetos que o contém foram possivelmente fabricados durante os séculos 6 e 7.

A pesquisa realizada no local e, posteriormente, com análise desses objetos, não indica que ele foi fruto de um roubo realizado na época. Parece que os pedaços de ouro e prata foram deliberadamente retirados dos objetos maiores dos quais eles faziam parte antes de serem enterrados na Inglaterra.

A maioria dos artefatos é militar, e alguns são religiosos. Foram descobertos itens individuais como espadas e capacetes, além de cruzes. Para o pesquisador Nicholas Brooks, o caráter principalmente bélico dos utensílios encontrados no tesouro estão associado ao fato de que era um hábito muito difundido no Reino Unido doar equipamentos de guerra após a morte de nobres. Seria uma espécie de “dever de morte” do rei.

Crédito: Wikimedia Commons

 

É notável que não existem objetos específicos para usos femininos no tesouro, como joias, nem artefatos de uso doméstico, como vasos e utensílios de cozinha. Esse geralmente é o caráter das descobertas feitas do período anglo-saxão.

O resultado das escavações foi mais de 3.500 artigos, que pesam, juntos um total de 5,1 kg de ouro e 1,4 kg de prata. Destacam-se 66 colares de punho de espada de ouro e muitas placas de punho de ouro, além de 86 pommels de espada. Os pesquisadores afirmam que esse é o maior tesouro anglo-saxão do Reino Unido, que contém peças com uma preservação notável. E isso tudo começou apenas com o uso de um detector de metais.


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