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Terry Wallis, o homem que acordou após 19 anos em coma

Em 1984, Terry entrou em coma por quase 20 anos, e acordou pensando que o tempo não tinha passado

Fabio Previdelli Publicado em 02/11/2020, às 10h00

Terry ao lado de Sandra e Amber
Terry ao lado de Sandra e Amber - Getty Images

Em 13 de julho de 1984, Terry Wallis, com 20 anos na época, iniciava o que parecia ser somente mais um passeio de picape com outros dois amigos. Entretanto, o carro acabou derrapando em uma pequena ponte perto de Stone County, no Arkansas.  

O veículo foi encontrado de cabeça para baixo em um leito de rio seco. Para chegar até lá, a picape despencou de uma altura de mais de 7 metros de altura. O acidente vitimou um de seus amigos, e Wallis não respondia aos incentivos em seu corpo. O rapaz não se movia, mas, ainda assim, continuava respirando. O acidente o havia deixado tetraplégico e teve um resultado devastador para a família.  

Terry ficou 19 anos internado em coma, em um estado que os médicos chamavam de “minimamente consciente”. Foi aí que tudo mudou... 

Quem é Terry Wallis?  

Filho de Angilee e Jerry Wallis, Terry nasceu em 7 de abril de 1964. Pouco antes do acidente, ele havia se casado com a jovem Sandra, quatro anos mais nova que ele. Quando sofreu o acidente, o casal esperava seu primeiro filho: Amber Wallis.  

Além das fraturas em seu corpo, Wallis sofreu graves lesões neurológicas. Em primeiro momento, ele ficou em coma por três meses, e depois seu quadro evoluiu para o estado semivegetativo.

Com o passar dos anos, ele passou a mostrar pequenos sinais de melhoras: como acompanhar pessoas com os olhos ou piscar parecendo que tentava se comunicar. No entanto, os médicos não enxergavam as coisas desse jeito, sendo irredutíveis ao acreditarem em sua recuperação.  

No entanto, em 12 de junho de 2003, veio a grande surpresa. Na ocasião, Angilee saiu de sua casa, em Big Flat, e dirigiu os 42 quilômetros até o local onde seu filho estava internado. Tudo parecia igual. Mas quando a mulher que sempre a acompanhava chegou até o quarto de Terry, lhe perguntando quem era a pessoa que veio lhe visitar, como sempre fazia, desta vez, ele respondeu: “Mamãe”. 

“Eu desabei”, lembrou sua mãe à CNN EUA em 2003. A surpresa não tomou apenas Angilee e cuidadora de Terry, ele também se assustou. “Você podia saber pela expressão em seu rosto. Seus olhos eram meio grandes”. 

As primeiras palavras 

No dia seguinte, Terry adicionou outra palavra em seu vocabulário: Pepsi, que era dita de forma arrastada. “Ele adora esse refrigerante”, conta sua mãe. Já em 14 de junho, véspera do Dia dos Pais, ele disse a palavra “papai”. 

Depois de uma visita a casa de seus pais, ele voltou para a casa de repouso mostrando para os médicos seus avanços. “Eles ficaram fora de si”, disse sua mãe. “Eu lembro de perguntar: ‘Terry, o que você pode dizer?’”. Então ele respondeu: “Tudo que eu quiser”.  

Embora a fala de Terry seja lenta e de difícil compreensão, ele realmente pode dizer o que quiser, garante Angilee. “Estou tão orgulhosa de você”, ela disse. “Eu também estou orgulhoso de mim”, respondeu. Mas apresar de sua evidente melhora, algo ainda estava errado com Wallis.  

Sua excepcional condição 

Terry ainda acreditava que tinha dezenove anos, ainda achava que Ronald Reagan era o presidente. Mas a realidade era outra, ele tinha 39 anos, o presidente era George W. Bush e Amber tinha 19 anos — e estava grávida de seu neto.  

A família de Terry não entendia sua condição, então Angilee e Amber o levaram para Nova York, para ser examinado por neurologistas. Ele visitou o JFK Center for Head Injury, uma das principais unidades de trauma cerebral da América. 

Então, descobriu-se, que o cérebro de Wallis perdeu a capacidade de armazenar novas memórias e ficou, essencialmente, em estado amnésico, ou seja, devido a danos nos lobos frontais, ele não podia processar experiências em memórias. 

"O cérebro está em um estado de desligamento. Não está operando de uma forma que permita que a pessoa responda a qualquer tipo de estimulação. É o resultado do inchaço do cérebro e de mudanças químicas no cérebro que impedem o cérebro pensante respondendo ao ambiente. Por causa disso, a pessoa parece estar dormindo”, explicou o professor Rodger Llewellyn-Woods em comunicado.

“O cérebro tem certas funções vegetativas que nos mantêm vivos. As partes antigas do cérebro, as partes mais profundas do cérebro, estão envolvidas na manutenção da pressão arterial, na respiração, no equilíbrio hormonal, coisas assim. Pessoas em estado vegetativo tem aquelas partes do cérebro ainda funcionando. É o cérebro pensante que não está funcionando. É como uma morte em vida, um estado horrível de se estar”.  

Posteriormente, seu caso foi estudado pelo neurologista Nicholas Schiff, do Weill Medical College, da Cornell University (Nova York), que divulgou um artigo no Journal of Clinical Investigation, em 2006, que explicou que a recuperação de Wallis não foi rápida, como muitos imaginam.

Essa impressão se dá pelo fato dele ter voltado a falar de uma hora para outra, no entanto, seu cérebro já vinha “trabalhando” a muito tempo para reconectar os neurônios que permaneceram intactos e formaram novas conexões para contornar as áreas danificadas.


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