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Theo Siebenberg, o homem que encontrou a Jerusalém de 3 mil anos atrás dentro de casa

Ele parecia obcecado com seu porão e decidiu realizar uma escavação arqueológica, o que revelou muitos artefatos antigos e raros

Isabela Barreiros Publicado em 20/06/2020, às 07h00

A escavação realizada na Casa Siebenberg
A escavação realizada na Casa Siebenberg - Casa Siebenberg/Wikimedia Commons

Em 1970, Theo Siebenberg decidiu que se mudaria para a Cidade Antiga de Jerusalém. Como um judeu em diáspora e com uma forte intuição de onde construiria sua casa, começou a se interessar cada vez mais pelas possíveis conexões entre o judaísmo da época do rei Davi e do rei Salomão e o atual. Ele pressentia que, embaixo de seu terreno, encontraria vestígios daquela época.

Mas, no começo, só ele acreditava nisso. "Os arqueólogos estavam certos de que não havia nada", explicou em entrevista ao The New York Times em 1985. Ainda assim, Siebenberg não desistia: ele parecia obcecado com seu porão. "Mas isso não me pareceu certo. Eu ficaria aqui e me imaginaria no Período do Segundo Templo. O templo estava logo ali. Por que os judeus não teriam construído aqui então? Cada centímetro de terra perto do templo deve ter sido muito valioso”, questionava.

Foi então que ele perguntou a engenheiros se ele poderia, por conta, realizar uma escavação arqueológica no subsolo de sua casa, deixando-os chocados. Com a resposta positiva, ele logo contratou ao menos 30 trabalhadores para escavar debaixo de seu porão. Por dois anos, não encontraram nada além de terra, porém um fatídico dia de 1972 mudou essa sorte.

Crédito: Casa Siebenberg/Wikimedia Commons

 

Uma bola feita de pedra rolou pelo assoalho da casa, causando um enorme choque em Siebenberg. Ninguém entendia porque ele estava tão interessado naquilo, mas bastou uma melhor análise para perceber que se tratava de um chaveiro feito de bronze. Era a primeira de inúmeras descobertas que viriam a ser feitas na residência judia.

Três mil anos de história

O achado que iniciou esse longo processo — que chegou a durar 18 anos de escavações no porão — provavelmente era utilizado por uma mulher que viveu na região para trancar uma caixa de joias. Pesquisadores acreditam que o chaveiro date do período do Segundo Templo, entre 530 a.C. e 70 d.C, ao qual a maioria dos artefatos encontrados na casa de Siebenberg remontam.

O objeto mais antigo descoberto a partir da missão arqueológica foi um cofre. É sugerido que ele tenha por volta de 3 mil anos, sendo do período do Primeiro Templo, desde o tempo do rei Davi e do rei Salomão, no século 10 a.C.

A Casa Siebenberg, como é conhecida hoje, porém, abriga muitos outros itens importantes que podem contar a linha histórica do povo judeu, em três períodos da história nacional de Israel. São eles o Primeiro Período do Templo, o Segundo Período do Templo e a Guerra da Independência de Israel de 1948.

"O senso de continuidade da história judaica vem do porão. Aqui, em um ponto, você pode ver a história judaica verticalmente. Não é como levar as crianças a um museu e mostrar-lhes pontas de flecha com essa data ou frascos com essa data. Está tudo aqui. Aqui estávamos e aqui estamos”, explicou o dono do que hoje é um museu, que abriu ao público suas portas oficialmente no ano de 1987.

Crédito: Casa Siebenberg/Wikimedia Commons

 

As principais descobertas do período do Segundo Templo são variadas. Parte de um aqueduto cujas águas vinham das Piscinas de Salomão foi encontrado, além de duas grandes cisternas de água, dois locais destinados ao mikvá (uma espécie de imersão ritualística em água), sete menorás (um candelabro de sete braços símbolo do judaísmo), pedras pertencentes à dinastia dos Asmoneus e pilares com cinzas da destruição da Cidade Alta.

Outros artefatos históricos importantes são cerâmicas, frascos de perfume de vidro, fragmentos de uma pulseira de vidro, uma caneta de marfim e um tinteiro, pontas de flecha que datam do período da Babilônia, por volta de 2.600 anos atrás, uma torneira de pedra antiga e um sino feito de bronze.

Entre os itens mais recentemente datados estão duas armas, uma pistola e outra metralhadora. Os especialistas avaliam que a pistola pode ter sido usada durante a Guerra da Independência de 1948 e tenha aproximadamente 200 anos; a metralhadora é do tipo Spandau e acredita-se que tenha sido empregada por alemães durante a Primeira Guerra Mundial. Naquele período o povo judeu estava utilizando de qualquer tipo de equipamento para conseguir lutar, o que explica a idade dos objetos.


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