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Para exaltar o povo alemão, Hitler criou uma versão alternativa da tragédia do Titanic

A pedido de Joseph Goebbels, o Ministro da Propaganda Nazista, o longa tinha como herói um oficial da Alemanha

Pamela Malva Publicado em 22/12/2019, às 09h00

A estranha relação dos nazistas com o cinema
A estranha relação dos nazistas com o cinema - Domínio Público

As ações da White Star Line, companhia britânica de transporte marítimo, estão caindo. Os sócios não sabem o que fazer para chamar atenção de investidores e o fim pode estar próximo. J. Bruce Ismay, o presidente da empresa, tem uma ideia que pode funcionar.

Apenas ele sabe que o RMS Titanic consegue atingir uma grande velocidade e quebrar o recorde de velocidade da época. Caso consiga, a empresa pode receber a Flâmula Azul e, assim aumentar o valor das ações. Tudo estava planejado e o navio estava pronto para zarpar. 

Em 1912, o Titanic fez sua viagem inaugural. Durante o trajeto, o Capitão Smith, responsável pela embarcação, faz o que seus superiores mandam. Rapidamente, o navio atinge uma velocidade bem alta e o pânico toma conta da tripulação.

Heroicamente, o Primeiro Oficial Peterson, um militar alemão, toma a frente da situação e implora aos ricos proprietários da White Star que diminuam a velocidade. Como se fossem vilões, todos se recusam, o Titanic atinge um iceberg e afunda.

De forma ainda mais heroica, Peterson e sua ex-amante russa, a aristocrata Sigrid Olinsky, colocam suas vidas em risco e tentam salvar as pessoas. Os dois, junto de outros passageiros alemães da terceira classe, liberam botes salva-vidas e carregam pessoas desesperadas, sejam elas crianças ou adultos.

Sim, a história do Titanic está um pouco diferente. Isso porque esse é o enredo da versão alemã do filme, criada em 1943, em Berlim, durante a Segunda Guerra Mundial. Titanic - O Épico Nazista Banido foi um longa encomendado pelo Ministro da Propaganda Nazista, Joseph Goebbels.

Capas do filme alemão / Crédito: Universum Film Aktien Gesellschaft

 

A intenção do militar da SS era mostrar, através da narrativa, como o capitalismo britânico e americano foi o responsável pelo desastre naval. A criação do personagem de Peterson e sua inserção na tripulação teve o objetivo de demonstrar a bravura, empatia e altruísmo do povo alemão em comparação com os britânicos.

O filme estreou em Paris, em novembro de 1943 e foi bem recebido pelo público. Com as cenas de pânico presentes no longa, Goebbels queria minar a moral dos britânicos e franceses e demonstrar o desespero da população.

Por trás das câmeras

Durante a produção, Herbert Selpin, o diretor do filme, foi preso por disseminar ideias contra o regime nazista. Ele foi encontrado enforcado na prisão pouco tempo depois. A produção foi então dirigida por Werner Klingler, que acabou não recebendo os créditos.

Cena do filme legendada / Crédito: Universum Film Aktien Gesellschaft

 

Uma vez terminado, o filme foi exibido por certo tempo nos cinemas da Europa ocupada pelos nazistas. No entanto, Titanic não foi autorizado dentro da Alemanha, por ordens do próprio Goebbels. Por mais que tivesse pedido que fosse assim, o militar temia que o filme enfraquecesse a moral dos alemães.

Além disso, algumas cenas do filme eram sensíveis demais para o povo da Alemanha, já que se assemelhavam muito com o que se passava durante a Guerra. Uma delas, em especial, era estranhamente parecida com o dia-a-dia nos campos de concentração.

Curiosamente, o Titanic Nazista foi o primeiro sobre o assunto a ter como título original apenas Titanic. No total, o longa custou quase 4 milhões de Reichsmarks (equivalente a US$180 milhões, em valores atuais). Por essa quantia, é reconhecido como o filme mais caro de sua época.


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