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Tituba, a primeira mulher negra acusada de bruxaria em Salem

Conheça a escrava sul-americana que ficou marcada na história da Caça às Bruxas no século 17

Pamela Malva Publicado em 28/11/2019, às 06h00

Representação de Tituba, a Bruxa negra de Salem
Representação de Tituba, a Bruxa negra de Salem - Getty Images

Durante o século 17, depois que as filhas do Reverendo Samuel Parris disseram estar sendo mordidas, beliscadas e picadas por seres invisíveis, um enorme movimento de Caça às Bruxas começou em Salem. Mais de 300 pessoas foram investigadas e acusadas de bruxaria na Massachusetts da época — 19 delas foram condenadas à forca.

A grande maioria das pessoas julgadas era composta por mulheres, muitas vezes por terem poucos filhos, ou muitos filhos, ou por serem pobres, ou por serem ricas demais. De jovens que moravam nas ruas até mães de sete crianças, diversas mulheres foram levadas ao tribunal, acusadas de praticar feitiços. Uma delas — entre as três primeiras acusadas — foi Tituba, a Bruxa negra de Salem, como ficou conhecida depois.

O nome de Tituba foi diretamente ligado aos testemunhos das filhas do Reverendo, porque, na época, ela havia sido vendida de Barbados para ser escrava na residência do homem. Tituba vivia em contato com as meninas e era negra — o que a tornava um alvo fácil. Para alguns, foi ela quem começou a espalhar a bruxaria por Salem, ensinando feitiços e rituais às mulheres e meninas do vilarejo.

Não se sabe exatamente de qual parte da América do Sul Tituba é proveniente. Entretanto, acredita-se que a primeira Bruxa negra de Salem tenha nascido onde hoje fica a Venezuela, em uma comunidade creole. Por ser, supostamente, uma mulher indígena, seus conhecimentos sobre a natureza, energias e manipulação ervas, por exemplo, eram algumas das coisas que levantavam suspeitas. Além de sua cor.

Para os muitos puritanos de Salem, era óbvio que a escravizada negra só poderia ter assinado um compromisso com o mal, com o próprio Diabo. Foi usando isso ao seu favor que, em seu julgamento, Tituba alegou que, de fato, havia feito um acordo com Lúcifer. Quando pressionada a assumir sua bruxaria, ela disse “o demônio veio até mim e ordenou que eu o servisse”, deixando todos os puritanos em pânico. O mal estava, como pensaram, recrutando pessoas!

O que os homens inquisidores de Salem não esperavam era que Tituba usaria de toda sua astúcia para reverter a história, conquistando a inocência. Se colocando como vítima, a acusada alegou que nasceu para servir e, por isso, se viu obrigada a servir ao mal. Assim, ela conseguiu convencer a todos de que, caso se arrependa, uma pessoa pode ser salva.

Tituba ficou presa durante 15 meses na prisão de Boston esperando sua sentença. Em maio de 1963, foi absolvida e percebeu que tinha convencido os puritanos sobre seu arrependimento. Ainda assim, a escrava foi vendida novamente a um desconhecido, em abril do mesmo ano, e sumiu de todos os registros históricos. Ao contrário dela, outras mulheres que negaram as acusações e não provaram sua inocência acabaram sendo mortas. 

Estudiosos acreditam que, mesmo sendo inocente das acusações, Tituba assumiu as práticas de bruxaria porque era melhor confessar e ser presa do que sofrer a ira do Reverendo Samuel Parris quando fosse solta e voltasse à sua casa. Para outras pessoas, no entanto, sua confissão foi coagida, já que ela era uma mulher negra escravizada.


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