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Torre de Belém, a bela fortaleza cujo histórico militar decepcionou

Imponente e resistente, a construção se ergue sobre o Rio Tejo e marca algumas das maiores mudanças na arquitetura lusitana

Redação Publicado em 08/08/2021, às 10h00

Vista da Torre de Belém, em Portugal
Vista da Torre de Belém, em Portugal - Pedro Simões/ Manuel Trujillo Berge/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

Na virada do século 15 para o 16, Portugal era a potência mais promissora da Europa. Foram eles que, em 1498, finalmente encontraram um caminho para o Oriente e suas especiarias. Tamanha riqueza certamente atrairia a cobiça dos vizinhos — inclusive os piratas berberes, que vinham do Norte da África.

Com o acesso do Rio Tejo direto ao centro da cidade, a proteção teria que vir de artilharia naval. A Torre de Belém, ou de São Vicente, foi ordenada por dom Manuel em 1514. Seu projeto marca a transição entre as fortificações medievais e renascentistas.

Em vez de contar com muros altos, a parte mais importante é uma estrutura horizontal, o baluarte (ou bastião), de onde canhões podiam interceptar qualquer navio tentando adentrar a boca do rio. A torre em si servia como quartel e posto de observação.

Completada em 1519, ganhou o nome de Castelo de São Vicente, em homenagem ao santo padroeiro da cidade. É um belíssimo exemplo da arquitetura renascentista portuguesa e hoje é Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. Mas seu histórico militar deixou a desejar. Em 1580, na Guerra de Sucessão Portuguesa, sua guarnição resistiu por poucas horas.

A única outra ação militar relevante seria na Batalha do Tejo, em 1831, quando uma força francesa invadiu Lisboa para forçar o rei Miguel I (irmão de dom Pedro I do Brasil) a reconhecer a nova monarquia instalada no país. A torre trocou tiros com navios franceses, mas não impediu a invasão e a capitulação portuguesa.

1. As armas

Imagem dos canhões da Torre de Belém / Crédito: Cortesia de IPPAR/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

O que parece ser um pátio octogonal abaixo da torre é a parte que cumpria a principal função militar: abrigar 17 canhões disparando pelas portinholas, para repelir ataques navais na entrada do Tejo. As armas foram atualizadas diversas vezes para modelos mais potentes. A pequena abertura acima era para permitir que a fumaça dispersasse.


2. Masmorra

Com a pouca ação militar vista pela torre, seus paióis, num andar abaixo do baluarte, se tornaram masmorras, que abrigavam prisioneiros políticos — situação parecida com a Bastilha. O rei Miguel I — o mesmo que teve que enfrentar os franceses — fez isso com seus oponentes liberais. Seria deposto por dom Pedro I, após abdicar do trono brasileiro.


3. Vestígio medieval

Vista da Torre de Belém do Rio Tejo / Crédito: Carlos Luis M C da Cruz/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

Instalada na lateral do prédio, era uma estrutura defensiva tipicamente medieval: tinha uma porta em guilhotina, para ser fechada rapidamente, e, logo no compartimento de entrada, aberturas no teto, que permitiam lançar coisas como óleo e areia quente nos invasores. Não se mostrou muito eficiente.


4. Multifunção

Com 30 metros de altura e quatro pavimentos, a torre em si era destinada às funções de comando, com as salas “do governador” e “do rei” ocupando os dois primeiros andares, e uma capela no quarto. Como a fortaleza se mostrou pouco efi caz em sua função original, passou a servir como prisão, alfândega, farol e, no século 19, posto telegráfico.


5. Os olhos

Fotografia da Torre de Belém / Crédito: Tuga1143/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

Na torre e nos cantos do baluarte, os postos de observação também traem sua origem. Eles foram construídos no estilo mourisco, copiando os castelos que os próprios portugueses haviam conquistado dos islâmicos alguns séculos antes. Também possuem frestas abaixo, para atacar — originalmente com flechas, então mosquetes — invasores que tentassem escalar os muros.


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