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Tortura e decapitação falha: O esqueleto do homem que sofreu uma das mortes mais brutais da História

Em 2019, pesquisadores analisaram os restos mortais de um jovem que foi torturado de maneira brutal e sistemática no norte da Itália durante a Idade Média

Isabela Barreiros, sob supervisão de Pamela Malva Publicado em 22/02/2021, às 16h26

O esqueleto encontrado na Itália
O esqueleto encontrado na Itália - Divulgação/Journal of Archaeological Science

Mortes horripilantes estão presentes nos mais distintos períodos históricos. Seja na atualidade ou na pré-história, inúmeras pessoas passaram por situações traumáticas que muitas vezes causaram a sua morte de maneira brutal.

A Idade Média não foi exceção. Mas um exemplo específico provou-se como uma das mortes mais horrendas de toda a história: a de um homem que foi torturado durante algum momento no século 13, na cidade de Milão, no norte da Itália.

O esqueleto do jovem, que morreu entre os seus 17 e 20 anos, foi encontrado e analisado por pesquisadores da Universidade de Milão em 2019. As conclusões dos especialistas foram publicadas em um artigo na revista científica Journal of Archaeological Science.

Restos mortais feridos

Crédito: Divulgação/Journal of Archaeological Science

 

Especialistas descobriram o esqueleto do indivíduo em questão enterrado perto de uma igreja na cidade de Milão. A partir de então, pesquisas foram realizadas nos restos mortais, com o intuito de entender o que teria acontecido com aquele homem.

O resultado das diversas análises foi a revelação de que o jovem foi sistematicamente torturado antes de morrer em decorrência de tais ferimentos. As lesões observadas no esqueleto eram tão horrendas quanto seus motivos.

Os pesquisadores sugeriram a hipótese de que a pessoa foi torturada por meio de um método de tortura conhecido como “roda”. A vítima era amarrada em uma roda de madeira e seus membros eram feridos com grandes martelos de metal. 

Depois de tudo isso, o indivíduo ainda seria exposto em praça pública. Pendurado na roda, ele ficaria no local até que falecesse, enquanto seus ferimentos ficavam abertos e ele sofria uma morte lenta. 

Durante a Idade Média, essa prática geralmente estava associada às torturas realizadas em pessoas acusadas de crimes hediondos. No local onde o esqueleto foi encontrado, porém, não era bem assim. 

No norte da Itália, a questão era mais específica: essa técnica era usada em indivíduos acusados de propagar doenças. Em especial, a Peste Bubônica. 

Crédito: Divulgação/Journal of Archaeological Science

 

Registros históricos somados à presença de ferimentos simétricos nos braços e pernas do indivíduo fizeram com que os especialistas chegassem à possibilidade de ele ter sido torturado por meio da “roda”. No entanto, não foi apenas isso que eles perceberam ao analisar os restos mortais. 

Os arqueólogos também notaram uma ferida considerável na cabeça do esqueleto. Fraturas lineares incomuns foram identificadas na base craniana do jovem, o que pode ter sido causado por um traumatismo craniano.

O estudo sugere que a lesão foi causada por uma arma pesada que foi colocada sobre a cabeça do indivíduo durante o processo de tortura. A ação foi definida como uma “decapitação desajeitada” pelos pesquisadores. Ou seja, além de ter sido torturado na roda, o homem também sofreu com uma tentativa de decapitação.

"Este caso descreve pela primeira vez os restos mortais de uma vítima da roda e destaca a importância da arqueologia e da antropologia na reconstrução de casos de violação dos direitos humanos no passado", concluíram os pesquisadores.

A morte em questão pode ser considerada uma das mais brutais da história. Ela foi uma decorrência triste de uma tortura sistemática que choca até nos dias de hoje.


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