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Tragédia dupla: Caso Kliemann, o crime que chocou o Rio Grande do Sul

Um político gaúcho teve a esposa assassinada e passou a ser apontado como principal suspeito do crime. No entanto, o resultado seria ainda pior

André Nogueira Publicado em 02/06/2020, às 12h18

Euclydes Kliemann sendo procurado pela mídia
Euclydes Kliemann sendo procurado pela mídia - Divulgação

No Rio Grande do Sul, um caso que envolveu dois homicídios tomou conta da mídia estadual durante um bom tempo, sendo considerado um dos mais drásticos cenários criminosos gaúcho, envolvendo uma rixa regional entre Floriano Peixoto Menezes e o Euclydes Kliemann.

Essa história, que ainda é misteriosa e cheia de lacunas, começou com um crime envolvendo o politico reacionário do PSD e sua esposa, Margit Kliemann. No aniversário de 18 anos de casamento do casal, a moça foi encontrada morte, de bruços e com a cara desfigurada (indicio de espancamento). A partir do ocorrido, o deu-se início a um caso de extrema confusão: não apenas policial, mas principalmente de imprensa.

Isso porque dois jornais — Última Hora e Diário de Notícias — criaram uma verdadeira guerra diante do ocorrido, com sensacionalismos e acusações. Aquele crime, ocorrido em 1962 na cidade de Porto Alegre, assombrou a politica local por anos, principalmente, por não ter sido resolvido até hoje.

Suspeitas e sensacionalismo

Na época, o maior suspeito do assassinato era o próprio Euclydes, que foi alvo de grandes acusações, num momento de calor político, e um ano depois do sucesso da campanha legalista do governador Brizola, a quem o deputado fazia oposição.

Kliemann no casamento / Crédito: Arquivo Familiar

 

Isso porque Euclydes e Margit representavam casal muito visado pela mídia, provenientes de famílias ricas e com um grande potencial político. Vindos de Santa Cruz do Sul, região de colonização alemã, eles estavam envolvidos com grandes contatos políticos e transações, o que fazia o relacionamento estar cheio de questões de dinheiro e poder. Com ajuda da mídia, a reputação de Kliemann caiu muito após o assassinato incógnito.

Fotonovelas diversas começaram a ser produzidas especulando as formas de morte, e Euclydes era corriqueiramente caluniado. Muitas hipóteses foram montadas, a maioria apontando o deputado como autor do crime, e opositores políticos passaram a se aproveitar daquele cenário para rechaçar a capacidade de articulação popular de Kliemann.

Ficções delirantes e personagens fantasiosos passaram a ocupar manchetes, a ponto de se alegar que Margit tinha conexões com uma tal Dama de Vermelho, que possuiria a chave para desvendar o mistério até hoje de pé. Euclydes chegou a acusar opositores de terem tramado o caso, o que acendeu ainda mais o atrito midiático.

Um delegado local, inclusive, se tornou obcecado em provar a culpa de Kliemann sobre o caso, mesmo que as provas fossem quase nenhuma. Fato é que o caso era muito difícil, pois não havia grande número de evidências para qualquer acusação. Porém, ele foi o suficiente para que mais um crime fosse cometido.

O segundo homicídio

Pouco menos de um ano depois da morte de Margit, ainda com o calor da polêmica acesso, Euclydes era entrevistado em uma rádio de Santa Cruz do Sul, quando uma provocação de seu opositor político, Floriano Peixoto Karan Menezes (o Marechal), sobre a acusação de ele ser o assassino, deu início a uma briga. Ainda no ar, a briga cresceu tanto que, de maneira passional, o vereador petebista deu um tiro a queima-roupa em Kliemann, o matando na hora.

Família Kliemann / Crédito: Arquivo Familiar

 

O episódio repercutiu amplamente, e mais uma vez os Kliemann foram usados em sensacionalismos políticos e especulações. Com o furor popular da situação, o júri contra Marechal, que ocorreu em 1965, precisou ser realizado num ginásio.

Pedro Simon, hoje político pelo PMDB, ficou responsável pela defesa de Karan, baseou seu argumento na ideia de que o crime não fora premeditado pelo vereador, que não pretendia matar o opositor. Diante do julgamento, Floriano foi condenado a um ano e seis meses de prisão por homicídio culposo, mas teve redução de pena por ser uma figura pública.

Anos mais tarde, Pedro Simon assumiu a missão de estudar profundamente o caso do assassinato de Margit Kliemann,  concluindo que Euclydes não era o assassino (apesar de, criminalmente, o caso permanecer com o status de insolúvel). Para ele, o maior suspeito é um sobrinho do deputado, adicto que teria entrado na casa junto a uma gangue e agredido a mulher.

Pedro Simon / Crédito: Wikimedia Commons

 

Simon ainda alegou que “conhecia o deputado e sabia que ele não havia matado a esposa, o que pode ter acontecido é que ele soubesse de algo que não ficasse bem para a família”. O que sabemos é que as suspeitas contra o político reacionário foram usadas contra ele como manobra política, numa intriga municipal ardente.


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