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Trágico fim de uma promessa musical: A enigmática morte de Jeff Buckley

O jovem artista interrompeu os planos da gravadora para promover 'um novo Elvis' diante de um misterioso falecimento

Wallacy Ferrari Publicado em 01/09/2020, às 17h58

Jeff Buckley na capa do disco "Grace", lançado em 1994
Jeff Buckley na capa do disco "Grace", lançado em 1994 - Divulgação

Nascido em Anaheim, na Califórnia, o pequeno Jeffrey Scott Buckley veio ao mundo numa casa rodeada de arte. Seu pai, Tim, era músico e compositor e teve certo sucesso comercial na cena de folk e blues americana antes de morrer de overdose em 1975, quando o filho tinha apenas 9 anos de idade. A mãe também era musicista. Tamanho era o talento, que acabou o ensinando a tocar violão a partir dos cinco anos de idade.

O apreço pelas cordas aumentou aos doze anos, quando ganhou sua primeira guitarra e, no ano seguinte, já tocava na banda do colégio. Ao terminar o período acadêmico, foi transferido para Hollywood com o objetivo de entrar no Guitar Institute of Technology, onde edificou seus conhecimentos em teoria musical, mas sempre evitando cantar, visto que não fazia questão de ser comparado com o falecido pai.

Em 1991, no entanto, foi convidado a um show de tributo a Tim Buckley; não apenas resolveu cantar, mas impressionou os espectadores pelo talento com as cordas junto a afinação quase perfeita. Tal recepção positiva motivou o jovem a se apresentar sozinho, onde passou a tocar em um bar fixo de Nova York, chamado ‘Sin-é’. Deu a sorte de ser visto por um acionista da Columbia Records, que propôs a gravação de um álbum solo.

Jeff Buckley na capa do disco "Live at Columbia Records Radio Hour" / Crédito: Divulgação

 

Projeção como novo ídolo

Concluiu seu álbum Grace em 1994, após meses em uma busca intensa pelo perfeccionismo de seu primeiro álbum de estúdio, irritando a gravadora pela demora. A insistência resultou em um dos álbuns mais aclamados pela crítica musical do ano; com sete faixas originais e três covers, a regravação da composição “Hallelujah”, de Leonard Cohen, inicialmente não foi um sucesso comercial, mas atraiu elogios de Paul McCartney, Chris Cornell e Bono Vox.

O líder do U2, em específico, chegou a dizer que Jeff era “uma gota cristalina num oceano de ruídos”. Os lendários membros do Led Zeppelin — e principais inspirações do músico —, Jimmy Page e Robert Plant, chegaram a assistir um show de Buckley na Austrália. “Quando o Plant e eu vimos ele tocando na Austrália, ficamos assustados. Foi realmente tocante”, disse Page. As posições atraíram a gravadora, visto que poderia render uma parceria futura.

Em 1996, Jeff entrou em estúdio para a produção do segundo disco, orientado a fazer um trabalho mais comercial e menos intimista. O músico recusou, gravando o álbum em poucas semanas com as ideias que teve ao longo da duradoura turnê internacional que fazia. Porém, ao concluir, não gostou do resultado e decidiu recomeçar, descartando boa parte das músicas. Concluiu o trabalho no início de maio de 1997, passando para a avaliação da gravadora.

Jeff Buckley posa para retrato em ensaio fotográfico / Crédito: Wikimedia Commons

 

O fim de um sonho

Os planos da gravadora para o músico de 30 anos eram ousados. Com um enorme esquema de divulgação, o empresário Gene Bowen organizou durante três anos uma estratégia de marketing para o lançamento do novo disco, como informou para a Folha de S. Paulo, em 1997: “Ele seria um dos grandes investimentos da gravadora em 1997, porque tinha o perfil do jovem dos anos 90, sabia atingir a nova geração”.

Visto que teria uma longa rotina de divulgação, com entrevistas e shows longos, Buckley fez questão de descansar nos últimos dias de sossego. Ao lado dos outros músicos de sua banda, em uma casa de shows em Memphis, Tennessee, tocou durante todas as segundas-feiras durante o último mês de vida. Em uma pausa, no entanto, decidiu relaxar e dar um mergulho no rio Wolf, junto do amigo Foti.

O companheiro estranhou quando Jeff interrompeu a música que cantarolava, e passou a gritar, por dez minutos, o nome do cantor, sendo a última vez que foi visto com vida. Seis dias depois, seu corpo foi localizado na nascente do rio Mississipi, após um afogamento. O relatório policial, o relatório de um legista, e uma testemunha ocular confirmaram que o corpo não mostrou sinais de álcool ou drogas, nem mesmo que foi intencional.


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