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Traições e humilhações: a vida intima da Imperatriz Leopoldina em 5 fatos tristes

Uma das mulheres mais importantes de nossa História viveu um relacionamento conturbado com dom Pedro I e teve um fim de vida melancólico

Fabio Previdelli Publicado em 02/07/2020, às 11h00

A jovem imperatriz Leopoldina
A jovem imperatriz Leopoldina - Wikimedia Commons

Dentro do Brasil Império, uma das mulheres mais importantes de nossa História, sem dúvida alguma, foi a Imperatriz Leopoldina. Casada com dom Pedro I, Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburgo vinha de uma das famílias mais importantes da Europa e surpreendeu a todos quando chegou em solo tupiniquim, muito em virtude de sua vasta inteligência nos campos da educação e das boas maneiras.

Peça importante na política da época, suas intervenções durante esse período foram cruciais e mudaram para sempre a história do país, entretanto, sua vida íntima sempre carregou fardos que poucos sabem, mas que mesmo assim não deixaram de ser doloridos e sofridos na vida da monarca.

Conheça cinco fatos tristes da vida da Imperatriz Leopoldina:

1. A infância pelo Estado

Desde jovem, Maria Leopoldina foi ensinada que deveria servir ao Império, ou seja, aprendeu que sua função na sociedade seria engravidar e oferecer o ventre para gerir frutos saudáveis que perpetuariam a linhagem real de príncipes, reis e/ou imperadores.

Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburgo, primeira imperatriz brasileira / Crédito: Wikimedia Commons

 

Assim, seus dias eram repletos de atividades rigorosas e pontuais, como aulas particulares, orações, exercícios de leitura, atividades em jardim, reuniões familiares, visita a teatros e museus, enfim, todo tipo de atividade considerado relevante para uma mulher da época.

Assim, logo a jovem princesa aprendeu a apreciar a literatura, a natureza, a música e qualquer outro tipo de arte. Além do mais, fluente em seis línguas, aprendeu que quanto mais velha ficava, mais atividades com a coroa austríaca teria, o que a fez deixar sua infância para assumir tais responsabilidades.

Com isso, aos 20 anos, Leopoldina foi prometida à Pedro de Alcântara, na união que sacramentaria uma aliança entre Áustria e Portugal.


2. Amor sem escolha em uma cerimônia sem noivo

O casamento com dom Pedro I já estava selado, porém, ele não ocorreu como qualquer outra cerimônia. Tudo porque o casal, que nunca havia se visto antes, se casou em Viena em maio de 1817, porém, o imperador do Brasil não esteve presente em seu próprio matrimonio, sendo representado por Carlos, o tio por parte de pai de Leopoldina.

Os dois só se encontraram de fato quando completaram cinco meses de casamento. Na ocasião, tanto Pedro quanto a corte brasileira ficaram encantados com a inteligência e o conhecimento político da jovem.

Chegada de Leopoldina nas cortes brasileiras / Crédito: Wikimedia Commons

 

Foi nesse período em que ela assumiu o nome de Maria Leopoldina e que também passou a tratar de viagens e negócios particulares no país. Assim, ao lado do marido, começou a desempenhar fortes papéis diplomáticos por aqui.


3. Traída e humilhada

Se por fora o casamento parecia ir a vento e poupa, por dentro ele era muito mais tóxico do que muitos pensavam. Afinal, a união entre Pedro e Maria Leopoldina escondia, até um primeiro momento, diversas traições por parte dele.

Pintura da Marquesa de Santos, amante de Dom Pedro I / Crédito: Wikimedia Commons

 

Apesar da aparente paixão pelo monarca, a Imperatriz teve de lidar desde sempre com a pulada de cerca de dom Pedro, que cada vez mais deixou de ser discreto em relação aos seus casos extraconjugais, principalmente depois de conhecer sua amante principal, Domitila de Castro, que mais tarde viria a ser a Marquesa de Santos.

Além da humilhação por ser trocada por outra mulher, a Imperatriz ainda seria obrigada a conviver com a filha bastarda de seu marido, o que só reforçava a indiferença de seu marido em relação a união.


4. As agressões imperiais

Como se isso já não fosse o suficiente, Maria Leopoldina também teve de suportar as constantes agressões do marido. Ela não só era destratada em público, como era agredida fisicamente até mesmo na frente dos filhos. Maria da Glória — uma de suas filhas — inclusive, chegou a testemunhar uma das demonstrações de raiva do pai.

Dom Pedro I e Leopoldina / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em entrevista às IstoÉ, a jornalista Isabel Stilwell, que escreveu uma biografia sobre a princesa brasileira, disse que, certa vez, quando Maria tinha apenas 7 anos de idade, ela escutou uma verdadeira sessão de espancamento do imperador, que desferia empurrões e pontapés em Leopoldina — que na época estava grávida de seu oitavo filho.

Em seu quarto, Maria da Glória ouvia os gritos da mãe enquanto Domitila implorava para que eles cessassem. Consequentemente, a vida de Leopoldina passou a ser cada vez mais triste e deprimente, o que lhe acompanhou até seus últimos dias de vida.


5. O mito da morte causada por Pedro

Em 1826, Dom Pedro I viajou para o Rio Grande do Sul onde foi acompanhar a Guerra da Cisplatina. Leopoldina, por outro lado, continuou no Rio de Janeiro, afinal, estava em período de gestação e deveria evitar maiores esforços

Porém, durante um compromisso público, a Imperatriz começou a ter febre a passou a convulsionar, o que acarretou no aborto de filho. A pior parte dessa história é que neste mesmo dia, há apenas um mês de completar 30 anos, ela veio a falecer.

Leopoldina preside o Conselho de Ministros / Crédito: Wikimedia Commons

 

Não se sabe ao certo o que causou sua morte, entretanto, há um rumor que aponta que as agressões de Dom Pedro I foram um fator importante para o aborto da criança — e consequentemente para a morte de Maria Leopoldina.

Entretanto, isso nunca foi comprovado. Afinal, uma exumação feita no corpo da imperatriz, anos depois, não foi capaz de constatar quaisquer sinais de fratura no fêmur da monarca, o que contradiz a versão de que a imperatriz teria sido jogada de uma escada por seu marido, sofrendo o aborto que a matou.

O que se sabe ao certo é que, com a morte da mulher, o Imperador retornou para o Rio de Janeiro e ficou de luto por oito dias. Porém, por meio de cartas, acredita-se que esse período enlutado não tenha durado tanto assim, já que na noite seguinte ele teria ido para a cama com a Marquesa de Santos.


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