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Trancafiada em um mosteiro: a melancólica vida de Evdokiya Lopukhina, primeira esposa de Pedro I

Casada com o jovem aos 19 anos, a moça foi Czarina Consorte da Rússia entre 1689 e 1698, quando o Czar a mandou para um mosteiro

Pamela Malva Publicado em 05/02/2020, às 10h28

Evdokiya Lopukhina, a primeira esposa de Pedro I
Evdokiya Lopukhina, a primeira esposa de Pedro I - Wikimedia Commons

No passado, era comum que herdeiros de diferentes coroas se casassem por alianças políticas. Dessa forma, era ainda mais corriqueiro que os jovens prometidos sentissem certa aversão por seus parceiros.

Muitos deles tinham amantes, outros apenas se relacionavam com os companheiros para gerar herdeiros. Pedro I, o Grande, no entanto, tomou medidas drásticas demais após se casar com sua primeira esposa.

Czar da Rússia entre 1682 e 1721, o jovem foi prometido em casamento aos 16 anos, por escolha de sua mãe. Seu destino estava traçado ao lado de Evdokiya Lopukhina, uma jovem russa três anos mais velha que ele.

Os dois se casaram em fevereiro de 1689 e, assim, a dama se tornou a Czarina Consorte do país. No ano seguinte ao matrimônio, os dois tiveram seu primeiro filho: Alexey Petrovich. Depois dele veio Alexandre, o segundo bebê, que morreu com apenas sete meses.

Pintura de Pedro I, Czar da Rússia / Crédito: Wikimedia Commons

 

Por mais que já tivessem gerado um herdeiro, o casamento não ia bem e os dois estavam entediados e insatisfeitos. Pedro I via Evdokiya como uma mulher antiquada, que não compartilhava seu gosto pela cultura ocidental — ela, de fato, tinha aversão ao estrangeiro.

A gota d’água veio quando o Czar descobriu que o pai de sua esposa, Teodoro Lopukhina, estava conspirando contra o Estado, em 1698. Com isso, ele não pensou duas vezes: mandou Evdokiya para um mosteiro em Suzdal, cidade russa a 320 km de Moscou.

Nesse momento, o casal já estava separado e Evdokiya não era mais a Czarina Consorte. Ainda assim, ela acabou levando uma vida secular no mosteiro, relembrando suas raízes religiosas.

Tudo veio à baixo novamente, quando ela conheceu Stepan Glebov, um major enviado a Suzdal para conduzir um recrutamento do exército, em 1709. Os dois começaram a se encontrar e mantiveram um relacionamento por nove anos.

Pintura de Pedro I / Crédito: Wikimedia Commons

 

A longa história de amor apenas acabou quando Pedro I descobriu que algumas freiras do mosteiro estavam tendo relações com soldados, em 1718. Stepan foi preso e torturado, e acabou confessando seu caso com Evdokiya.

Em seu testemunho forçado, o major insistiu que tomara todas as iniciativas, na tentativa de proteger sua amada Evdokiya. Ele foi levado a sério e recebeu pena de morte. Como um último ato de crueldade, Pedro I ordenou que sua primeira esposa assistisse a execução de seu amante.

E assim foi feito. Evdokiya foi levada ao local onde Stepan foi morto — alguns dizem que pelo método do empalhamento — e teve de testemunhar cada segundo de sua sentença enquanto ele sofria.

A jovem russa, no entanto, não foi a única a sofrer nas mãos do Czar. Outra esposa de Pedro I recebeu o mesmo fim que Stepan ao manter um caso romântico com outro homem. Lady Hamilton, a esposa em questão, também foi executada.


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