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Três meses à deriva: a desventura do náufrago Richard Van Pham

Perdido no Oceano Pacífico, o vietnamita precisou aprender a caçar para sobreviver por conta própria em momentos de agonia

Vanessa Centamori Publicado em 13/06/2020, às 08h00

Richard Van Pham e seu barco
Richard Van Pham e seu barco - Divulgação

Em 2002, um senhor imigrante vietnamita de 62 anos chamado Richard Van Pham, morava em condições solitárias dentro de um barco atracado em Long Beach, nos Estados Unidos. Solteiro e sem família, ele não contou a ninguém sobre os seus planos para o final do mês de maio. 

O homem planejava finalmente zarpar com a embarcação, partindo de Sea Breeze até a ilha Catalina. A viagem duraria cerca de três horas. Ele decidiu partir em um dia comum e calmo para os navegantes da região. Estava tudo pronto e o navegante finalmente embarcou. No entanto, o episódio, aparentemente, comum virou um pesadelo.

Contratempo 

A jornada começou sossegada no Oceano Pacífico. Richard acreditava que em breve estaria em terra firme. Porém, seus planos foram interrompidos quando uma tempestade repentina começou. 

As ondas se revoltaram. Como resultado, o mastro, o motor externo e o rádio bidirecional da embarcação do marinheiro falharam. Mal Richard teve tempo de notar, seu barco já estava à deriva. Mas essa não era a única má notícia. 

O navegante tinha apenas comida suficiente para um dia. Então ele teve que criar habilidades de sobrevivência a partir do zero para que pudesse ficar vivo. Com sede, Richard coletou água da chuva com um balde de cinco litros que mantinha no barco. 

Seu histórico como pescador também o permitiu fisgar alguns peixes. Ele também se arriscou caçando aves marinhas, aprendendo a coletá-las e depená-las. Assadas no fogo, as gaivotas se tornaram uma importante fonte de proteína para o marinheiro.

Ele também aprendeu a caçar tartarugas marinhas e teve que comê-las como se fossem iguarias. Para conservá-las, Richard utilizou sal da água do mar. O sódio permitiu que os animais mortos ficassem ainda bons durante os dias em que o oceano não trazia muito o que comer. 

Mesmo sendo astuto para a caça, o marinheiro ainda assim passou muita fome e chegou a pesar 18 quilos. Outra questão que também o incomodou foi o Sol escaldante do verão. O náufrago permaneceu boa parte encoberto para fugir dos raios solares.

Barco à deriva sendo resgatado / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Mas nem só de inimiga servia a luz atormentadora. O Sol também alimentava um gerador movido a energia solar que ficava na embarcação. Isso permitiu que, em vez de sucumbir à depressão daquela situação, Richard pudesse se distrair assistindo vídeos em uma televisão do barco. 

A grande surpresa 

A história do náufrago gera muita controvérsia, pois a região em que ele estava navegando, entre Long Beach e a Ilha Catalina, é uma das mais movimentadas da costa dos EUA. Ainda assim, Richard garante que nunca viu nenhuma aeronave sobrevoando sua embarcação. Isso só mudou no dia 17 de setembro daquele ano de 2002.

As ondas já tinham levado o náufrago até o sudoeste da Costa Rica. Naquela altura, já fazia cerca de três meses e meio que ele estava à deriva. Magro de modo perturbador, Richard foi finalmente visto por um avião da alfândega dos EUA.

O homem estava cozinhando uma gaivota em uma churrasqueira improvisada quando foi avistado. A marinha dos Estados Unidos foi acionada para o resgate. Em resposta aos oficiais, o marinheiro solitário acenou freneticamente de volta.

Após Richard ser acolhido pela tripulação de uma fragata McClusky, a marinha norte-americana afundou o barco do náufrago e pagou para que ele fosse de avião até a Guatemala.

De lá, ele partiu para Los Angeles, onde chegou no dia 24 de setembro de 2002. Na cidade norte-americana tudo parecia estar de volta ao normal. Com seus pés em terra firme, Richard Van Pham era agora um sobrevivente. Mas o seu alívio durou pouco. Novamente, ele passou por outra situação difícil: as autoridades de imigração o deteram. 

Quando viram que o imigrante estava com sua documentação em ordem, finalmente, ele pôde voltar em paz para casa. Quer dizer, não exatamente: ele voltou para Long Beach, onde lutou para reconstruir um novo lar. Até porque sua antiga casa agora estava no fundo do Oceano Pacífico, após ter sido afundada pela marinha. 


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