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A triste saga de Napoleão II, o filho esquecido de Napoleão Bonaparte

Apesar de ser herdeiro do trono francês, o jovem teve uma trajetória cheia de abandono, traições e injustiças

Pamela Malva Publicado em 29/06/2020, às 11h00 - Atualizado às 11h21

Pintura do jovem Napoleão II
Pintura do jovem Napoleão II - Wikimedia Commons

Imperador dos franceses por pouco mais de 10 anos, Napoleão Bonaparte torcia para que sua segunda esposa, Maria Louise da Áustria, desse à luz um herdeiro para o trono. Ele pedia por um filho inteligente e destemido, que pudesse seguir seus passos.

Em 20 de março de 1811, então, nasceu o pequeno Napoleão François Joseph Charles Bonaparte. Dono de finos cabelos loiros, o menino foi batizado na imponente Notre Dame de Paris e, desde então, foi considerado o príncipe imperial.

Sob os cuidados de Louise Charlotte Françoise Le Tellier de Montesquiou, a governanta dos filhos da França, o menino recebeu uma educação filosófica, militar e bastante religiosa. Nenhum livro, no entanto, foi capaz de prepará-lo para o que viria a seguir.

Napoleão II ao lado de sua mãe, Maria Louise da Áustria / Crédito: Wikimedia Commons

 

Início turbulento

Aos três anos de idade, o pequeno príncipe sequer imaginava que o Império Francês estava entrando em colapso, em meados de 1814. Ele viu seu pai pela última vez em janeiro daquele ano, quando Napoleão partiu para seu exílio em Elba.

Três meses mais tarde, o imperador dos franceses abdicou do trono em favor de seu filho. Assim, François tornou-se regente em tenra idade e recebeu o título de Napoleão II — conquista que durou apenas dois dias, já que Napoleão também abriu mão dos direitos de seus descendentes ao trono francês.

Isolados da elite e sem rumo, Maria Louise e seu filho foram mandados para um exílio na Áustria, deixando a França para sempre, em abril de 1814. No ano seguinte, Napoleão chegou a abdicar pela segunda vez em nome de seu herdeiro que, aos quatro anos, nunca chegou a governar.

Nobre tormenta

Uma vez instalado na Áustria, Napoleão II passou a ser tratado como Franz por seus amigos e empregados. Aos 8 anos, o menino já era apaixonado pelas artes militares e, vestindo uniformes parecidos com o de seu pai, orquestrava manobras no palácio. 

Em meados de 1820, o herdeiro concluiu seus estudos e passou a receber treinamento militar de verdade. Assim, aprendeu alemão, italiano e matemática, além de uma rotina rígida de exercícios para treinar seu físico.

Com apenas 12 anos, Napoleão II iniciou sua carreira no exército austríaco, atuando como cadete, em 1823. Apesar de focado, inteligente e temido pelos exércitos europeus, entretanto, o menino nunca teve qualquer papel político de importância.

Retrato de NApoleão II já mais velho, por Leopold Bucher / Crédito: Wikimedia Commons

 

Sem família, sem ninguém

Após a morte de Napoleão, em 1821, Maria Louise casou-se novamente, agora com Adam Albert von Neipperg, que também faleceu enquanto Franz era criança. De luto e bastante decepcionado com sua mãe, que teria gerado dois filhos ilegítimos, o jovem Napoleão II distanciou-se da mulher. “Minha mãe é gentil, mas fraca”, disse à época.

Em meados de 1831, Franz finalmente foi convidado para servir em um batalhão austríaco, mas nunca teve a chance de servir. Isso porque, no ano seguinte, foi acometido por uma pneumonia e, enfermo, ficou de cama por meses.

Em julho de 1832, já bastante debilitado, o herdeiro de Napoleão Bonaparte faleceu, vítima de tuberculose. Franz tinha apenas 21 anos quando deu seu último suspiro, no Palácio de Schönbrunn, em Viena.

Reprodução da morte de Napoleão II / Crédito: Wikimedia Commons

 

Trono abandonado

Durante a juventude, Napoleão II mantinha uma amizade bastante íntima com Sophie, princesa bávara da Casa de Wittelsbach. Na época, rumores afirmavam um caso de amor adúltero entre os dois herdeiros.

Tais boatos, inclusive, determinam que Franz chegou a ter um filho com Sophie, que era casada com outro homem. Segundo a teoria, Maximiliano I do México, nascido em 1832, foi o fruto do relacionamento infiel.

Sem quaisquer filhos legítimos de Napoleão II, no entanto, o trono francês foi reivindicado pelo primo de Franz, Louis-Napoleon. Herdeiro de Louis I, rei da Holanda, o novo regente assumiu o nome de Napoleão III, em homenagem aos familiares falecidos.


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