Matérias » Personagem

A tumultuada relação de rejeição entre Steve Jobs e sua filha Lisa

O fundador da Apple chegou a tocar a esposa na frente da filha durante a adolescência, mas pediu perdão antes de morrer

Wallacy Ferrari Publicado em 24/02/2020, às 11h00

Montagem com Steve Jobs, à esquerda, e Lisa Brennan-Jobs, à direita.
Montagem com Steve Jobs, à esquerda, e Lisa Brennan-Jobs, à direita. - Getty Images

Nascido em 24 de fevereiro de 1955, Steve Jobs completaria 65 anos em 2020. Sua dedicação doentia ao trabalho lhe rendeu o título de gênio da informática, mas o privou de ter uma relação social saudável. Desde problemas corporativos, quando foi dispensado da própria Apple por abaixo-assinado, até problemas pessoais, o levaram a ser uma pessoa extremamente solitária nos seus últimos anos de vida.

Em 1978, Jobs teve a oportunidade de mostrar ao mundo duas de suas criações mais valiosas da época. Ambas tinham o mesmo nome, porém representavam importâncias completamente diferentes ao fundador da Apple. O desenvolvedor, na época com 23 anos, apresentava o seu primeiro computador pessoal a ter um mouse e uma interface gráfica: o Apple Lisa. No mesmo ano, nascia Lisa Nicole Brennan, sua filha.

Diferente do Apple Lisa, Steve não tinha interesse em assinar o Jobs no sobrenome da filha. Internamente na Apple, Jobs explicava que Lisa era uma sigla para “Locally Integrated Software Architecture” (arquitetura de software integrada localmente, em inglês).  Em entrevista a TIME, chegou até a ironizar o teste de paternidade, que afirmava que 94,1% de chances apontavam a Jobs: “Os outros 6% podem representar 28 milhões de estadunidenses”.

Já com uma fortuna multimilionária, em 1980, Jobs mantinha-se afastado da filha e de qualquer relação com a mãe, Chrishann, que trabalhava como camareira e faxineira. A corte da Califórnia chegou a autuar Jobs pela falta de pagamento, mas ele veio a realizar um juramento afirmando que era estéril e até apontou nomes para o verdadeiro pai da menina. Quando o caso foi concluído, a justiça determinou uma pensão mensal de 500 dólares.

Apesar de, com orgulho, apresentar-se na escola como a filha do criador do computador pessoal vendido nas lojas, o mesmo não a visitava. Seus vizinhos auxiliavam a mãe no pagamento de seus estudos e Chrishann também passou a receber ajuda governamental. Jobs, por sua vez, já acumulava uma fortuna de 200 milhões de dólares.

Ao longo do crescimento de Lisa, Steve não fez questão de fazer quaisquer manuntenção no relacionamento com a filha. Quem deu um empurrãozinho para a reaproximação de Steve e Lisa foi Mona Simpson, irmã biológica do desenvolvedor, que era adotado. Mona exemplificou que era importante prover uma boa segurança para Lisa e intermediou os encontros do pai com a filha.

A recepção na casa

Steve Jobs no lançamento do computador LISA, que foi um fracasso comercial
Steve Jobs no lançamento do computador LISA, que foi um fracasso comercial

 

Durante sua adolescência, Lisa conseguia visitar o pai aos fins de semana. Em seu livro Small Fry, ela conta que, apesar da vida de luxo do pai, o mesmo não refletia sua generosidade comercial dentro de casa. Ela conta que, levando de volta para casa, Jobs parou o carro e disse de maneira fria: “Você não vai receber nada. Entende? Nada”. O tom amargo do pai sempre era para privar qualquer desejo da filha de acessar uma parte de seu conforto.

Já aos 19 anos, quando a jovem teve a oportunidade de estudar em Harvard, pôde mudar-se para a residência do pai, que estava recém-casado com Laurene Powell Jobs, de 28 anos. Conta no livro que, à forma de criar uma relação de parentesco, Steve obrigava Lisa a assisti-lo beijar e gemer ao tocar a esposa. “É importante que você tente fazer parte deste momento familiar”, dizia Steve.

Ao se formar, evitou se apresentar com o recém-obtido sobrenome Brennan-Jobs. Inclusive, evitou culpar o pai. Quando Jobs adoeceu em decorrência ao seu câncer no pâncreas, Lisa já havia desistido de desenvolver qualquer laço de carinho com o pai, mas ia ver sua condição física e se precisava de algo voluntáriamente. Ela conta que, nas últimas visitas, o pai pediu perdão por ter esquecido diversas vezes da data de seu aniversário e por não aparecer.

Sempre envergonhado, depois da aproximação, na adolescência, Steve evitava maiores explicações sobre suas maiores vergonhas em relação à forma como tratou Lisa na infância. Porém, em um jantar junto a Bono Vox, lider do U2, o músico chegou a perguntar na mesa, junto a Lisa, se o computador foi nomeado em homenagem a filha. “Sim”, foi a simples resposta de Jobs.


+Saiba mais sobre Steve Jobs:

Steve Jobs: as verdadeiras lições de liderança, de Walter Isaacson (2014) - https://amzn.to/2wIpXyd

Steve Jobs: insanamente genial, de Jessie Hartland (2016) - https://amzn.to/2PlN206

Steve Jobs, de Walter Isaacson (2011) - https://amzn.to/2PivbHa

Steve Jobs (Edição Inglês), de Walter Isaacson (2015) - https://amzn.to/38XulaL

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, assinantes Amazon Prime recebem os produtos com mais rapidez e frete grátis, e a revista Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.