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Matérias / Brasil Império

Túnel ferroviário subterrâneo e submarino que liga o Rio a Niterói era cogitado no Brasil Império

A Ponte Rio-Niterói foi inaugurada em 1974, no entanto, a conexão já era imaginada no Brasil Império

Éric Moreira, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 13/07/2022, às 16h00

O projeto de conexão entre Rio de Janeiro e Niterói foi idealizado durante o governo de Dom Pedro II - Domínio público / Divulgação/Biblioteca Nacional
O projeto de conexão entre Rio de Janeiro e Niterói foi idealizado durante o governo de Dom Pedro II - Domínio público / Divulgação/Biblioteca Nacional

O Rio de Janeiro sempre foi, desde a época do Brasil Imperial, uma das cidades e pontos de referência mais importantes do país — tendo sido a capital desde 1763, quando Salvador (BA) deixou de ser capital, até 1960, quando passou a ser Brasília.

Logo, uma complicação já encontrada no século XVIII na região era o transporte pela baía de Guanabara, que adentrava no estado e dificultava a ligação entre Rio de Janeiro e Niterói.

Os primeiros transportes utilizados na baía de Guanabara foram as embarcações utilizadas pelos tamoios — povo indígena que habitava a costa dos atuais estados do Rio de Janeiro e São Paulo.

No entanto, no século XVIII as viagens passaram a ser feitas em botes ou veleiros e, mais tarde, surgiram as faluas, saveiros e barcaças remadas por escravos, que levavam até 4 horas no trajeto.

Já em 1817, D. João VI— que foi imperador do Brasil como príncipe regente de 1816 a 1822 — tentou adotar uma nova iniciativa e concedeu a dois ingleses, Spencer e Nicoll, uma permissão para explorar barcas a vapor no local, o que acabou não dando certo na época, como informado em texto da Biblioteca Nacional.

No entanto, finalmente em 1835 surgiu o primeiro serviço regular de transporte entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, com a adoção de três barcas a vapor — também de origem inglesa — que levavam cerca de 200 pessoas de hora em hora, em um trajeto que levava cerca de 30 minutos. 

Das águas à terra

Mesmo com a existência de um serviço regular de transporte por meio de barcas, os governantes e a própria população sentia necessidade da formulação de um meio de transporte por terra no local.

Assim, em 1875 foi desenvolvido o projeto 'Rio de Janeiro & Nitheroy Tubular Railway', que consistia na construção de um túnel ferroviário subterrâneo e submarino — ou seja, as pessoas andariam de trem por baixo da baía de Guanabara.

O projeto, além de conectar as duas cidades com um meio de transporte terrestre, também serviria para passar tubulações de água mantidas pelos trens da Estrada de Ferro Rio d'Ouro.

O autor do complexo plano foi Hamilton Lindsay-Bucknall, e chegou até mesmo a ser aprovado pelo engenheiro ferroviário Peter William Barlow antes mesmo de ser apresentado ao então imperador, Dom Pedro II.

Recorte de projeto de túnel ferroviário subterrâneo submarino
Recorte de projeto de túnel ferroviário subterrâneo submarino / Divulgação/Biblioteca Nacional

O túnel teria uma dimensão de aproximadamente seis metros de diâmetro e cinco de altura, feito de ferro ou aço e revestido inteiramente por tijolos ligados por asfalto, conforme repercutido pela Biblioteca Nacional.

No entanto, o projeto não teve continuidade devido a falta de fundos, ainda mais porque as partes que iriam compôr o túnel viriam da Inglaterra e seriam montadas aqui.

Arquivos

Os documentos do projeto Rio de Janeiro & Nitheroy Tubular Railway, de criação de um túnel ferroviário abaixo da baía do Guanabara, consistem em duas plantas, um texto com especificações da obra e uma carta de Peter William Barlow.

Todos os arquivos ficaram na posse da família imperial na época, e hoje integram o acervo da Coleção Teresa Cristina Maria.

Capa e página inicial do projeto Rio de Janeiro & Nitheroy Tubular Railway
Capa e página inicial do projeto Rio de Janeiro & Nitheroy Tubular Railway / Divulgação/Biblioteca Nacional

A Ponte Presidente Costa e Silva — mais popularmente conhecida como Ponte Rio-Niterói —, por sua vez, foi planejada pelos engenheiros Antônio Alves de Noronha Filho e Benjamin Ernani Diaz, com auxilio do engenheiro estadunidense James Graham. Sua construção teve início em 1969, durante o governo de Artur da Costa e Silva, e foi inaugurada em 1974, ao fim do governo de Emílio Garrastazu Médici.