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A morte que paralisou o Brasil: O julgamento do caso Tatiane Spitzner

A morte da advogada, ocorrida em 2018, ficou conhecida pelos vídeos das câmeras de segurança do prédio onde ela morava, que mostraram seu marido a agredindo na noite de sua morte

Ingredi Brunato, sob supervisão de Pamela Malva Publicado em 10/05/2021, às 19h00 - Atualizado às 22h13

Trecho da entrevista dada por Luís Felipe Manvailer, o marido de Tatiane, ao Domingo Espetacular
Trecho da entrevista dada por Luís Felipe Manvailer, o marido de Tatiane, ao Domingo Espetacular - Divulgação / Youtube / Domingo Espetacular

O corpo da advogada Tatiane Spitzner, de 29 anos de idade, foi encontrado em uma madrugada de julho de 2018. Mais tarde naquele mesmo dia, seu marido, o biólogo Luís Felipe Manvailer, foi preso após sofrer um acidente de carro a 350 quilômetros do local onde sua esposa havia morrido, segundo repercutido pelo G1, na época. 

Ela havia sofrido uma queda do quarto andar. Realizados pelo Instituto Médico-Legal (IML), os exames de necropsia feitos na mulher, todavia, constataram que a verdadeira causa de morte da advogada foi por asfixia mecânica. 

Apenas dias depois da morte de Tatiane, então, Luís Felipe foi indiciado por homicídio qualificado. A impressão de que ele fora o responsável foi ainda mais reforçada nos olhos do público no mês seguinte, em agosto, quando a polícia divulgou as imagens que eles tinham das câmeras de segurança do prédio onde o casal vivia. 

Fotografia de Luís Felipe Manvailer antes da morte de Tatiane / Crédito: Divulgação/ Facebook

 

Traços de crueldade

As filmagens perturbadoras revelavam cenas de agressão do marido contra a advogada, que começaram no estacionamento e prosseguiram no elevador do edifício, enquanto a mulher de 29 anos fazia diversas tentativas de escapar. Tudo ocorreu bem na noite de sua morte, e, depois, as cenas ainda mostravam o momento em que o homem desceu para o térreo para buscar o corpo dela após sua queda do quarto andar.

Após trazer o cadáver da esposa de volta para o apartamento dividido pelo casal, o biólogo ainda limpou as manchas de sangue deixadas no elevador e no corredor, e trocou sua camisa. As informações foram documentadas pelo G1. 

Finalmente, na última terça-feira, dia 04 de maio de 2021, quase três anos após o episódio, iniciou-se o julgamento do marido de Tatiane Spitzner. Ele estava previsto para dezembro de 2020, porém foi adiado para janeiro deste ano, depois para fevereiro, e por fim para a data atual.

Trecho da entrevista dada por Luís ao Domingo Espetacular / Crédito: Divulgação/ Youtube/ Domingo Espetacular 

 

Os argumentos do marido 

"Eu perdi a mulher da minha vida. Com todos os seus erros, seus charmes e suas manhas. Eu a amo ainda", teria afirmado o biólogo em julgamento. A defesa de Luís mantém a versão de que a advogada pulou da sacada e de que o marido, na verdade, tentou impedi-la de cometer suicídio, mas não obteve sucesso. 

"A essa altura do campeonato estava completamente fora de mim. Lembro que tirei a camiseta, acho que fui até o banheiro para me livrar do sangue, peguei outra camiseta e voltei pra sala. Vinha aquela imagem, parecia que fazia um zoom, e a Tatiane, meu Deus do céu, ela está ali [morta]", relatou ele em tribunal, o que foi repercutido pelo UOL. 

O marido de Tatiane não negou o fato que os dois tinham brigas frequentes e já haviam considerado divórcio anteriormente, o que foi constatado pela polícia durante a investigação, que contou com a análise de mensagens no celular da advogada, em que ela por vezes relatava os problemas de sua relação para suas amigas. 

Apesar de ter admitido as brigas, o biólogo afirmou que a noite da morte de sua esposa foi a primeira vez em que ele foi violento com ela. Em suas descrições da fatídica noite, Luís comentou também que a advogada queria ver seu celular por conta de ciúmes, que estava “enchendo o saco” quanto a isso. Além disso, já no apartamento deles, no momento da discussão, ela se aproximou da sacada e estava “fazendo escândalo”.

O júri popular de Luís Felipe Manvailer terminou nesta segunda-feira, 10, após durar sete dias. Ele foi condenado pela morte de Tatiane e pegou 31 anos de prisão.