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Um pianista nos horrores do Holocausto: o que aconteceu com Wladyslaw Szpilman?

Conheça a trajetória emocionante do artista que sobreviveu ao Holocausto através da música

Giovanna de Matteo Publicado em 23/08/2020, às 09h00

Władysław Szpilman (à esqu.) o personagem do filme (à dir.)
Władysław Szpilman (à esqu.) o personagem do filme (à dir.) - Wikimedia Commons // Divulgação

Władysław Szpilman nascido em 5 de dezembro de 1911, foi um pianista e compositor polonês, de ascendência judaica. Ele ficou famoso principalmente através do filme "O Pianista", lançado em 2002 pelo diretor Roman Polanski, que é baseado no relato autobiográfico de Szpilman, onde transcende de forma emocionante a trajetória de vida do pianista.

Ele é considerado um dos gênios da música clássica, e encanta até os dias de hoje os corações daqueles que consomem e reproduzem suas músicas e composições. Ainda criança, sua mãe o apresentou ao instrumento de percussão, o ensinando desde cedo a tocar piano.

O piano seria, desde então, sua primeira paixão. Mais tarde, o seu talento musical se tornaria o único meio que o levaria à sobreviver, salvando sua vida diversas vezes durante os anos assombrosos do Holocausto.

Szpilman começou seus estudos de piano na Academia de Música Chopin em Varsóvia, Polônia, mas foi em 1931, na prestigiosa Academia de Artes de Berlim, na Alemanha, que ele começaria a ganhar atenção no meio da música, tendo contato e estudando junto de grandes artistas clássicos. No entanto, em 1933, após a nomeação de Adolf Hitler como chanceler da Alemanha, e com as perseguições e preconceitos aos judeus aumentando no país, Szpilman teve que largar seus estudos e retornar à sua cidade natal, na Polônia.

Talento

Em Varsóvia, ele rapidamente se tornou um famoso pianista e compositor, sendo reconhecido por todos os adoradores de música clássica e popular. Em 1935, ingressou na Rádio Estatal Polonesa como pianista oficial, onde permaneceu trabalhando até setembro de 1939, quando a Alemanha Nazista invadiu a Polônia. Ele transmitiu seu último recital no dia 23 de setembro de 1939, quando os alemães bombardearam a estação de rádio.

Os nazistas haviam ocupado toda a Polônia, criando um Governo Geral. A partir disso, muitas cidades polonesas, incluindo Varsóvia, começaram a passar por uma terrível repressão. Uma das artimanhas nazistas nas cidades ocupadas foi a criação de "guetos", lugares totalmente insalubres e lotados, que abrigariam a população judaica, como uma espécie de segregação. 

Muro que separava o Gueto de Varsóvia do resto da cidade sendo construído / Wikimedia Commons

 

Szpilman e sua família foram deslocados para o Gueto de Varsóvia, que abrigou cerca de 400 mil judeus que viviam apenas de rações (ou comida contrabandeada ilegalmente), sob ordem do regime nazista. Durante esses anos, Szpilman trabalhou como músico para sustentar sua família, passando por vários empregos em cafés no gueto.

As coisas começaram a piorar em 1942, quando uma deportação nazista, que ocorria de tempos em tempos nos guetos, obrigou a família Szpilman a ser transferida para um campo de extermínio. Junto com outros milhares de judeus, a caminho do trem que os levaria para o campo de Treblinka, um membro da Polícia Judaica reconheceu Władysław Szpilman, e decidiu resgatá-lo.

Esse foi o primeiro momento em que conseguiu escapar da morte certeira. Infelizmente, o policial só pôde salvar o pianista, que viu seus pais, irmão e duas irmãs sendo transportados para o campo de concentração, onde desapareceriam para sempre. Sozinho, ele continuou trabalhando por lá até 1943, quando o Gueto de Varsóvia foi abolido, pois, a maioria de seus habitantes já teriam sido deportados para extermínio.

Escondido

No dia 13 de fevereiro de 1943, ele escapou do lugar e se escondeu em um prédio abandonado da cidade, sobrevivendo com sua esposa Janina, através da ajuda de seus amigos da rádio polonesa e outros músicos.

Um tempo depois, decidiu se mudar para a região de Niepoldleglosci, onde se escondeu até ser encontrado por um veterano de guerra e membro das Forças Armadas da Alemanha, o capitão Wilm Hosenfeld.

Em um de seus livros de memórias, Władysław conta que o encontro com o capitão foi, à primeira vista, tenebroso, porém, ele escapou novamente da prisão graças. Hosenfeld teria perguntado para ele sobre sua profissão, e após responder que era um pianista, o obrigou a tocar algo para ele no piano da sala de jantar da casa que ele estava escondido. Com muito medo, Szpilman o obedeceu.

Para sua surpresa, após ouvir os espetáculos que as mãos de Szpilman faziam ao se debruçar no piano, o alemão anunciou que iria levá-lo para uma vila, onde ele ficaria em segurança. Mesmo após o pianista ter admitido para o alemão que era um judeu, ele cumpriu sua promessa e não o denunciou.

Em vez disso, ele mandou o judeu continuar escondido naquela casa, e o ajudou a sobreviver, fornecendo-o alimentos até o fim da guerra, em 1945, quando os nazistas acabaram derrotados.

Sepultura de Władysław Szpilman em Varsóvia / Wikimedia Commons

 

Após toda tragédia vivida durante os anos de holocausto, o pianista continuou seguindo carreira musical até os últimos dias de sua vida, falecendo em 2000, aos 88 anos.


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