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Um poeta do mundo terreno: os 118 anos de Carlos Drummond de Andrade

Nascido neste dia, em 1902, o escritor colocou seu cotidiano em versos bem pensados que marcaram o modernismo brasileiro

Pamela Malva Publicado em 31/10/2020, às 00h00

Fotografia do poeta Carlos Drummond de Andrade
Fotografia do poeta Carlos Drummond de Andrade - Wikimedia Commons

No dia 30 de outubro de 1902, há exatos 118 anos, a cidade de Itabira, em Minas Gerais, conheceu Carlos Drummond de Andrade. Naquela tarde, quando ele nasceu, um anjo torto, “desses que vivem na sombra”, disse-lhe para “ser gauche na vida”.

De gauche, no entanto, Carlos não tinha nada. Apesar de tímido, o garoto logo cresceu para se tornar um dos poetas mais influentes do século 20. “O homem atrás do bigode”, que era “sério, simples e forte”, virou um expoente do Modernismo brasileiro.

Podendo ser considerado um pouco controverso por suas opiniões, o poeta, que também era cronista, encontrou beleza no mais claro enigma e nas “coisas findas, muito mais que lindas”. Suas memórias foram além do desajustado que ele dizia ser.

Fotografia de Itabira, em Minas Gerais, em 1955 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Eu maior que o mundo

Nascido em uma família tradicional, que há muito já estava estabelecida no país, Carlos rapidamente percebeu que seu “mundo vasto mundo” poderia caber em métricas e em rimas bem pensadas. Assim, ele criou os próprios versos.

Estudando farmácia pela Universidade Federal de Minas Gerais, o poeta conheceu Emílio Moura, com quem fundou A Revista. Através da publicação, ele e alguns outros amigos disseminavam as teorias e belezas do modernismo por onde podiam.

Ainda que a grande paixão do cronista fosse escrever — coisa que ele fez até o último dia —, Drummond também trabalhou como servidor público durante anos. Sempre muito quieto, mas querido, formou uma família ao lado de Dolores Dutra de Morais.

Carlos Drummond de Andrade (à direita) em jantar / Crédito: Wikimedia Commons

 

Eu igual ao mundo

Saído do romantismo de Castro Alves e do realismo de Eça de Queiroz, Drummond escrevia buscando a liberdade teorizada por Mário e Oswald de Andrade. Inspirado por temáticas cotidianas, o poeta não se preocupava com versos e silabas métricas.

Durante toda sua vida, Drummond passou pela poesia irônica, social, metafísica e erótica — sendo que a última o acompanhou até o final. Foram 84 de pura poética até que o escritor finalmente fechou seus olhos, em 17 de agosto de 1987.

Vítima de um infarto e de insuficiência respiratória, Drummond deixou suas palavras para trás, junto de uma nova teoria sobre o fazer poético. Por sorte, ele percebeu, ainda em vida, que “nada pode o olvido, contra o sem sentido apelo do Não”.


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