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Uma bomba, um assalto e um assassinato: o crime mais complexo da Pensilvânia

Quando Marjorie Diehl-Armstrong e seus amigos quiseram conseguir dinheiro de um jeito fácil, eles criaram um plano diabólico e bastante complicado

Pamela Malva Publicado em 02/03/2020, às 18h38

Brian no banco, com a bomba em seu pescoço
Brian no banco, com a bomba em seu pescoço - Erie Bureau of Police

Em meados de 2003, Marjorie Diehl-Armstrong, Kenneth Barnes e Bill Rothstein queriam ganhar um dinheiro fácil. Juntos, então, criaram um dos planos mais diabólicos e complexos da história dos Estados Unidos.

A ideia inicial era matar o pai de Marjorie, para que ela ganhasse a quantia da herança. Como nenhum deles queria sujar as mãos com o crime, pensaram em contratar um assassino de aluguel. O problema, entretanto, é que nenhum deles tinha o valor pedido em troca.

Para o trabalho, o assassino pediu 250 mil dólares. Em pouco tempo, os amigos decidiram que roubar a quantia de um banco seria a melhor opção, dada às circunstâncias em que se encontravam. Foi assim que Brian Wells, um entregador de 46 anos, entrou na história.

No dia 28 de agosto daquele ano, a pizzaria onde Brian trabalhava recebeu um pedido, que deveria ser entregue nos arredores de Erie, na Pensilvânia. Uma vez no local, Wells percebeu que algo parecia errado: o endereço apontava para uma torre de transmissão.

Brian Wells, o entregador de 46 anos / Crédito: Wikimedia Commons

 

A sequência de eventos no local permanece um mistério, mas sabe-se que Brian saiu de lá com um colar bomba em seu pescoço. A mesma pessoa que instalou o adereço no entregador ordenou que ele roubasse um banco. Caso contrário, o colar explodiria.

Com ordens expressas, Brian foi até o banco escolhido e entregou a uma das caixas uma nota exigindo 250 mil dólares. Assustada, a trabalhadora respondeu que não tinha essa quantia à disposição e entregou apenas US $ 8.702 ao homem.

Todo o roubo foi filmado pelas câmeras. Nas imagens, é possível identificar o colar em Brian, além da pistola em formato de bengala — que ele recebeu ainda na antena de transmissão, para que ele passasse despercebido. Assim que o ladrão saiu do banco, a polícia foi chamada.

O colar bomba colocado em Wells e a bengala entregue à ele pelos criminosos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Os oficiais chegaram rapidamente e encontraram Wells em um estacionamento próximo. Ele disse à polícia que tinha uma bomba em seu pescoço e contou todo o plano, dizendo que teria que seguir mais alguns passos, para que o colar fosse desativado.

A polícia, então, acionou o esquadrão antibomba. Três minutos antes da chegada dos especialistas, o colar no pescoço de Brian explodiu — já haviam se passado 30 minutos do assalto. No carro da vítima, os oficiais encontraram um documento de duas páginas, que detalhava o que mais Wells deveria fazer para se libertar.

Três semanas mais tarde, Bill Rothstein ligou para os investigadores para confessar sobre um corpo em seu freezer. Assim que a vítima foi identificada como James Roden, a polícia interrogou Bill.

Em seu testemunho, ele disse que sua ex-namorada, a Marjorie, teria matado James para que ele não falasse nada sobre o assalto do dia 28. Ela teria pedido que Bill sumisse com o corpo, mas ele não conseguiu completar a tarefa e chamou a polícia.

Bill Rothstein, Marjorie Diehl-Armstrong e Kenneth Barnes, respectivamente / Crédito: Erie Bureau of Police 

 

As coisas começaram a ficar ainda mais complicadas quando Bill morreu vítima de um linfoma, antes de ser levado a justiça, em 2004. No ano seguinte, Marjorie assumiu ter matado James e foi sentenciada entre sete e vinte anos de prisão.

Pouco tempo depois, ainda em 2005, Kenneth Barnes foi entregue à polícia por um membro de sua família. Ele teria confessado participação no assalto de 2003. Uma vez preso, ele alegou que fora Marjorie Diehl-Armstrong quem arquitetou todo o roubo.

Kenneth, todavia, trouxe uma nova informação: Brian Wells, na verdade, teria participado do plano desde o começo. A única coisa que o entregador não esperava, no entanto, era que a bomba que seria colocada em seu pescoço fosse de verdade.

No fim, Barnes foi condenado a 45 anos de prisão, enquanto Marjorie recebeu a sentença de prisão perpétua. Ela morreu de câncer, em 2017. Até hoje, a família de Brian acredita que ele foi apenas uma vítima dos três conspiradores e que foi envolvido contra sua vontade no crime.


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