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Uma manhã de puro pânico: o terrível massacre na creche em Santa Catarina

Na última terça-feira, 04, duas funcionárias e três bebês da instituição foram mortos a facadas por um invasor impiedoso

Pamela Malva Publicado em 08/05/2021, às 08h00

Fotografia da fachada da creche Pró-Infância Aquarela, em Santa Catarina
Fotografia da fachada da creche Pró-Infância Aquarela, em Santa Catarina - Divulgação/Youtube/O Globo

Saudades. No dicionário, esse é o substantivo feminino que define um sentimento nostálgico, associado à perda ou recordação de uma pessoa ausente. Para os moradores do município de mesmo nome em Santa Catarina, no entanto, a palavra ganhou um significado completamente diferente na última terça-feira, 04.

Enquanto a manhã começava como qualquer outra, funcionários da creche Pró-Infância Aquarela se preparavam para mais um dia de rotina cuidando dos pequenos entre seis meses e dois anos que estudavam na escola infantil.

De repente, o que era para ser só mais uma data comum de volta às aulas durante a pandemia, tornou-se um verdadeiro pesadelo. Sem aviso, um jovem invadiu a escola e atacou todos aqueles que se encontravam à sua frente, fossem adultos ou crianças.

Pânico e terror

Por volta das 10h daquela manhã, a professora Keli Adriane Aniecevski, de 30 anos, caminhava pelos corredores da creche. Com cabelos loiros na altura dos ombros, ela estava a caminho de uma das salas da instituição quando foi detida por um jovem.

Com uma katana — espada tradicional do Japão, antigamente usada por samurais — e uma adaga em mãos, segundo a IstoÉ, Fabiano Kipper Mai, de 18 anos, tinha um olhar assustador em seu rosto. Sem pensar duas vezes, ele desferiu um golpe na professora, fazendo com que o sangue da mulher se espalhasse pelo chão.

Mesmo machucada, ela correu até a sua sala, onde a agente educacional Mirla Renner, de apenas 20 anos, tomava conta de quatro bebês. Com o seu agressor logo atrás, Keli pensou em proteger as crianças, mas nada saiu como o planejado.

Imagem de uma das armas usadas pelo criminoso durante o ataque / Crédito: Divulgação/Youtube/O Globo

 

Minutos de angústia

De sua casa, que fica do outro lado da rua da creche, Aline Biazebetti, uma das professoras da instituição, escutou os gritos estarrecedores pedindo por socorro. Eram algumas das últimas palavras de Keli e Mirla, que viviam momentos de puro terror. 

Em questão de minutos, Fabiano esfaqueou e matou a professora e mais três crianças com menos de dois anos que estavam na sala. Mirla e outro bebê foram socorridos. Após uma cirurgia, o pequeno sobreviveu, enquanto a jovem funcionária não resistiu.

“Eu estava dentro de casa e escutei gritos de pedido de socorro, eram muito fortes”, narrou Aline ao site do G1. “Então eu saí, daí eu vi as meninas, minhas colegas, pedindo socorro, para ligar para a polícia.” Foi assim que os oficiais foram acionados.

Coragem e sofrimento

Dentro da creche, outras professoras escutaram o pânico ecoando nos corredores e trataram de levar os pequenos para o fraldário, trancando portas e janelas. Das 80 crianças matriculadas na escola, cerca de 19 delas estavam presentes naquele dia.

Eventualmente, após desferir diversos golpes em Keli, Mirla e os quatro bebês de quem elas cuidavam, Fabiano tentou invadir a sala onde os outros estavam escondidos, mas foi impedido pelas professoras, que bloqueavam a porta pelo lado de dentro.

Pouco antes da polícia chegar, então, vizinhos da creche que escutaram os gritos de socorro decidiram intervir. Em grupo, eles entraram na escola e imobilizaram o assassino, que tentou se matar cortando seu pescoço, sem sucesso.

Um criminoso inconsequente

Uma vez detido pelos oficiais da região, Fabiano foi levado para o Hospital Regional de Pinhalzinho, segundo a IstoÉ. Ainda na ambulância, ele perguntou aos enfermeiros quantas pessoas ela teria atingido. “Matei cinco, né?”, teria questionado o criminoso.

Em seguida, segundo Leonardo Ecco, capitão do Corpo de Bombeiros de Pinhalzinho, Fabiano disse para os oficiais “que estava planejando o ataque há mais de dez meses". Uma vez no hospital, então, ele passou por uma cirurgia e segue em estado grave.

“Não foi possível avaliar as condições psicológicas ou mesmo se estava sob efeito de medicamentos", narrou Leonardo. “Apresentava um corte no pescoço que, mais tarde, os médicos verificaram se tratar de um ferimento grave.” Em seguida, o acusado foi transferido para Chapecó, já que ele poderia ser linchado pelos moradores da região.

Imagem da ceche do lado de fora / Crédito: Divulgação/Youtube/O Globo

 

As consequências de um crime

No total, Fabiano matou a professora Keli, a funcionária Mirla e os pequenos Sarah Luiza Mahle Sehn, de 1 ano e 7 meses; Anna Bela Fernandes de Barros, 1 ano e 8 meses; e Murilo Missing, 1 ano e 9 meses, segundo o Instituto Geral de Perícias (IGP).

O motivo do crime, contudo, ainda não foi identificado pela Polícia Civil de Santa Catarina, nem pelo delegado Jerônimo Marçal, responsável pelo caso. Ainda assim, uma prisão preventiva contra Fabiano foi emitida pelo juiz Caio Lemgruber Taborda.

Enquanto a investigação segue interrogando testemunhas e um mandato de quebra de sigilo permite a análise dos aparelhos usados pelo criminoso, o município de Saudades sofre com as perdas inestimáveis das vítimas assassiandas por Fabiano.

Pensando nelas, após decretar um luto de três dias na região, o prefeito da cidade, Maciel Schneider, afirmou que é bastante difícil acreditar na tragédia. “O sentimento é de revolta e, ao mesmo tempo, de muita tristeza. Uma coisa que nenhum pai merece passar. É desesperador, a ficha ainda não caiu”, lamentou o político.


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