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Aliança com a URSS: Os campos de concentração na Bulgária Comunista

Apesar de poucos conhecidos, os campos búlgaros levaram milhares de pessoas ao extermínio entre 1944 e 1989

Joseane Pereira Publicado em 14/10/2019, às 09h00

Prédio abandonado do Partido Comunista Búlgaro
Prédio abandonado do Partido Comunista Búlgaro - photogallet

Entre 1944 e 1989, a Bulgária comunista operou uma grande rede de campos de trabalhos forçados. Sob comando do Partido Comunista Búlgaro, em aliança com a URSS, o país enviava milhares de prisioneiros para essas instituições – e muitas pessoas iam parar lá sem julgamento prévio, encontrando nos campos seu destino final.

Origem dos Campos de Concentração

Em 1944, partidários do Exército Vermelho da URSS entraram na Bulgária. Incentivadas pelo político comunista Georgi Dimitrov, atividades de repressão ao anticomunismo foram levadas a cabo, com a execução de fascistas ativos e todo aquele que fosse contrário ao regime. Um Tribunal Popular foi criado em outubro daquele ano, pronunciando 12 mil sentenças de morte e executando mais de 2.700 pessoas.

É nesse contexto que surgem os Centros de Educação Profissional da Bulgária. Entre os prisioneiros direcionados para lá, estavam aqueles considerados uma ameaça política à estabilidade e segurança do Estado. Para além desses locais, que eram verdadeiros campos de concentração, muitas pessoas também foram deportadas para áreas provinciais distantes – entre 1948 e 1953, 25 mil presos sofreram deportação.

Joseph Stalin e Georgi Dimitrov em 1936 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Grande magnitude

Entre os campos mais utilizados, estavam Belene, fechado em 1959 devido a uma greve de fome de prisioneiros, e Lovech, o último e mais severo dos principais campos. Montado próximo a uma pedreira abandonada, ele era controlado pelo Ministério do Interior, sendo desconhecido pela maioria dos búlgaros. Localizado próximo a uma pedreira, Lovech tinha a reputação de ser um lugar do qual nunca se poderia sair vivo.

Segundo a Comissão de Inquérito para os Campos, criada em 1990 pelo Partido Comunista, aproximadamente 100 campos de trabalho estavam ativos entre os anos de 1944 e 1962. Nos primeiros anos de atividade, cerca de 10 mil homens e mulheres passaram por esses locais, e apenas Belene chegou a possuir mais de 7 mil prisioneiros.

Com o tempo, esses campos de trabalho foram diminuindo de intensidade e organizando repressões apenas de natureza administrativa, que tinham como alvo os acusados de ofender a moral da população búlgara.


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